Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Dilma utilizaria avião para "fazer campanha denunciando o golpe", diz Temer

Do UOL, em São Paulo

  • Beto Barata/PR

    Temer concede entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila no Palácio do Jaburu

    Temer concede entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila no Palácio do Jaburu

Uma série de postagens na conta oficial do presidente interino, Michel Temer (PMDB), no Twitter tem causado polêmica na rede.

Isso porque o peemedebista, quando se refere ao uso de avião pela presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e a sua limitação, sugere que a petista utilizaria a aeronave para "fazer campanha denunciando o golpe".

A tese de que o processo de impeachment foi um golpe é a principal linha de defesa de Dilma.


A postagem no perfil de Temer foi feita por sua assessoria de imprensa, que divulgava trechos da entrevista dada pelo presidente interino ao jornalista Roberto D'Ávila, da GloboNews. A entrevista foi transmitida na noite desta terça-feira (21).

D'Ávila questionou Temer se ele não teria sido "mesquinho" ao restringir o uso de avião oficial por Dilma. O novo governo interino limitou o transporte aéreo de Dilma entre o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul, onde a presidente afastada tem residência.

Nessa hora, Temer disse que Dilma "utiliza o avião, ou utilizaria, para ir fazer campanha denunciando o golpe", que ele classificou de "uma situação um pouco esdrúxula".

"[Ela] não está no exercício da Presidência, portanto não tem atividades de natureza governamental", explicou Temer, sugerindo que Dilma não precisa desses serviços.

O presidente interino voltou a negar, mais uma vez, que o afastamento de Dilma configure um golpe de Estado. "Muitas vezes dizem que houve golpe. E golpe é ruptura em relação à Constituição. E aquilo que está havendo é obediência estrita ao texto constitucional. Eu não traí a ninguém. Na verdade, o que houve foi um processo de impedimento. Eu não fiz nenhum movimento em relação a isso. E o impedimento se deu, convenhamos, até por uma maioria muito significativa."

Segundo reportagem recente do jornal "Folha de S.Paulo", Temer, inclusive, já prometeu a líderes de sua base aliada na Câmara dos Deputados que vai adotar discursos mais contundentes contra a tese petista de que o impeachment representa um golpe.

Na entrevista, Temer afirmou ainda, entre outras coisas, que quer promover as reformas política e da Previdência a partir do momento em que for efetivado na Presidência da República. E que, caso seja realmente efetivado, não será candidato à reeleição em 2018.

Temer também negou que vá processar Sérgio Machado, delator da Lava Jato que o acusou de ter pedido recursos de propina para o então candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012.

"Não vou processá-lo porque o que ele mais deseja é isso. Quando verifiquei a delação completa, ele não falou apenas de mim, falou dos partidos mais variados. Ele só respondeu ao meu pronunciamento. Ele quer polarizar com o presidente da República, não vou dar esse valor a ele, não falo para baixo."

"Você acha que eu ia me servir dele, tendo, com toda modéstia, o prestígio que tenho, no cenário nacional, para falar com empresário? Os empresários falavam e falam comigo permanentemente. Jamais pedi a ele", disse Temer.

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