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Desmatamento da Amazônia tem impacto direto no agronegócio, diz estudo

Desmatamento na Amazônia pode causa prejuízo anual de cerca de 5,2 bilhões ao agronegócio, aponta estudo - Bruno Kelly/Reuters
Desmatamento na Amazônia pode causa prejuízo anual de cerca de 5,2 bilhões ao agronegócio, aponta estudo Imagem: Bruno Kelly/Reuters

Do UOL, em São Paulo

10/05/2021 11h34

Um estudo do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), publicado hoje pela revista Nature, indica que o desmatamento da Amazônia tem impacto direto no agronegócio da região.

Segundo a pesquisa, a perda de produtividade pode causar prejuízo de até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) por ano no setor. " O Brasil pode ter ultrapassado um limite no qual mais desmatamento na Amazônia se traduz em dano econômico direto", diz o texto.

De acordo com o estudo, as perdas de produtividades e receitas associadas ao desmatamento pode chegar a US$ 180,8 bilhões (cerca de R$ 937 bilhões) para a produção de carne bovina e de US$ 5,6 bilhões (cerca de R$ 29 bilhões) para soja até 2050.

A pesquisa reforça que a Amazônia tem um papel fundamental na regulação de chuvas, que tem seu ciclo afetado com a queda do número de árvores na região. Neste cenário, o sistema agrícola se desequilibra, com impacto na produtividade.

Em entrevista à GloboNews, o coordenador do estudo, Argemiro Teixeira Leite-Filho, disse que o controle do desmatamento é o único caminho para reverter a tendência.

"Da forma que o desmatamento vem avançando, não conseguimos manter o sistema produtivo da forma que ele vem crescendo, é uma situação autodestrutiva", disse.

"Uma das conclusões é que é preciso frear o desmatamento não só por uma questão ambiental, mas também por uma questão produtiva", completou.

Neste cenário, Argemiro destaca que apenas uma "parcela pequena do agronegócio ainda não percebeu que é necessário preservar para produzir", mas que é "preciso uma política conjunta e integrada" para combater o problema.

Abril tem recorde de desmatamento

Na semana passada, dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostraram que o índice de desmatamento na Amazônia em abril deste ano atingiu o seu pior resultado desde o início da série história, em 2016.

Foram devastados 580,55 km² até o dia 29 de abril de 2021, ante 407,2 km² em abril de 2020, uma alta de 42,5%, conforme medições do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real).

Em abril, ao participar da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, Bolsonaro afirmou que o Brasil está aberto à "cooperação internacional" na área ambiental e declarou que o país buscará atingir a neutralidade climática (reduzir a zero o balanço das emissões de carbono) até 2050. O tom mais moderado adotado na reunião chamou atenção dos demais presidentes.

A meta apresentada até 2050 é a mesma fixada pelos Estados Unidos e pelos grandes países europeus em relação às ações para zerar o balanço das emissões de CO².

No entanto, no mesmo dia do encontro internacional, Bolsonaro rebateu as críticas ao desmatamento no país sugerindo que "há interesses econômicos por parte dos países que têm cobrado o governo nessa questão, como os Estados Unidos".

A pressão sobre o Brasil aumentou nesta semana. Grandes supermercados e produtores de alimentos britânicos e da União Europeia ameaçaram boicotar os produtos brasileiros, devido a um projeto de lei que, segundo eles, levaria a mais desmatamento na Amazônia.

De acordo com um estudo publicado na semana passada pela revista Nature Climate Change, a Amazônia brasileira emitiu mais carbono na última década do que absorveu, em uma reversão sem precedentes de seu equilíbrio tradicional.

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