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Bolsonaro ignora desmatamento e vê 'desinformação' em imagem ruim do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro participa da estreia do canal AgroMais ao lado do presidente do grupo Bandeirantes, Carlos Saad - Reprodução/YouTube
O presidente Jair Bolsonaro participa da estreia do canal AgroMais ao lado do presidente do grupo Bandeirantes, Carlos Saad Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo

22/06/2020 13h08Atualizada em 22/06/2020 13h57

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que a imagem do Brasil em relação ao comprometimento com o meio ambiente "não está boa" no exterior por causa da desinformação, ignorando dados recentes sobre o assunto.

Há dez dias, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontou que o desmatamento na Amazônia entre janeiro e maio deste ano é o maior para o período desde que o instituto passou a medir a devastação da floresta, em agosto de 2015.

Ao todo, foram desmatados 2.032 km² em cinco meses, sendo que a área é 33% maior do que a cidade de São Paulo. O aumento foi de 34% em comparação com a devastação no mesmo período no ano passado e 49% acima da média histórica, entre os anos de 2016 e 2019.

Em seu discurso, porém, Bolsonaro voltou a dizer que o Brasil é o "país que mais preserva o meio ambiente" no mundo e que muitos países não preservaram "um palmo" de mata ciliar, sem apresentar qualquer dado que confirme essas declarações.

"Nós sabemos que nossa imagem não está boa lá fora por desinformação. E nós, ao lado da verdade, mostraremos ao mundo, o que realmente nós somos e o nosso potencial", afirmou o presidente durante o lançamento do canal AgroMais, do grupo Bandeirantes.

"A nossa locomotiva da economia fará eco no mundo e novas fronteiras se abrirão em nosso país. E nós em paz, em harmonia e com bom entendimento entre poderes, e todos focados no bem-estar da nossa população e nos anseios da mesma, temos certeza de que colocaremos o Brasil no lugar de destaque que ele merece", completou.

Além dos dados publicados pelo Inpe, existe uma perspectiva de um número ainda pior ao final do ano. Durante encontro virtual da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, especialistas em meio ambiente estimaram que o desmatamento na Amazônia deve chegar a 15 mil km² neste ano, contra os quase 10 mil km² de 2019.

O impacto do desmatamento não é só no meio ambiente. Sete grandes empresas de investimento europeias disseram à Reuters recentemente que desinvestirão em produtores de carne, operadoras de grãos e até em títulos do governo do Brasil se não virem progresso rumo a uma solução para a destruição crescente da Floresta Amazônica.

Maia destaca agronegócio

Também em entrevista no evento, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), destacou o agronegócio como a área mais importante hoje para a economia brasileira, em especial neste momento de crise econômica e de pandemia do coronavírus.

Ele disse que, por vezes, há "preconceitos" contra o setor que classificou como "totalmente descabidos" e, como Bolsonaro, avaliou ser importante uma boa comunicação, embora não tenha citado uma possível desinformação no exterior.

Maia informou querer debater o licenciamento ambiental na Câmara a partir de agosto e falou que quanto mais objetiva a regra, melhor para atrair investimentos. "Uma lei que preserve o meio ambiente, mas que dê segurança jurídica para os que querem investir", disse. "Queremos um texto que tire a burocracia e insegurança."

Ele ainda defendeu mais discussões quanto a novos defensivos agrícolas e à regularização fundiária, adiada por interesses do governo federal e da Frente Parlamentar da Agropecuária.

*Com reportagem de Luciana Amaral, do UOL, em Brasília

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