Se Lava Jato quiser interferir na próxima eleição, deve lançar candidato, diz defesa de Lula

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Janaina Garcia/UOL

    Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula

    Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), usou sua conta no Twitter nesta quarta-feira (28) para criticar a força-tarefa da Operação Lava Jato, formada por procuradores do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná).

Segundo Zanin, um procurador da Lava Jato "deixou clara atuação da operação para impedir que Lula possa 'voltar para a Presidência'" em uma publicação nas redes sociais. "Se a Força Tarefa quer interferir na próxima disputa à Presidência deve lançar candidato e não usar do processo para essa finalidade", publicou o advogado.

Zanin não disse quem seria o procurador. Horas antes do protesto do advogado, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, publicou no Facebook um texto criticando os ataques do presidente Michel Temer (PMDB) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e disse que "é capaz de atuais acusados pela Lava Jato, também não qualificados para o cargo, consigam apoio da sociedade para voltar para a Presidência".

Lula lidera em pesquisa Datafolha

Não é a primeira vez em que a defesa de Lula acusa a Lava Jato de agir politicamente. Recentemente, nas alegações finais do processo do tríplex do Guarujá (SP), os advogados do ex-presidente afirmaram que uma das razões da denúncia seria o favoritismo do petista nas eleições presidenciais de 2018

Na última pesquisa Datafolha sobre intenção de voto para presidente, Lula lidera em praticamente todos os cenários pesquisados. Nomes do Ministério Público não foram citados como possíveis candidatos. No entanto, em um dos cenários pesquisados, o juiz Sergio Moro --que julga os processos da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná-- aparece em segundo lugar no primeiro turno, atrás apenas de Lula, e empata com o ex-presidente em simulação de segundo turno.

Na segunda-feira (26), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, também presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse que uma "república de promotores e juízes" teria um resultado decepcionante.

"Já trocamos políticos que buscam votos pelos militares. Alguém pode imaginar que pode fazer uma república de promotores ou de juízes. Creio que ficarão também decepcionados com o resultado. Até como gestores, nós juízes e promotores, não somos lá muito bons. Se fôssemos administrar o deserto do Saara, faltaria areia em pouco tempo", disse.

Histórico de embates

A crítica do advogado Zanin é mais um capítulo de uma série de conflitos públicos entre a defesa de Lula e a força-tarefa da Lava Jato. O próprio ex-presidente já chamou os procuradores de "moleques" e criticou suas "meninices".

Lula é alvo de três denúncias da força-tarefa da Lava Jato. Uma delas acusa o ex-presidente de ser o real proprietário de um tríplex no Guarujá (SP) pago pela OAS com dinheiro de contratos da Petrobras. Em outra, os procuradores dizem que Lula recebeu propina da Odebrecht na forma de um terreno para o Instituto Lula -- que não chegou a ser usado pela entidade. Na terceira, Lula teria recebido vantagem indevida na forma de serviços prestados pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin em um sítio em Atibaia (SP), em troca de favorecimento em contratos das empresas com a Petrobras. 

Em todos os casos, a defesa de Lula nega que o ex-presidente tenha cometido irregularidades.

As denúncias sobre o tríplex e o terreno para o Instituto Lula foram aceitas por Moro, o que tornou o petista réu nesses processos. A acusação sobre o tríplex foi apresentada em uma entrevista coletiva com uma polêmica apresentação de slides feita pelo coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, na qual Lula foi chamado de "comandante máximo do esquema investigado na Operação Lava Jato". A apresentação ficou conhecida como "PowerPoint do Lula" e foi chamada de "PowerPoint mentiroso" pelo ex-presidente em depoimento a Moro

A fase de instrução do processo do tríplex já foi encerrada. Com isso, Moro já pode dar sua sentença. A defesa do ex-presidente afirma que não há provas de que Lula seja o real dono do tríplex e pediu sua absolvição.

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