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Militares da Marinha são denunciados por morte de perito jogado em rio

Bruno Santos de Lima, sargento da Marinha, é considerado chefe da empreitada para matar Renato - TV Globo/Reprodução
Bruno Santos de Lima, sargento da Marinha, é considerado chefe da empreitada para matar Renato Imagem: TV Globo/Reprodução

Do UOL, em São Paulo

19/05/2022 19h33Atualizada em 19/05/2022 19h33

Três militares da Marinha, além de um dono de ferro velho, foram denunciados pelo MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), na tarde de hoje, suspeitos de envolvimento na morte de um perito da Polícia Civil. Renato Couto de Mendonça foi baleado e atirado de uma ponte no dia 13 de maio e o corpo dele foi encontrado na segunda-feira (17), boiando no rio Guandu.

Os quatro suspeitos, Bruno Santos de Lima, Daris Fidélis Motta, Manoel Vítor da Silva Soares e Lourival Ferreira de Lima foram denunciados por homicídio qualificado e fraude processual.

Segundo a denúncia, Bruno Santos, sargento da Marinha, foi responsável por atirar no perito após um encontro marcado na Praça da Bandeira. Ele teria contado com a ajuda de Manoel e de Daris para colocar o policial dentro de uma van e jogá-lo, ainda vivo, de uma ponte sobre o rio Guandu.

Perito papiloscopista Renato Couto, morto por militares da Marinha, em fotografia pessoal - Divulgação / Redes sociais - Divulgação / Redes sociais
Perito papiloscopista Renato Couto, morto por militares da Marinha, em fotografia pessoal
Imagem: Divulgação / Redes sociais

O MPRJ reconheceu que o crime ocorreu por motivo torpe, após o perito ameaçar fechar um ferro velho administrado pelo pai de Bruno se ele não ressarcisse o valor dos bens que teriam sido furtados da casa dele e receptados pelo estabelecimento.

"A denúncia também cita que o crime foi cometido mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que, no dia do assassinato, Lourival atraiu o policial para o estabelecimento, com a promessa de lhe ressarcir, e Renato foi surpreendido pelos três militares, que o atacaram", diz trecho do posicionamento do MPRJ.

A denúncia de fraude processual ocorreu porque os quatro suspeitos teriam coletado os estojos ejetados das armas de fogo para confundir a perícia e também teriam lavado a van que transportou o policial ensanguentado.

Segundo perícia, Bruno foi jogado vivo no rio e morreu afogado. Testemunhas afirmaram que o homem teria pedido para ser levado ao hospital depois de levar os tiros. Câmeras de segurança flagraram o momento em que ele foi colocado na van.

O que disse a Marinha

Procurada na ocasião das identidades dos suspeitos se tornarem públicas, a Marinha informou em nota que "os militares envolvidos foram presos em flagrante pela polícia e responderão pelos seus atos perante a Justiça".

A instituição informou também que está colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação e que abriu um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da ocorrência.

Policial deixa duas filhas

Renato Couto, 41, se apresentava nas redes sociais como perito papiloscopista, pós-graduado em Direito Constitucional, Penal e Processual e fundador da "Ticketpet", uma plataforma digital de pesquisa, reserva e pagamento de diárias e serviços em pet hotéis.

O perito era casado e tinha duas filhas de cinco e oito anos. A última foto postada no Instagram era da família. "E Deus me confiou a missão de amá-las", escreveu ele.

A prima do policial, Liriel Heimlich, descreveu o policial como uma pessoa trabalhadora e do bem. "O Renato era um cara muito família, uma referência para todos. Muito estudioso. Desde novo lutou pela carreira que tinha. As filhas são muito agarradas a ele. Era uma pessoa brincalhona.

A parente contou ainda que todos estão inconsoláveis com a morte do policial. "Estão todos desolados com o que aconteceu".

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