Presidente da Guiana elogia Brasil e diz que Venezuela é 'imprevisível'

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, classificou a Venezuela como um país "imprevisível" e disse que a resposta do governo brasileiro ao impasse é "muito madura". As declarações foram feitas em entrevista à GloboNews.

O que aconteceu

Sobre uma possível invasão da Venezuela ao território de Essequibo, Irfaan Ali afirmou que "a Venezuela é muito imprevisível". "Consideramos muito preocupante(.... ) Agir de maneira tão imprudente e aventureira ao delinear uma série de ações para desestabilizar a região", ponderou.

O presidente ressaltou que o plebiscito sobre a anexação do território da Guiana foi feito mesmo após uma proibição da Corte Internacional de Justiça. "Eles mandaram um recado à Corte Internacional de Justiça de que não estão preocupados com uma ordem internacional e com a ordem da Corte", afirmou Ali.

Para ela, é preciso estar ao lado da "cautela". "Você tem que garantir que tem todos os sistemas no lugar para qualquer eventualidade, porque não há racionalidade, não há comportamento racional".

Ali elogiou o Brasil e classificou a postura do país como "muito madura". Entretanto, o líder cobrou um papel de liderança do governo federal.

A boa relação do Brasil com a Venezuela não preocupa o líder da Guiana. "O Brasil tem uma boa relação conosco também e nós esperamos que a Venezuela aja com princípio", disse.

Irfaan Ali afirmou que conversou com o presidente Lula e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. "Os dois garantiram que a Venezuela estará do lado certo da lei. Então, nós temos confiança de que o Brasil vai agir de maneira responsável, de maneira que seja condizente de um país que mostra maturidade e liderança".

Nós esperamos que o Brasil tenha um papel de liderança, um papel significativo em garantir que essa região se mantenha. O que a Guiana quer, a única ambição da Guiana é que essa região se mantenha uma região de paz e estabilidade, onde todos nós podemos coexistir em harmonia.
Irfaan Ali

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Entenda a disputa

No domingo (3), a Venezuela aprovou com 96% dos votos a anexação de Essequibo, território que pertence à Guiana. Posteriormente, o governo dos Estados Unidos se manifestou e disse esperar uma solução pacífica para a disputa na fronteira entre os dois países, e que "isso não deve ser resolvido por meio de um referendo".

Em resposta, Nicolás Maduro disse "aconselhar" aos Estados Unidos para "ficarem longe" dessa questão. "Deixem que a Guiana e a Venezuela resolvam este assunto em paz", afirmou.

Ele também questionou a presença de militares norte-americanos na fronteira da Guiana, e declarações de Irfaan Ali, presidente guianês. "Os Estados Unidos retiraram a presidência do presidente da Guiana? O presidente da Guiana disse que tinha tropas dos Estados Unidos prontas para travar uma guerra contra a Venezuela. Ou seja, os Estados Unidos, mais uma vez,estão agindo como estão: fazem uma promessa à Guiana e incentivam a provocar a Venezuela".

Irfaan Ali também se manifestou e, em recado à população de Guiana, afirmou que "não há nada a temer". "Estamos trabalhando contra o relógio para que nossas fronteiras sejam mantidas intactas e que as pessoas do nosso país continuem em segurança".

No referendo aprovado, os eleitores da Venezuela rejeitaram a jurisdição da Corte Internacional de Justiça sobre a disputa territorial do país com a Guiana e apoiaram a criação de um novo estado na região de Essequibo, área rica em petróleo.

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Medida tem caráter consultivo. Apesar de o referendo ter apenas caráter consultivo e seu resultado não ser considerado pelos órgãos internacionais, o governo venezuelano poderia pressionar a comunidade internacional para obter melhores respostas sobre a área em disputa a partir dele.

Brasil preocupado com o conflito. Em meio às tensões na região, o Exército brasileiro colocou cerca de 130 militares para monitorar a fronteira venezuelana na última semana, e afirmou estar "preocupado" com o "clima de tensão".

Comunidade internacional também desempenha papel importante em desencorajar qualquer ação militar. Diante da disparidade na capacidade militar, é importante reconhecer que a Venezuela, se desejasse invadir a Guiana, teria essa capacidade. No entanto, o fato de a Venezuela alardear o referendo e a decisão da CIJ de rejeitar a organização da consulta popular indicam que uma invasão não é o caminho escolhido.

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