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Wesley Batista deixa carceragem da PF após decisão do STJ

Wesley (ao fundo) é acusado de uso indevido de informação privilegiada e manipulação do mercado financeiro - MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Wesley (ao fundo) é acusado de uso indevido de informação privilegiada e manipulação do mercado financeiro Imagem: MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

21/02/2018 07h57

O empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, deixou a carceragem da PF (Polícia Federal), na zona oeste de São Paulo, por volta da 3h desta quarta-feira (21). Ele deixou o prédio por uma portaria de acesso dos funcionários.

Wesley, que estava preso desde setembro do ano passado acusado de uso indevido de informação privilegiada e manipulação do mercado financeiro, foi beneficiado por uma decisão da Sexta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Por 3 votos a 2, a Corte decidiu nesta terça-feira (20) substituir a prisão preventiva cumprida por ele e pelo irmão Joesley Batista, também dono da JBS, por medidas alternativas.

Apesar de o benefício ter sido concedido aos dois irmãos, Joesley continuará preso, já que há um segundo mandado de prisão contra ele. Este pedido foi feito pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e aceito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, porque Joesley supostamente teria ocultado informações relevantes em seu acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Agora, Wesley terá de comparecer periódico em juízo, está proibido de deixar o país e de participar de operações no mercado e terá monitoramento eletrônico.

A defesa pediu a soltura dos irmãos ou a aplicação de medidas alternativas à reclusão por considerar a prisão preventiva injusta, desproporcional e extemporânea, ou seja, que estaria fora do seu tempo.

Em seu voto, o ministro relator Rogerio Schietti considerou que a decretação da prisão preventiva foi acertada. Na avaliação dele, no entanto, como já se passaram seis meses do cumprimento da prisão, o risco de repetição do crime se enfraqueceu o suficiente para que a reclusão seja substituída por medidas adequadas e suficientes para proteger o processo e a sociedade.

Manipulação do mercado

O uso de informações privilegiadas por parte dos irmãos teria acontecido entre abril e 17 de maio deste ano, um dia antes de ser divulgado o acordo de colaboração premiada da JBS com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo a PF, Wesley e Joesley teriam vendido ações da JBS e comprado dólares antes de ser divulgado o conteúdo da delação porque sabiam que, quando a delação viesse à tona, o mercado financeiro reagiria negativamente, as ações da JBS cairiam e o dólar subiria.

De fato, no dia da divulgação da delação, os papéis da JBS despencaram e o dólar disparou. Quem havia vendido as ações, portanto, deixou de perder muito dinheiro. Quem havia comprado dólares, teve ganhos milionários.

Com a venda antecipada das ações da empresa, os irmãos Batista teriam evitado um prejuízo potencial de R$ 138 milhões, segundo cálculos da PF.

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