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A caixa preta que promete não deixar 'catástrofe climática' ser esquecida

Caixa metálica estará localizada no meio do deserto da Tasmânia, na Austrália - Reprodução/Earth"s Black Box
Caixa metálica estará localizada no meio do deserto da Tasmânia, na Austrália Imagem: Reprodução/Earth's Black Box

Colaboração para o UOL

07/12/2021 14h48Atualizada em 07/12/2021 14h48

Os desenvolvedores do projeto Earth's Black Box lançaram recentemente uma iniciativa em prol da emergência climática. Trata-se de uma gigantesca caixa de aço que será instalada no meio do deserto da Tasmânia na Austrália, com o propósito de reunir dados de pesquisas, notícias e diversos conteúdos relacionados ao clima.

Semelhante às típicas caixas pretas de avião, as informações do estranho objeto ajudarão as próximas gerações a compreender os fatores que levaram à crise climática, além das falhas e acertos da humanidade em enfrentá-la.

Em entrevista à CNN, Jonathan Kneebone, artista e diretor do coletivo artístico Glue Society, e um dos membros do Earth's Black Box traz mais detalhes sobre o projeto: "A caixa funcionará como um livro indestrutível e independente da saúde de nosso planeta. E esperamos que faça com que os líderes prestem contas e inspirem ações e reações na população em geral".

No interior da caixa, haverá um sistema de armazenamento conectado à internet e alimentado por painéis de energia solar. Essa ferramenta vai fazer o download de dados científicos e um algoritmo vai coletar na web materiais relacionados às mudanças climáticas.

Serão monitoradas também quaisquer mudanças na temperatura da terra e do mar, acidificação dos oceanos, quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera, população humana, consumo de energia, gastos militares, decisões políticas e muito mais.

"A Caixa Preta da Terra registrará cada passo que dermos em direção a essa catástrofe. Centenas de conjuntos de dados, medições e interações relacionadas às condições do planeta serão continuamente coletadas e armazenadas com segurança", informaram os idealizadores do projeto em um comunicado.

Ainda não há previsão para a conclusão da construção da caixa, mas seus discos rígidos já estão em operação desde os debates de novembro da COP 26, em Glasgow, para dar início aos primeiros registros de informações.

Os desenvolvedores estimam que a estrutura metálica pode armazenar dados suficientes para os próximos cinquenta anos e estão reunindo esforços em pesquisas para elevar a capacidade de armazenamento.

Por outro lado, os criadores desta iniciativa estão preocupados em como a caixa pode ser usada em um futuro distante, porque o acesso a ela foi pensado para ser difícil e exigiria tecnologias avançadas. "Estamos explorando a possibilidade de incluir um leitor eletrônico que fique dentro da caixa e que seja ativado com a exposição à luz solar, também reativando-o se estiver em um estado de hibernação de longo prazo como resultado de uma catástrofe", informaram os desenvolvedores.

Eles planejam usar também vários formatos de codificação, incluindo simbolismo matemático para suas inscrições analógicas em placas de aço, que incluiriam instruções necessárias para decodificar a caixa.

"É impossível prever quem ou o que vai encontrar a caixa, mas pode-se supor que ela não terá nenhuma utilidade a menos que seja descoberta por alguém ou algo inteligente e civilizado, com capacidade de compreender e interpretar simbolismo básico", disse Jonathan Kneebone.

Um momento catastrófico

Os povos do futuro podem se beneficiar com o projeto usando-o para encontrar soluções, uma vez que são as mais ameaçadas pelos efeitos das mudanças climáticas, como incêndios florestais, secas, ondas de calor e inundações.

Um levantamento do Climate Action Tracker alertou que o planeta está a caminho de um aumento de 2,7ºC em relação aos níveis pré-industriais. Os cientistas recomendam que o planeta não se aqueça para além de 1,5ºC, para evitar as piores consequências da crise climática.

Diante deste cenário, os desenvolvedores da caixa preta dizem que as informações que ela reunirá servirão também como uma forma de penalização de políticos e líderes corporativos pelo modo como vem subestimando as mudanças climáticas.

"Como a história termina, depende totalmente de nós", declaram os desenvolvedores. "Só uma coisa é certa: suas ações, omissões e interações agora estão sendo registradas."

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