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Bruno Covas minimiza alta de covid, mas UTI pública tem ocupação de até 78%

14.abr.2020 -  Equipe médica do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, recebem paciente de Covid-19 na UTI  - Eduardo Anizelli/Folhapress
14.abr.2020 - Equipe médica do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, recebem paciente de Covid-19 na UTI Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

27/11/2020 04h00

Não são apenas os hospitais particulares que estão sendo pressionados pelo repique de casos de covid-19 em São Paulo, como afirma o prefeito da capital e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB).

Em resposta aos questionamentos do UOL, a própria Secretaria Municipal de Saúde afirma que unidades públicas já sofrem o efeito: o Hospital da Bela Vista (região central) tem ocupação de 78% nos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva); o Hospital Dr. José Soares Hungria (zona norte), 63%; e o Tide Setúbal (zona leste), 60%.

Outra base de dados, SIMI (Sistema de Monitoramento Inteligente), divulgados pela gestão do governador João Doria (PSDB), mostra um cenário semelhante em outras unidades hospitalares de rede municipal de São Paulo.

Na terça-feira (24) pela manhã, o portal informava que havia 121 pacientes de covid-19 na UTI e outros 78 na enfermaria do Hospital Municipal da Brasilândia. Um profissional que atua no hospital, consultado pelo UOL, confirmou esses números. À tarde, os dados dessa unidade saíram do ar e não retornaram desde então.

O CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), do Ministério da Saúde, informa que há 115 leitos para covid-19 na UTI da Brasilândia — portanto, o hospital já estaria lotado, em tese.

A Prefeitura de São Paulo, no entanto, afirma que a ocupação dessa unidade é de 67% e que ela receberá mais 38 leitos de UTI e 112 de enfermaria —- em toda a cidade, serão 200 novos leitos até o final da próxima semana. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nem todos os leitos disponíveis na capital são contabilizados pelo CNES, por isso há divergência entre os números de oferta divulgados Ministério da Saúde e a atual situação do município.

"O CNES contabiliza apenas os leitos habilitados pelo Ministério da Saúde, ou seja, remunerados pelo órgão federal. A habilitação (credenciamento) de leitos e serviços de Saúde pelo MS envolve processos de trabalho (entrega de documentação, manifestação de Comissão Bipartite, inspeção sanitária, entre outros), que demandam um determinado tempo e processo burocrático, de deliberação do próprio órgão federal", disse a secretaria.

A Secretaria Estadual de Saúde diz que a taxa de ocupação de UTI no Hospital Geral de Guaianazes "está em cerca de 30%, assim como no complexo do HCFMUSP [Hospital das Clínicas], que engloba o Incor [Instituto do Coração]".

"Já o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, dedicado exclusivamente para atendimento a casos graves de COVID-19, tem ocupação estável no decorrer da pandemia de aproximadamente 90%, com variações no decorrer do dia em função de altas ou transferências, por exemplo", afirmou a pasta do governo João Doria.

Sem discurso alarmista, diz Covas

Bruno Covas tem afirmado que as internações estão concentradas nos hospitais particulares e não significam evolução da pandemia. Nesta quinta (26), na sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo, disse: "Não vamos fazer discurso alarmista em véspera eleitoral, superestimando esses dados [sobre casos de coronavírus]. Também não vamos fazer discurso de que a pandemia acabou".

O UOL apurou junto a profissionais que atuam na linha de frente da rede pública, na capital e em outras cidades do estado, que se tornou cada vez mais comum troca mensagens informando "é a última vaga", referindo-se à disponibilidade de leitos nas unidades. Alterações podem ocorrer devido à existência de leitos operacionais ainda não cadastrados e o contrário: leitos ainda não cadastrados, mas operacionais.

"Se alguém fala que a demanda por leitos para tratamento da covid aumentou nas últimas semanas, eu acredito", diz o infectologista Eder Gatti, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), que atua na rede pública de saúde.

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, rejeitou a convocação para depor em uma CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quinta-feira (26). Pediu para adiar sua participação para dezembro, pois estava ocupado "em razão da oscilação da taxa de ocupação de leitos hospitalares no município de São Paulo, notadamente particulares".

A Secretaria Municipal de Saúde informou em seu boletim diário que 48% das vagas nas UTIs municipais da cidade estavam ocupadas na quinta-feira (26). Em toda a Grande São Paulo, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, esse percentual é de 57,2%. O dado é importante porque é um dos critérios que balizam a flexibilização da quarentena, de acordo com as regras determinadas pelo governo Doria. Regiões com taxas de ocupação abaixo de 75% dos leitos podem entrar na fase 4-verde, em que a capital paulista está atualmente.

Segundo a Folha de S.Paulo, a alta na taxa de transmissão e internação levou o centro de contingência do coronavírus a propor que o governo Doria endureça as medidas de distanciamento social. O jornal informa que o grupo defenderá nesta quinta (26) que todo o estado retorne à fase 3-amarela, anterior à atual.

"A pasta segue realizando um trabalho conjunto de monitoramento sistemático do comportamento da doença em todas as regiões da cidade. Estão sendo acrescentados mais 200 novos leitos de internações em enfermaria e UTI para absorver os casos de covid-19, fortalecer a atenção e o controle da pandemia na cidade", disse a pasta.