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Política

Indagado sobre acusações, favorito para presidir Câmara questiona: "que denúncias?"

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

04/02/2013 10h45Atualizada em 04/02/2013 11h14

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), favorito para vencer a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, que acontece nesta segunda-feira (4), disse desconhecer as denúncias que pesam contra ele de suspeita de corrupção.

Na manhã de hoje, uma compilação com diversas reportagens publicadas em jornais, revistas e sites que detalham as acusações contra o deputado foi entregue nos gabinetes dos parlamentares. O material impresso, de autoria anônima, também traz cópia de uma decisão judicial contra o deputado.

Mesa Diretora da Câmara

  • Arte/UOL

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Indagado se achava que as denúncias poderiam custar votos, Alves respondeu apenas que não tem conhecimento delas: “Que denúncias? Desconheço. Absolutamente”. Ele afirmou ainda estar confiante de vencer no primeiro turno e destacou que possui o apoio de quase 20 partidos.

“Não é fácil congregar tantos partidos, de oposição, governo, maiores, médios, grandes. Só tenho a agradecer a campanha que fizemos e vamos todos, com a chapa oficial, representativa da ética, do compromisso, da palavra dos partidos, para uma grande vitória”.

Ao listar as suas principais propostas para a Câmara, como criar uma agenda propositiva e discutir o pacto federativo e os royalties, Alves afirmou que “o Parlamento não foi feito para enrolar, para empurrar com a barriga. Foi feito para discutir e votar e assim será a Câmara, continuando o trabalho do deputado Marco Maia”.

Alves disputa a vaga com outros três candidatos: Rose de Freitas (PMDB-ES), Júlio Delgado (PSB-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ), que afirmaram, por sua vez, acreditar que a decisão será definida no segundo turno. A votação é secreta e será feita por meio de urna eletrônica. É preciso obter maioria dos votos para se eleger.

Nesta segunda, a Câmara dos Deputados amanheceu em clima de campanha, com a distribuição de santinhos e adesivos por cabos eleitorais vestidos com a camiseta do respectivo candidato. 

Ao chegar ao Congresso, a deputada Rose de Freitas foi recebida com um grito de guerra de um grupo de cabos eleitorais que a aguardava na entrada. “É uma luta danada. Um grito de guerra até que ajuda a animar, que essa é uma batalha muito difícil. Tenho certeza que hoje há dois tipos de Brasil aqui dentro. Um Brasil que quer seguir com ética e com moral e outro que não se importa com o que o povo pensa.”

Ela criticou ainda a candidatura de seu principal adversário. “O fato de [o deputado Alves] ser do meu partido, de estarmos na mesma Casa, não tira dele a responsabilidade de ter toda a idoneidade necessária para disputar um cargo como esse. Eu, se fosse o Henrique, não teria feito isso.”

No mesmo tom de crítica, Alencar afirmou que, caso Alves seja confirmado na presidência, o PSOL irá aguardar outros dados do próprio Judiciário para ver se o partido dele entrará com representação contra o deputado. “Não queremos ser o partido do chicote interno da Câmara. Queremos ser a denúncia de muitas coisas erradas na política e o anúncio de possibilidades de superá-las.”

Júlio Delgado, por sua vez, foi breve e afirmou apenas estar confiante que a disputa irá para o segundo turno.

O atual presidente da Casa, deputado federal Marco Maia (PT-RS), disse ao chegar à Câmara que estima que a sessão da votação leve cerca de três horas. “É uma questão de quórum”, afirmou, acrescentando que, ao deixar o cargo, “a vida vai ser mais simples agora”.

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