PUBLICIDADE
Topo

Segurança pública

Governo do RJ fala em ação com inteligência; OAB cita 'execução sumária'

6.05.2021 - Pessoa aparentemente em situação de rua tenta se proteger durante operação da Polícia Civil no Jacarezinho - REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
6.05.2021 - Pessoa aparentemente em situação de rua tenta se proteger durante operação da Polícia Civil no Jacarezinho Imagem: REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Herculano Barreto Filho e Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

06/05/2021 20h38

O governo do Rio de Janeiro afirmou que a operação policial com ao menos 25 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte, foi orientada por "inteligência e investigação".

Em nota encaminhada à imprensa hoje à noite, o governo de Cláudio Castro (PSC) lamentou as vidas perdidas na ação mais letal da história do Rio e disse que todos os locais de confrontos foram periciados para garantir "transparência".

"É lastimável que um território tão vasto seja dominado por uma facção criminosa que usa armas de guerra para oprimir milhares de famílias", disse o governo do Rio.

Já a comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que denunciou a morte de um homem desarmado no quarto de uma criança, vê indícios de "execução sumária".

A comissão irá oficiar um pedido para que o IML (Instituto Médico Legal) tire fotos panorâmicas dos corpos dos mortos na operação. O objetivo é ter elementos para, caso necessário, pedir uma perícia independente após o laudo oficial.

Apenas outros dois casos do Rio motivaram esse tipo de pedido: a chacina da comunidade do Fallet, que deixou 15 mortos em fevereiro de 2019 na região central do Rio, e a morte da menina Agátha Félix, de 8 anos, atingida por um tiro de bala perdida no Complexo do Alemão, zona norte carioca.

Em entrevista coletiva, a Polícia Civil criticou o que entende ser "ativismo judicial". "O sangue desse policial que faleceu está nas mãos dessas pessoas e entidades", criticou o delegado Rodrigo Oliveira.

A entidade informou ainda que havia mandados de prisão contra 21 pessoas. Destas, apenas seis foram localizadas: três foram mortas e três, presas. Também foram apreendidas 16 pistolas, 12 granadas, seis fuzis, uma escopeta calibre 12 e uma submetralhadora.

Operação no Jacarezinho (RJ) deixa dezenas de mortos

MP abre investigação independente

O MP-RJ (Ministério Público do Rio) abriu uma investigação independente após ter recebido denúncias de abusos —pedido feito pela organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch.

O órgão informou ter sido informado da operação policial no Jacarezinho às 9h, após o início da ação, onde seriam cumpridos mandados judiciais. "A Polícia Civil apontou a extrema violência imposta pela organização criminosa como elemento ensejador da urgência e excepcionalidade para realização da operação", explicou o órgão por meio de nota.

Operação no Jacarezinho (RJ) deixa dezenas de mortos

A Operação Exceptis foi deflagrada a partir de denúncias de que criminosos estão expulsando moradores de suas casas.

O grupo seria responsável também pelo assassinato de moradores e pelo sumiço dos corpos —21 criminosos foram identificados como os "responsáveis por garantir o domínio territorial da região com utilização de armas de fogo", informou a Polícia Civil.

Passageiros baleados no metrô

No começo da manhã, dois passageiros se feriram dentro de uma composição do metrô na região da estação Triagem em meio ao tiroteio. Um vídeo registrou gritos, choro e pessoas ensanguentadas no chão.

É possível ver um rapaz cobrindo um ferimento na testa. Um outro homem aparece nas imagens com sangue no braço direito, coberto por uma toalha. "Um médico, pelo amor de Deus!", grita uma passageira.

A concessionária do metrô informou que um passageiro foi baleado de raspão no braço e outro foi atingido por estilhaços de vidro.

Segurança pública