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Meio Ambiente

Peixes ainda estão contaminados pelos rejeitos de Mariana (MG), diz estudo

Lama da Samarco se espalhou pelo Rio Doce e prejudicou a vida de milhões de pessoas - Fabio Braga/ Folhapress
Lama da Samarco se espalhou pelo Rio Doce e prejudicou a vida de milhões de pessoas Imagem: Fabio Braga/ Folhapress

Do UOL, em São Paulo

03/08/2020 15h05

Os peixes da foz do rio Doce, localizado em Linhares (ES), ainda estão contaminados pelos rejeitos da barragem do Fundão, em Mariana (MG), segundo um estudo (em inglês) publicado na revista BioRxiv. A barragem era de responsabilidade da Samarco, mineradora controlada pela brasileira Vale e a australiana BHP Billiton.

O acidente ocorrido em 2015 deixou 19 pessoas mortas e um rastro de destruição da área central de Minas Gerais até o litoral do Espírito Santo, derramando cerca de 50 milhões de metros cúbicos de lama de rejeito de minério de ferro no meio ambiente, atingidno, sobretudo, o rio Doce.

A pesquisa mostra que, com a queda da barragem, os rejeitos de metais pesados que desceram em direção à costa capixaba se acumularam nos sedimentos do estuário, em Linhares, onde acontece o encontro da água doce com a salgada.

Os pesquisadores também identificaram a concentração de metais no fígado e músculos de peixes como bagre, tainha e carapeba. Esses animais contaminados são fonte de alimento comum para a população local.

Os bagres estudados apresentaram maior concentração de zinco, cobre, mercúrio, arsênio, selênio, cromo e manganês, todos acima dos limites seguros para o consumo humano.

Esse estudo foi conduzido pela Rede Solos Bentos Rio Doce e incluiu estudantes do Programa de Doutorado em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo.

Em nota, a Fundação Renova, entidade responsável pelas ações de reparação, esclareceu que realiza "monitoramento sistemático da biodiversidade, do sedimento e da água e estão em andamento estudos específicos do pescado" e que "análises recentes têm apontado para a progressiva melhora das condições ambientais na região costeira após o rompimento".

"A presença de metais como ferro, alumínio e manganês já se encontravam em concentrações superiores às convencionais antes do rompimento. É importante destacar que os metais pesados que podem trazer algum problema de saúde não são associados ao rejeito e têm apresentado redução significativa nos últimos anos."

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