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PGR cria grupo voltado para combate ao crime organizado no Rio

Militares patrulham ruas da Rocinha - Pablo Jacob - 11.out.2017/Agência O Globo
Militares patrulham ruas da Rocinha Imagem: Pablo Jacob - 11.out.2017/Agência O Globo

Do UOL, em São Paulo

25/10/2017 20h23Atualizada em 25/10/2017 20h39

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, criou nesta quarta-feira (25), com duração de um ano, um grupo de procuradores voltado para o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.

Segundo a portaria assinada por Raquel que cria o grupo, ele tem como objetivo "o enfrentamento das organizações criminosas que atuam, dentre outros crimes, no tráfico internacional de drogas, armas e munições no Estado do Rio de Janeiro, bem como na lavagem de ativos e crimes conexos decorrentes de tais atividades ilícitas."

O "grupo estratégico", como é citado no documento, é formado por cinco procuradores: Marcelo de Figueiredo Freire, que será o coordenador; Orlando Monteiro Espíndola da Cunha, Paulo Henrique Ferreira Brito, José Maria de Castro Panoeiro e Eduardo Santos de Oliveira Benones. Freire é procurador regional da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), e os demais são procuradores da República lotados no Estado do Rio.

Os procuradores não se dedicarão exclusivamente ao grupo, que está vinculado ao gabinete de Raquel Dodge. Entre as atribuições do grupo estratégico estão "analisar a metodologia de investigação aplicada aos crimes" e "identificar a estrutura de financiamento utilizada" para a prática dos delitos.

Segundo comunicado do MPF (Ministério Público Federal), o modelo de atuação do órgão foi definido após discussões no próprio órgão e conversas "com os ministros de Estado que solicitaram apoio do MPF no combate à criminalidade."

De acordo com a nota, a criação do grupo foi anunciada no fim da manhã desta quarta em reunião com os ministros da Justiça, Torquato Jardim; da Defesa, Raul Jungmann; e da Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen.

No fim de setembro, Jungmann propôs a criação de uma força-tarefa federal voltada exclusivamente ao combate do que chamou de "Estado paralelo que existe hoje no Rio". O grupo seria formado por integrantes do MPF, da Justiça Federal e da Polícia Federal.

Naquele momento, o Rio estava sob uma onda de violência que levou inclusive a um cerco da favela da Rocinha, na zona sul da cidade, pelas Forças Armadas

Violência no Rio

O momento de confrontos mais intensos na Rocinha pode ter passado, mas não a crise de segurança pública no Estado do Rio. Na segunda-feira (23), na mesma favela, uma turista foi morta por um policial após seu carro furar um bloqueio

No mesmo dia, também na Rocinha, dois policiais militares e um suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas foram baleados durante confronto armado na favela.

Do dia 18 de setembro ao dia 11 de outubro, a crise de segurança que começou na Rocinha e se espalhou por outras favelas do Rio deixou 16 mortos e levou a uma série de prisões e apreensões de armas. No entanto, o traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, tido como um dos pivôs da série de confrontos, não foi localizado até agora.

Em outras regiões do Estado, a situação não parece muito melhor. Facções do tráfico de drogas e milícias duelam pelo domínio de áreas da Baixada Fluminense, região em que um estudante de 15 anos morreu atingido por uma bala perdida em casa; no Complexo da Maré, na zona norte carioca, um médico foi sequestrado por traficantes para socorrer um criminoso baleado; e a violência já fez mais de 150 mil estudantes perderem ao menos um dia de aula na capital este ano.

Outro indicador da gravidade da crise de segurança pública no Estado é o número de policiais assassinados. Na última madrugada, o cabo Alan de Souza Costa Martins Moura tornou-se o 110º policial militar morto no Estado do Rio desde o começo do ano, segundo balanço da própria Polícia Militar. Ele foi vítima de uma tentativa de assalto no bairro de Guadalupe, na zona norte do Rio.

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