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Com prisões, família de Marielle tem esperança que polícia ache o mandante

22.mar.2018 - Anielle Silva e Mônica Benício, respectivamente irmã e companheira da vereadora do Rio Marielle Franco - André Dusek/Estadão Conteúdo
22.mar.2018 - Anielle Silva e Mônica Benício, respectivamente irmã e companheira da vereadora do Rio Marielle Franco Imagem: André Dusek/Estadão Conteúdo

Gabriel Saboia, Marcela Lemos e Mirthyani Bezerra

Do UOL, no Rio e em São Paulo, e colaboração para o UOL, no Rio

12/03/2019 08h42Atualizada em 12/03/2019 16h07

A família da vereadora Marielle Franco (PSOL) recebeu com esperança a notícia da prisão de um policial militar reformado e de um ex-PM hoje suspeitos de matar a parlamentar carioca e o motorista do carro em que ela estava, Anderson Gomes. Irmã, mãe e viúva de Marielle afirmaram, no entanto, que mais do que prender quem matou é preciso encontrar quem mandou assassinar a vereadora. O crime completa um ano nesta quinta-feira (14).

Ao UOL, a viúva de Marielle, Mônica Benício disse que o mais importante é identificar o mandante do crime. 

"Sem dúvida é um passo importante, demorou muito, quase um ano, mas é um passo importante. Agora, precisamos do compromisso com a resposta real. Mais importante do que prender esses ratos mercenários e chegar aos reais assassinos e descobrir o real motivo da execução", disse. 

Suspeitos de ligação com o assassinato de Marielle e motorista são presos

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Ela disse ainda que foi informada da Operação Lume que prendeu os dois suspeitos um pouco antes de agentes da Polícia Civil e membros do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) executá-la. Foram presos o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e do ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, 46. Os advogados dos dois presos negaram que ambos tiveram participação no crime (veja abaixo).

A mãe de Marielle, Marinete Silva, falou ao UOL sobre a dor e a angústia de não ter respostas sobre quem mandou matar a filha e a motivação disso. "Sigo com medo e indignação. Eles (os criminosos) monitoraram a minha filha e a nossa família. Não podemos aceitar o que fizeram com ela. Mais do que nunca queremos saber e a pergunta vai continuar: 'quem mandou matar e porque matou Marielle? A pergunta não vai calar'".

De acordo com o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), a ação que culminou com o assassinato de Marielle e Anderson foi planejada três meses antes do crime. Em nota, os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) dizem que "a empreitada criminosa foi meticulosamente planejada"

"É fundamental que essas pessoas continuem presas, sejam punidas e falem quem é o mandante de tudo isso. Foi um ano inteiro de muita dor na minha vida, na da filha da Marielle, nas nossas vidas", afirmou Marinete, que participou hoje em um evento da Anistia Internacional, em frente à Câmara Municipal, onde Marielle trabalhava, no centro do Rio de Janeiro.

Já a irmã de Marielle, Anielle Silva, ao ser questionada, em entrevista à rádio CBN, sobre as diversas declarações dadas por autoridades de que os culpados estavam próximos de serem identificados, afirmou que todos estão esperançosos para que o caso seja por fim elucidado e demonstrou confiança na promotoria do Ministério Público que cuida do caso.

"A gente ficava meio que achando que era jogo de empurra, sendo muito sincera e honesta. Mas a gente estava em contato direto com o MP, e as promotoras do caso, desde o início, recebiam a gente, quase toda a semana, para aos poucos ir dando algum tipo de informação", declarou.

Anielle afirmou que ter visto as promotoras presentes nas prisões trouxe esperança para a família. "Foram pessoas que foram muito honestas e diretas com a gente desde o início, sem ficar jogando", disse. 

Em postagem no Twitter, o PSOL, partido de Marielle Franco, também questionou quem mandou matar a vereadora e por quê.

Já o deputado Marcelo Freixo (PSOL), amigo de Marielle Franco, criticou a demora da investigação. "As prisões dos executores de Marielle e Anderson são importantes e tardias. É inaceitável que se demore um ano para termos alguma resposta. É um passo decisivo, mas o caso não está resolvido. É fundamental saber quem mandou matar e qual a motivação".

Outro lado

A defesa de Queiroz explicou que o ex-PM sequer estava no local do crime no dia. "Tenho certeza que não há foto dele no carro, nem muito menos gravação dele neste dia. Tenho certeza que a vítima que sobreviveu não vai reconhecer o meu cliente", explicou o advogado Luiz Carlos Azenha.

Ele classificou de "trapalhada" a medida do MP e da Polícia Civil. "Trata-se mais uma vez de outra trapalhada da Polícia Judiciária com todo respeito à gloriosa Polícia Civil, mas nós já vimos que esse procedimento criminal, persecução penal, vem de outras trapalhadas", disse.

O advogado Fernando Santana, responsável pela defesa de Lessa, também destacou a inocência do seu cliente. "Tive contato com ele muito rápido, mas ele nega que tenha cometido qualquer tipo de assassinato. Vou ter acesso ao inquérito, pois até agora não tive - primeiro está em segredo de Justiça, mas agora já peticionamos para poder termos ideia de como chegaram na prisão do Ronnie Lessa", afirmou.

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