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No entorno de prisão de Lula, café prospera e lava-rápido perde clientes em Curitiba

Vinicius Boreki/UOL
Imagem: Vinicius Boreki/UOL

Vinicius Boreki

Colaboração para o UOL

21/04/2018 04h00

A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detido desde o último dia 7 na Superintendência da Polícia Federal, alterou a rotina do bairro Santa Cândida, no extremo norte de Curitiba. Entre os moradores e comerciantes que estão dentro do perímetro de segurança montado pela Polícia Militar, há os que comemoram e os que lamentam a presença do petista.

A PF é um dos pontos de referência do Santa Cândida, bairro de perfil residencial a cerca de 10 quilômetros do centro da capital paranaense. Muitos comércios surgiram do movimento de clientes que buscam a polícia para fazer passaportes. Antes da prisão, era possível entrar no prédio por dois portões, um pequeno, localizado na esquina das ruas Paulo Passos Brandão e Mariano Gardolinski, e o acesso principal, na rua Sandália Monzon.

Márcia da Silveira Mello, 54, é proprietária de um lava-car e estacionamento em frente ao acesso secundário à PF. O último dia em que trabalhou foi em 6 de abril, na véspera da chegada do ex-presidente. Desde então, o espaço está tão parado que até mesmo o funcionário foi dispensado. “Não o demiti, mas ele está em casa, porque, se vier, tenho despesas com a alimentação. Está sendo um transtorno federal”, disse. Ela calcula o prejuízo em cerca de R$ 300 por dia. “Teve dois dias em que nem sequer abri. Nem mesmo o pessoal da PF, que lavava o carro aqui, tem vindo”, disse.

O acesso às vias está sob controle da Polícia Militar ou de agentes da Setran (Secretaria de Trânsito de Curitiba). Somente pessoas com agendamentos para passaportes ou outro tipo de obrigação na Polícia Federal é que podem subir a rua que dá acesso à Superintendência. A solução encontrada é levar os equipamentos até a casa de alguns clientes. “A única solução para nós é tirar o homem [Lula] daqui para que acabe esse cerco de segurança”, sugeriu.

Poucos ambulantes são vistos no entorno. No limite imposto pela polícia, que se estende por duas quadras, um casal transformou um carro de passeio em lanchonete ambulante e serve ao longo do dia bebidas e salgados. Dentro do perímetro, outro ambulante consegue circular pela área restrita. 

Na sexta-feira (13), a Prefeitura de Curitiba, em parceria com a procuradora-geral do município, Vanessa Volpi Bellegard Palacios, pediu a saída do ex-presidente da sede da PF. De acordo com o requerimento, o petista deve cumprir pena em “local seguro e adequado às circunstâncias do caso, restabelecendo-se a ordem, o direito de ir e vir e a segurança da população, por ser medida de justiça”.

Por outro lado, o Canja Café Bistrô celebrou a chegada do ex-presidente. Aberto em outubro de 2017, o espaço recebeu ampla divulgação, especialmente por se tornar uma espécie de quartel-general dos jornalistas. “As vendas cresceram aproximadamente quatro vezes. Nem os funcionários da PF nos conheciam e estão vindo aqui, além de quem faz o passaporte e os jornalistas”, conta o barista Joe dos Santos Espósito, 24.

Segundo Espósito, o café não estava preparado para o grande movimento, especialmente nos primeiros dias após a prisão do petista. “Não havíamos feito qualquer divulgação e, de repente, as entradas foram exorbitantes para o nosso padrão”, contou.

Com acesso à internet e localizado bem em frente ao portão principal da PF, o café já sentiu a redução no número de jornalistas entre os clientes, mas a clientela ainda está acima do esperado. “A chegada do Lula foi ótima para nós”, disse o barista.

Comércio do Santa Cândida

Embora a vigília dos apoiadores do ex-presidente ainda se concentre a cerca de 100 metros da PF, os manifestantes se espalharam pelo bairro após um acordo com a Prefeitura de Curitiba, na última terça-feira (17). Para muitos moradores, trata-se de um incômodo, sobretudo com reclamações sobre o barulho causado pelos manifestantes.

Os comerciantes, por outro lado, têm comemorado o acréscimo de movimento, especialmente do ramo da alimentação. “Para quem falar que não é bom esse movimento, é mentira. Tenho recebido ao menos de 15 a 20 pessoas desses movimentos por dia no restaurante”, diz a dona de um estabelecimento, nas proximidades de um dos terrenos ocupados, que não quis se identificar.

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