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Oposição tenta associar Paulo Roberto Costa a mensalão na CPI da Petrobras

Bruna Borges

Do UOL, em Brasília

17/09/2014 16h43Atualizada em 17/09/2014 17h46

Na sessão desta quarta-feira (17) da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras, parlamentares da oposição tentaram ligar o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que compareceu ao Congresso hoje, ao esquema do mensalão do PT.

Costa decidiu permanecer calado durante a sessão -- como foi chamado para depor como investigado, o ex-diretor da Petrobras tem o direito de permanecer e silêncio. A sessão durou quase três horas, e o ex-executivo não respondeu a nenhuma pergunta.

“O que eu quero dizer publicamente é que o governo de Lula, Dilma e do PT não aprendeu com o mensalão. O esquema é o mesmo. Lamento que não tenhamos conseguido levar para uma sessão o uso das informações que temos aqui. Estamos diante da continuidade do braço indicado por Roberto Jefferson no mensalão", afirmou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), em referência ao delator do mensalão.

Para o parlamentar, Costa é "bandido". Segundo o deputado, todas as testemunhas convocadas por CPIs no Congresso que se recusaram a falar são bandidos. “Não é minha primeira CPI e sempre que bandido veio usou do expediente de não falar. Eu quero dizer que estamos diante de um bandido”, completou.

O líder do Solidariedade na Câmara, deputado Fernando Francischini (PR), também associou o ex-diretor da Petrobras ao mensalão.

"Não tenho dúvida que é o mesmo mensalão. Agora mais longe, pagando ministros e senadores. Antes o operador era Marcos Valério e agora é Paulo Roberto Costa. Acho que ele poderia contribuir muito com nosso país corrigindo erros do passado. É o maior escândalo de corrupção em nosso país", disse Francischini.

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR) também tentou associar os escândalos envolvendo a Petrobras a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

"Estamos vendo que nestes doze anos aqueles que foram nomeados e que se tornaram uma verdadeira quadrilha tiveram o aval da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Nada mais grave que um presidente da República nomear um diretor da Petrobras e depois dizer que não sabia de nada. Eles não aprenderam e continuam com o mesmo sistema", disse Bueno.

Mesmo após as acusações dos deputados, Costa permaneceu calado e não respondeu a nenhum questionamento.

Parlamentares da oposição queriam que a sessão seja fechada para tentar convencer o ex-diretor da Petrobras  a falar, mas o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) manteve aberta após votação com os parlamentares presentes.

Costa foi preso em março com a deflagração da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Há suspeitas de que o ex-diretor tenha destruído provas contra ele. Para tentar reduzir a pena em uma possível condenação, Costa decidiu no meio de agosto contribuir com as investigações, por meio de delação premiada.

Segundo as revistas "Veja" e "IstoÉ", Costa revelou o nome de vários parlamentares e governadores que teriam recebido propina para auxiliar no fechamento de contratos da Petrobras.

O presidente da CPI informou que foi agendada uma audiência com o ministro Teori Zavascki, relator de processos da Lava Jato no Supremo, no final da tarde desta quinta-feira para tratar dos documentos da delação premiada de Costa.

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