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Presos negam sequestro de mulher que teria recusado beijo a membro do PCC

Karina Bezerra, 26, desapareceu há três semanas. Segundo a Polícia Civil, ela foi assassinada pelo "tribunal do crime" do PCC após negar dar um beijo em um traficante - Reprodução
Karina Bezerra, 26, desapareceu há três semanas. Segundo a Polícia Civil, ela foi assassinada pelo "tribunal do crime" do PCC após negar dar um beijo em um traficante Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

27/10/2022 12h24

Os seis suspeitos presos preventivamente sob a acusação de integrar o "tribunal do crime" montado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no episódio envolvendo uma mulher que disse ter sido mantida em cárcere privado após negar um beijo a um traficante da facção criminosa negaram envolvimento na ação. O UOL Notícias teve acesso ao depoimento gravado pelos suspeitos em audiência de custódia na terça-feira (25).

O assédio seguido de sequestro teria ocorrido entre a madrugada e a manhã de 15 de agosto em um bar no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, quando os suspeitos foram detidos e a vítima prestou depoimento. Resgatada do cativeiro por policiais militares, ela passou a se esconder, mas foi localizada por membros da facção criminosa e assassinada há dois meses, segundo a Polícia Civil.

O que disseram os suspeitos. Em depoimento, Ariel Gomes Brito negou a versão de que Karina Martins Bezerra, 26, teria sido levada por integrantes do PCC para que fosse submetida ao tribunal do crime. Ele disse ter convidado a mulher para participar de um churrasco. E que ela teria chegado lá dirigindo. Segundo a Polícia Civil, ela foi sequestrada no próprio carro e mantida em cárcere privado em um cativeiro antes de ser levada ao local onde foi encontrada.

"Eu estava na casa dos meus familiares, estava tendo um churrasco. Postei fotos. E tinha a Karina no meu WhatsApp. Aí, ela perguntou onde era o churrasco. Aí, eu falei: 'se quiser tá vindo [sic] para cá.' Ela falou: 'Estou saindo de uma adega agora, maior confusão aqui.' Aí, ela falou que iria atrás do barraco [onde ocorreu o suposto churrasco]", disse.

Questionado, Ariel disse ter conhecido Karina em uma festa oito meses antes do episódio. Em seguida, passou a trocar mensagens pelo WhatsApp com ela, segundo ele. "O nosso maior erro é que a gente estava curtindo, se esse for o crime", ironizou, ao revelar uma conversa com policiais após ter sido preso.

Da esquerda para a direita: Vanessa Rocha Moraes, Cintia Alves Pinheiro, Felipe Dias Silva, Igor da Silva Moreira dos Santos, Ariel Gomes Brito e Tarcisio Moreira Sebastião foram presos por suspeita de envolvimento em "tribunal do crime" do PCC - Reprodução/Arte UOL - Reprodução/Arte UOL
Da esquerda para a direita: Vanessa Rocha Moraes, Cintia Alves Pinheiro, Felipe Dias Silva, Igor da Silva Moreira dos Santos, Ariel Gomes Brito e Tarcisio Moreira Sebastião foram presos por suspeita de envolvimento em "tribunal do crime" do PCC
Imagem: Reprodução/Arte UOL

Vanessa Rocha Moraes, também presa preventivamente por suspeita de envolvimento no sequestro, disse ter visto Karina momentos antes de ser detida.

"Essa moça estava lá, sentada, conversando com várias pessoas. Não estava num barraco, estava ao ar livre. Estava todo mundo conversando, brincando, dando risada. Não tinha ninguém amarrado, ninguém ameaçado, amordaçado. Ela estava rindo, tranquila, sem nenhum tipo de escoriação ou hematoma", disse.

Marido de Vanessa, Felipe Dias Silva confirmou. "Ela era uma das que estava falando mais alto ainda, porque estava lá bebendo. Eles estavam numa festa", disse.

Tarcísio Moura Sebastião deu o mesmo tipo de versão. "Ela ficou lá na comunidade com nós [sic]. Todo mundo lá conversando normal. A primeira vez que eu vi ela [sic] foi naquele dia. Falou que tinha deixado o carro dela lá para baixo e estava conversando com todo mundo. Não tinha esse negócio de que estava sequestrada."

Como foi o caso. Segundo o depoimento de Karina à polícia, o homem que a abordou em um bar no Itaim Paulista se identificou como membro do tráfico e passou a tocá-la, segurar os seus braços, forçando abraços e beijos, mas ela se esquivou e se irritou com o assédio. Karina disse ter xingado o homem e eles passaram a discutir, segundo descrito no boletim de ocorrência.

Ele então disse "que ela iria ser a mulher dele, por bem ou por mal, que ele era do PCC e que ficaria com quem ele quisesse", conforme relatou de Karina à polícia. Após ser xingado, ele pegou as chaves do carro dela e a levou a um cativeiro, ainda de acordo com o depoimento.

A vítima disse ter sido amordaçada e amarrada em um barraco durante a madrugada. Pela manhã, disse ter sido levada para outro cativeiro.