Violência no Rio

"Não vão calar a voz de Marielle": deputados fazem homenagem à vereadora

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

Com girassóis nas mãos e punhos cerrados para o alto, servidores e deputados federais fizeram nesta quinta-feira (15) na Câmara, em Brasília, um ato em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e ao motorista Anderson Gomes, assassinados a tiros no Rio de Janeiro na noite desta quarta (14).

Atrás de uma faixa preta que dizia "Marielle, presente! Anderson, presente! Transformar luto em luta", o grupo entrou no plenário da Casa, onde foi iniciada uma sessão solene em homenagem às vítimas.

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Deputados do PSOL como Luiza Erundina (SP) e Edmilson Rodrigues (PA) se sentaram à Mesa Diretora ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Emocionada, Erundina discursou na tribuna.

"Estamos magoados, mas não vamos parar. Não vão conseguir calar a voz da Marielle, que vai se reproduzir aos milhares e aos milhões país afora", declarou a deputada, que anunciou a exibição de um vídeo de campanha de 2016 em que a própria Marielle falava sobre suas propostas.

"Acreditamos que o sangue da Marielle [...] vai germinar como semente que brotará por milhares, milhões de Marielles pelo país afora para dar continuidade à sua luta, ao seu compromisso de defesa dos direitos humanos", acrescentou a deputada do PSOL.

A sessão foi interrompida algumas vezes por gritos como "fora a bancada da bala" e "racistas, fascistas, não passarão". Dentro e fora do plenário, ouvia-se apelos pelo "fim da Polícia Militar".

Durante os discursos, os deputados trataram o assassinato da vereadora como uma "execução" e criticaram a intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro.

Jean Wyllys: "ideias são à prova de bala"

"No mínimo, faltou planejamento", declarou o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG), que questionou "a quem interessa a execução de Marielle".

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que os parlamentares devem à vereadora a continuidade de sua luta.

Câmara cria comissão

Amigo da vereadora, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) subiu à tribuna da Câmara vestido de preto e com o rosto inchado. "Aos pedaços", fez um breve discurso em homenagem à parlamentar. "As ideias são à prova de bala", declarou Wyllys.

"Eu perdi uma amiga, com quem eu tomaria café com a namorada dela. Eu perdi uma companheira de luta. Nós estamos aos pedaços, mas a gente vai se juntar e a gente não vai esquecer. As ideias são à prova de bala", afirmou o deputado.

Wyllis aproveitou para entregar ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um pedido de instalação de uma comissão externa da Casa para acompanhar as investigações. "[O crime] não vai ficar impune e nem a memória dela será esquecida".

Ao fim da sessão, às 12h20, Maia anunciou que o pedido já foi autorizado e que Wyllys teria todos os instrumentos necessários à sua disposição.

Críticas a Temer e Maia

Responsável por pautar a sessão solene após a convocação de ato para a Câmara, Rodrigo Maia ouviu diversos gritos o chamando de "golpista" depois de ser elogiado pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP).

Maia conduz a sessão da Mesa Diretora e, até o momento, não discursou no ato. Mais cedo, ele divulgou mensagem na qual disse que as mortes significam "um trágico avanço na escalada da barbárie que deve ser contida custe o que custar".

"Solidarizo-me à sua família, à família do Anderson, e exijo junto com eles: justiça e paz. Justiça para conter os autores dessa execução, paz para a sociedade carioca e brasileira", declarou o deputado, que é pré-candidato à Presidência da República.

Depois de gritarem repetidamente "fora, Temer", contra o presidente Michel Temer (MDB), alguns dos presentes no ato também entoaram "fora, Maia".

Em entrevista coletiva após a sessão, Maia disse entender que o direito à manifestação está colocado. "A Câmara é a Casa do povo, para a gente ouvir ouvir críticas, para a gente ouvir elogios, com muito equilíbrio", declarou.

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