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Milhares tentam embarcar em apenas dois aviões para fugir de cidade destruída por tufão

Do UOL, em São Paulo

12/11/2013 09h43

Mais de 3.000 pessoas se aglomeraram ao redor de dois aviões C-130 da Força Aérea filipina, no aeroporto de Tacloban, nesta terça-feira (12), na esperança de deixar a cidade mais atingida pelo tufão Haiyan, segundo a "NBC News".

Saiba como ajudar as vítimas

  • Tara Yap/AFP

A multidão quebrou uma cerca e invadiu a pista de pousos e decolagens em meio a chuva. Somente alguns poucos conseguiram embarcar.

A cidade está completamente destruída. Os sobreviventes têm dificuldade para conseguir água, comida e remédios, e, por isso, tentam fugir da região.

Somente alguns poucos soldados e policiais tentavam controlar a multidão no aeroporto de Tacloban. Mães levantavam seus bebês, na esperança de serem escolhidas para escapar dali.

Uma mulher de 30 anos tremia incontrolavelmente em uma maca.

"Eu implorava aos soldados. Eu estava ajoelhada e pedindo para embarcar pois tenho diabetes", disse Helen Cordial, cuja casa foi destruída na tempestade. "Eles querem que eu morra neste aeroporto? Eles têm um coração de pedra."

"Nós precisamos de ajuda. Nada está acontecendo", disse Aristone Balute, 81, que também não conseguiu um voo.

"Nós não comemos nada desde ontem [segunda] à tarde", reclamou. Suas roupas estavam encharcadas pela chuva, e as lágrimas escorriam por seu rosto.

"Onde está a comida?" "Aqui não há nada para nós. Não temos casa, dinheiro, documentos", conta, desesperada, Carol Mampas, 48, com o filho de três anos com febre no colo.

"Por favor, digam às autoridades que nos ajudem. Onde está a comida? Onde está a água? Onde estão os soldados para retirar os corpos?", questiona a mulher, que passou a noite ao lado de milhares de sobreviventes no aeroporto de Tacoblan com a esperança de embarcar em um voo.

Toque de recolher

Perto dali, na cidade, as ruas permanecem repletas de cadáveres em decomposição e muitas pessoas armadas saqueiam os edifícios que ainda permanecem de pé.

Para lutar contra os saques, as autoridades anunciaram nesta terça-feira um toque de recolher e o envio de veículos militares.

A presença de policiais e militares, assim como das forças do governo, vai, com certeza, melhorar as coisas, mas não vai ser durante toda a noite", disse o ministro do Interior, Mas Roxas, confirmando a informação de que o governo Tacloban decretou um toque de recolher entre 22h e 6h.

A chuva que caiu sobre a cidade na madrugada de terça-feira piorou ainda mais a situação dos sobreviventes. Uma nova tempestade ameaça outras ilhas do sul das Filipinas, onde o tufão provocou centenas de mortes. No total, mais de 10 mil pessoas morreram no país.

Ajuda internacional

"Nos próximos dias, podem ter certeza, a ajuda chegará cada vez mais rápido", prometeu o presidente filipino Benigno Aquino, que na segunda-feira (11) declarou estado de catástrofe nacional.

O governo dos Estados Unidos, que enviou dezenas de marines às Filipinas, reforçará a ajuda com a chegada, a partir de Hong Kong do porta-aviões George Washington, com 5.000 marines a bordo, assim como 80 aviões e vários barcos de guerra. A Grã-Bretanha anunciou o envio de um avião de transporte e de um navio militar.

Muitos países, agências internacionais e ONGs também prometeram ajuda material e financeira. Um avião da Unicef deve chegar nesta terça-feira ao país com 60 toneladas de ajuda, incluindo barracas, medicamentos e sistemas de purificação da água. (Com AFP)

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