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'Essas medidas são desnecessárias', diz Salles sobre operação da PF

Ricardo Salles dá entrevista após operação realizada pela PF - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Ricardo Salles dá entrevista após operação realizada pela PF Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL*

19/05/2021 12h48Atualizada em 19/05/2021 16h57

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou hoje que a operação da PF (Polícia Federal) da qual foi alvo foi "desnecessária". Em conversa com jornalistas, o ministro negou as acusações e disse que a pasta e o Ibama agem "de acordo com a lei".

"A Polícia Federal foi ao Ministério do Meio Ambiente. Eu fui lá, encontrei o delegado e soube que também estiveram em outros locais. Essas medidas são desnecessárias, na medida que o Ministério e todos os funcionários poderiam ter ido, se chamados, para a PF", declarou Salles.

Ele disse ainda que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi induzido ao erro pela autoridade policial. "Entendemos que esse inquérito, pelo pouco que sabemos, foi feito de maneira que induziu o ministro relator a erro para dar impressão que teria havido uma ação concatenada de agentes públicos. Essas ações jamais aconteceram", afirmou.

"Até onde eu sei, uma carga foi exportada para os Estados Unidos, que pediu documentos que não constavam. Analisando o caso, a presidência do Ibama entendeu que a regra invocada [pelas autoridades norte-americanas] já naquela altura deveria ter sido alterada. Por isso, aparentemente, agiu de forma técnica", explicou o ministro.

O episódio envolvendo a embaixada norte-americana é citado na decisão que Moraes tornou pública esta manhã. Segundo o texto, em 10 de janeiro de 2020, o FWS (Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos) deteve, no estado da Geórgia, a três contêineres contendo madeira exportada do Brasil, por uma empresa com sede em Ananindeua (PA).

Segundo notificação enviada pela embaixada às autoridades brasileiras, o material não tinha a documentação necessária para comprovar sua procedência legal. A partir daí, segundo os fatos narrados na decisão de Moraes, o Ibama enviou "uma série de respostas conflitantes", ora informando que a madeira exportada não tinha sido analisada pelo setor competente, ora alegando que o envio da carga cumprira toda a exigência legal.

Salles disse que não teve acesso a todas as informações do inquérito e destacou que o ministério e o Ibama sempre agiram em consonância com a lei. "Isto ficará demonstrado nos autos do inquérito, conforme ele for instruído", disse o ministro, confirmando que policiais federais apreenderam documentos em seu gabinete, no ministério.

Questionado se conversou com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a operação, Salles confirmou. "Expliquei ao presidente do que se trata, que não há substância em nenhuma das acusações. Me parece que esse é um assunto que pode ser esclarecido com muita rapidez."

Investigação cumpre 35 mandados

A operação da PF, batizada de Akuanduba, apura crimes contra a administração pública praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro. Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão no total, incluindo os endereços residenciais de Salles em São Paulo, no gabinete do ministro no Pará e no endereço funcional em Brasília.

Alexandre de Moraes também solicitou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Salles e de servidores do Ibama, além de determinar o afastamento do presidente do Instituto, Eduardo Bim, do cargo. Outros nove agentes públicos também foram afastados.

*Com informações da Reuters e da Agência Brasil

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