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Rodovias e agropecuária colocam Pará no topo do desmatamento da Amazônia

Foco de incêndio na Floresta Amazônia em São Félix do Xingu, no Pará - Daniel Beltrá/Greenpeace
Foco de incêndio na Floresta Amazônia em São Félix do Xingu, no Pará Imagem: Daniel Beltrá/Greenpeace

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

18/11/2019 16h12

Resumo da notícia

  • Pará lidera desmatamento na Amazônia pelo 14º ano seguido
  • Dados mostram que devastação no estado representa 40% da destruição na região
  • Rodovias, agropecuária e migração impulsionam desmatamento no Pará

Os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre o desmatamento na Amazônia divulgados hoje dão ao Pará o incômodo título de líder da devastação pelo 14º ano seguido. Em setembro, o UOL mostrou por que o estado está desde 2006 no topo da lista da destruição da floresta.

A liderança é mantida mesmo com uma redução da taxa anual de desflorestamento na comparação com 15 anos atrás. O pior ano da série para o estado foi 2004, quando as áreas desmatadas somaram 8.870 km², o equivalente a 32% do total devastado na Amazônia na época.

Em 2019, o desmatamento no território paraense atingiu 3.862 km², o que representa 40% dos 9.762 km² devastados em toda a Amazônia Legal. Foi o índice mais alto do estado desde 2010.

Do ano passado para este, a destruição florestal cresceu 41% no Pará, acima da média de 30% verificada em toda a região amazônica.

Os motivos do desmatamento

De acordo com especialistas ouvidos pelo UOL, a consolidação das rodovias, a migração impulsionada por projetos como o da usina hidrelétrica de Belo Monte, a expansão da agropecuária e a larga extensão do território explicam a devastação da floresta no estado.

O governo do Pará aponta as estradas como "importantes vetores do desmatamento", especialmente a BR-163 e a Transamazônica, e diz que o desmatamento pode ser atribuído a fatores econômicos e políticos. "O estado do Pará, como uma das fronteiras econômicas mais dinâmicas da Amazônia legal, é suscetível às oscilações de mercado e mudanças no contexto político, processos esses que são acompanhados por externalidades, como migrações, aquecimento do mercado de terras e expansão de atividades agropecuárias."

Leia a reportagem anterior do UOL sobre o tema aqui.

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