Operação contra coiotes visa encontrar brasileiros desaparecidos nas Bahamas, diz PF

Do UOL, em São Paulo*

  • Fabiano Silva/Folhapress

    Imigrantes brasileiros tentam entrar ilegalmente nos EUA pela rota das Bahamas com a ajuda de coiotes

    Imigrantes brasileiros tentam entrar ilegalmente nos EUA pela rota das Bahamas com a ajuda de coiotes

A Polícia Federal afirmou nesta sexta-feira (13) que a operação Piratas do Caribe, deflagrada hoje, tem como principal objetivo colher provas para encontrar os 12 brasileiros que estão desaparecidos depois de irem às Bahamas para tentar cruzar ilegalmente para os Estados Unidos. A operação cumpre sete mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva em Rondônia, Santa Catarina e Minas Gerais.

Em Rondônia, uma pessoa foi presa em Ji-Paraná e outra em Ariquemes, e outras duas pessoas foram presas em Governador Valadares (MG). A PF não divulgou o nome dos detidos e informou que não há prazo para as prisões.

De acordo com o delegado da Polícia Federal Raphael Baggio, de Rondônia, os intermediários que foram presos no Brasil poderão responder criminalmente pelo que aconteceu ou eventualmente vier a acontecer com os brasileiros desaparecidos. "Se eles vierem a óbito, sofrerem sequestro ou forem mantidos em cárcere privado, por exemplo, a PF pode imputar responsabilidade a esses presos, porque eles criaram um risco", disse.

Segundo ele, o grupo de coiotes aliciava pessoas que queriam morar nos Estados Unidos. "Essas pessoas não tem uma situação financeira privilegiada aqui no Brasil, ou mesmo um trabalho estabelecido. Os coiotes se aproveitam e vendem o 'sonho americano'. Diz que eles viajarão em iates, que a travessia dura até oito horas. Mas outras pessoas que fizeram essa travessia afirmaram que viajaram em canoas à noite, em condição péssima e perigosa, sem alimentação", disse o delegado.

Arte UOL

Antes de deixar o Brasil, os imigrantes ficavam em alguma cidade com "aeroporto internacional de fácil acesso", disse a Polícia Federal, aguardando a ordem de embarque para as Bahamas. O chamado ocorria quando um agente de imigração daquele país facilitava a entrada dos brasileiros, que eram orientados a desembarcar entre os 10 primeiros passageiros e buscar o guichê determinado onde estaria esse agente. Nas Bahamas, eles aguardavam em uma casa luxuosa até que os coiotes aprovassem o embarque para a travessia.

O delegado também informou que os brasileiros pagariam entre R$ 40 mil e R$ 60 mil para a rede de coiotes, e que um grupo de quatro pessoas que está desaparecido ofereceu uma casa para completar a travessia. Segundo Baggio, a PF possui um delegado em apoio nos EUA e trabalha em conjunto com o Itamaraty, autoridades norte-americanas e de Cuba, República Dominicana e Bahamas, países que também estão envolvidos na rede de coiotes.

O delegado ainda pediu às famílias dos desaparecidos que passem o maior número possível de informações para ajudar a encontrar os brasileiros. "Muitos familiares têm medo de dizer quem intermediou. Isso dificulta um pouco, e estamos conversando muito com eles para tentar obter essas informações." Segundo Baggio, a PF "trabalha com todas as hipóteses" com relação ao paradeiro dos brasileiros.

O grupo de desaparecidos

Divulgação
Renato Soares de Araújo, de Sardoá (MG), é um dos desaparecidos

Os 12 brasileiros estão desaparecidos desde 6 de novembro. O grupo é formado por Bruno de Oliveira Souza (Vale Paraíso), Almir Vital (Jaru) e Diego Gonçalves Araújo (Ji-Paraná), de Rondônia; Renato Soares Araújo e Márcio Pinheiro de Souza, de Sardoá (MG); Sergio Castelhani Pereira e Rosineia Aparecida Vaz Pereira, de Goiorê (PR); Reginaldo Ferreira Martins, de Mamborê (PR); Lucirlei Cárita dos Reis e Regiane dos Santos Viana, de Canaã dos Carajás (PA); Arlindo de Jesus Santos, de Rondon do Pará (PA); e Ewerton Jorge Soares de Azevedo, de São Paulo.

Os familiares dos desaparecidos têm evitado divulgar detalhes do caso nas últimas semanas. Em contato com o UOL, a mulher de um dos brasileiros confirmou que o marido está desaparecido e informou apenas que está em contato com a Polícia Federal, sem dar mais informações. (Colaborou Carlos Eduardo Cherem, em Belo Horizonte)

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