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Caso Marielle: Sindicato diz que peritos são reféns da Polícia Civil do RJ

O sindicato dos peritos disse ser "refém" de uma estrutura "obscurantista" da Polícia Civil do Rio após a prisão dos suspeitos de mandar matar Marielle Franco. O crime aconteceu em 2018.

O que aconteceu

O SINDPERJ (Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Rio) pede autonomia e a desvinculação da Polícia Civil. Em nota, o sindicato criticou o trabalho da polícia, que "prioriza confissões, provas testemunhais, reconhecimentos sem critério técnico e denúncias anônimas em detrimento da prova pericial".

A associação afirmou que o envolvimento da Polícia Civil e da Divisão de Homicídios no caso Marielle não surpreendem. "É reflexo de um problema estrutural da segurança pública do estado", diz a nota.

Um dos presos é o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, que atuou para atrapalhar as investigações, segundo a PF.

Para o sindicato, a vinculação da perícia à Polícia Civil é um atraso. "A autonomia da Perícia Oficial encontra resistência —sem qualquer surpresa —apenas nas entidades representativas dos Delegados de Polícia", defendem.

Apesar de todo esse cenário, com determinação e coragem, os Peritos resistem e lutam pela verdade, mantendo-se firmes em seus princípios éticos e científicos e não permitindo serem cooptados por esse modelo prejudicial.

O primeiro passo essencial para reduzir o atraso do Rio de Janeiro é que a Perícia Oficial seja dirigida exclusivamente por Peritos Oficiais, algo que o Governador pode modificar em apenas um único dia. O segundo passo é que toda e qualquer perícia (tais como as em locais de crime, cadáveres, armas de fogo etc.) só possam ser realizadas por Peritos Oficiais, nunca subordinados ao mesmo Delegado de Polícia responsável pela investigação do crime e que requisitou a perícia. O terceiro passo é cristalizar esses avanços em lei, para que não haja qualquer retrocesso no futuro.
Nota do SINDPERJ

Quem são os presos do caso Marielle

  • Rivaldo Barbosa
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Rivaldo Barbosa foi citado na delação de Ronnie Lessa. Ele tornou-se chefe da polícia um dia antes da morte de Marielle, nomeado pelo general Walter Braga Netto. Rivaldo foi anunciado para o cargo em 22 de fevereiro, durante intervenção federal no Rio, e empossado em 13 de março de 2018.

Suspeito de receber propina para obstruir investigações. Em relatório enviado ao Ministério Público em 2019, a Polícia Federal apontou Rivaldo como suspeito de receber R$ 400 mil para evitar o avanço das investigações sobre autoria. Na ocasião, ele negou o recebimento de propina e a obstrução do caso.

  • Domingos Brazão

Político carioca, Domingos Inácio Brazão, 59, foi assessor na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Depois, vereador, entre 1997 e 1999, pelos partidos PT do B (atual Avante) e PL.

Foi eleito deputado estadual em 1999 e ocupou o cargo até 2015. Posteriormente, virou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O órgão é auxiliar do Poder Legislativo e tem como função fiscalizar a movimentação financeira do estado.

Uma reportagem do UOL, em 2019, contava que ele era chefe de um clã cujo reduto eleitoral abrangia bairros da zona oeste do Rio dominados por milícias. Domingos nasceu na região, no bairro de Jacarepaguá.

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  • Chiquinho Brazão

Já Chiquinho Brazão (União-RJ) foi eleito pela primeira vez em 2018. É deputado federal e tem uma atuação parlamentar discreta. Relatou somente oito projetos.

O setor mais presente na atuação parlamentar de Chiquinho é a economia. Há três projetos relativos ao tema que estão sob relatoria do deputado.

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