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Ibaneis critica Tebet e decide apoiar Bolsonaro 'de coração' no 2º turno

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

05/10/2022 10h01Atualizada em 05/10/2022 12h11

O governador reeleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), manifestou hoje apoio "de coração" ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e criticou a senadora Simone Tebet (MS) —que foi candidata do MDB à chefia do Executivo federal e ficou em terceiro lugar no embate. Segundo Ibaneis, a correligionária "nunca chegou a ligar para ele" e "não teve diálogo com os governadores".

"Ela [Simone] nunca chegou a me ligar nem durante o período da eleição. A Simone para com candidata do MDB [sic] não teve diálogo com os governadores. E agora, nesse momento, ela vai tomar uma decisão mais uma vez isolada de seguir nessa linha, se ela for apoiar o presidente Lula", declarou o chefe do Executivo do DF.

"Nós temos uma bancada muito forte que foi eleita agora. O MDB aumentou na Câmara dos Deputados. E essa bancada tem exatamente as pessoas que votaram com o presidente Bolsonaro", completou.

Ibaneis afirmou que o apoio a Bolsonaro no segundo turno é "natural" e "vem de coração". O governador ainda se colocou à disposição para "correr as ruas" do DF junto com aliados a fim de pedir votos para o presidente e candidato à reeleição no segundo turno.

"Nada mais natural que esse apoio agora no segundo turno ao presidente Bolsonaro. (...) É um apoio que vem de coração, e um apoio que vamos correr as ruas do Distrito Federal junto com a população, em especial, a população mais carente da nossa cidade, para que a gente consiga os votos para reeleger o presidente."

Indagado sobre os atritos que ocorreram entre os dois durante a gestão da pandemia da covid-19, Bolsonaro respondeu que "isso é coisa do passado" e retrucou: "Você tentando mudar, às vezes, você erra... Quem diz que eu nunca errei na vida."

A maior virtude nossa é reconhecer o erro, não ter compromisso com o que não deu certo. É dar as mãos e prosseguir
Jair Bolsonaro (PL)

Bolsonaro reafirmou que o apoio era natural, já que os dois estiveram juntos durante os últimos quatro anos de governo. "Fechamos acordo e ele estará junto comigo por ocasião da reeleição, como esteve durante a campanha", afirmou.

Ibaneis disputou o governo do DF com apoio de Bolsonaro e teve na sua chapa a ex-ministra Flávia Arruda (PL-DF), que acabou não se elegendo para o Senado.

Ontem, os governadores reeleitos em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e no Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também manifestaram apoio formal à tentativa de reeleição de Bolsonaro.

Derrotado nas urnas, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), foi outro que aderiu ao bolsonarismo no segundo turno contra Lula.

Bolsonaro tem negociado com governadores alinhados ao campo da direita e da centro-direita e também aqueles que, embora acumulem divergências com o atual mandatário do Executivo federal, posicionam-se de forma crítica em relação ao PT.

Nos últimos dias, Bolsonaro afirmou que dedicará quase metade das agendas no segundo turno para percorrer a região Sudeste. O período de atividades é mais curto na etapa final do pleito, e o Sudeste possui os maiores colégios eleitorais do país (SP e MG). Já nos materiais de TV e das redes sociais, a campanha deve focar em conteúdos direcionados ao Norte e Nordeste.

MDB ainda não declarou apoio formal. O partido de Ibaneis ainda não se posicionou sobre quem apoiará no segundo turno. A legenda lançou à Presidência a senadora Simone Tebet, que terminou em terceiro lugar na corrida.

É esperado que Tebet fique ao lado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No domingo, ela disse que "tem lado", e que oficializaria sua posição em 48 horas.

Ibaneis e Bolsonaro já tiveram discordância. Em março do ano passado, Bolsonaro criticou as ações tomadas pelo governador para conter a pandemia da covid-19. Após o anúncio de um toque de recolher no DF, o presidente disse que a medida era "extrema" e um "estado de sítio".

Ibaneis rebateu a fala, indicando um filme explicativo. "O objetivo é claro, reduzir a disseminação do Coronavírus. Quem quiser saber o que é o terror de viver sob repressão, recomendo que veja o filme Estado de Sítio, de Costa Gravas, lançado em 1972, e que está na íntegra e com legendas no YouTube", escreveu ele no Twitter.