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A governadores, Bolsonaro defende aprovação de reformas "amargas"

Luciana Amaral e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

14/11/2018 13h09Atualizada em 14/11/2018 14h01

Em encontro com governadores nesta quarta-feira (14) em Brasília, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), defendeu a aprovação de reformas e disse que "a partir desse momento, não existe mais partido. Nosso partido é o Brasil".

Segundo o presidente eleito, todos os presentes são "responsáveis pelo futuro". Ele defendeu a aprovação de reformas econômicas, sem citar especificamente nenhuma delas. 

“As reformas passam pela Câmara, passam pelo Senado. São as mais importantes. Pedimos nesse momento que tenham a perfeita noção de que algumas medidas são um pouco amargas, mas não podemos tangenciar a possibilidade de transformar-nos naquilo que a Grécia passou, por exemplo”, declarou.

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Nesta semana, tanto o próprio Bolsonaro quanto Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, admitiram que a aprovação da reforma da Previdência, considerada fundamental para equilibrar as contas públicas, deve ficar para 2019.

Em seguida, afirmou ser preciso aproveitar o potencial do país nas áreas mineral, de biodiversidade, do agronegócio, da agricultura familiar e do turismo. O presidente eleito ainda falou que as reformas não se limitam à economia, mas também à segurança.

“Temos de aprovar reformas que estão sendo ultimadas pela minha equipe econômica. [...] Que o Brasil continua e temos de buscar soluções, não apenas econômicas. Se conseguirmos, por exemplo, diminuir a temperatura da insegurança no Brasil, a economia começa a fluir”, disse.

Segundo Bolsonaro, a população depositou nos governadores e nele mesmo o sentimento de mudança. “Creio que a própria eleição minha simboliza isso. Vocês sabem as condições nas quais concorremos e onde chegamos”, comentou.

Bolsonaro afirmou ser preciso fazer uma política diferente dos antecessores, pois não haverá “outra oportunidade para mudar o Brasil” e a próxima administração “tem de dar certo”. Na chegada ao fórum, os governadores afirmaram que focariam os debates na formulação de um novo pacto federativo, na reforma da Previdência e na segurança pública.

No discurso, Bolsonaro falou que as políticas públicas serão promovidas em favor do interesse da população e sem interferência de ideologias partidárias. Ele então cumprimentou o governador reeleito do Piauí, Wellington Dias, do PT.

Facilidade para licenças ambientais

O presidente eleito declarou que o “índio quer ser o que nós somos” e não ficar “confinado” em uma reserva.

Ele reforçou que, após conversas com representantes das pastas e com o setor produtivo, os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente não serão fundidos e o fato de o governo de transição ter retrocedido na medida deve ser reconhecido como uma virtude.

Novo ministro do Meio Ambiente deve facilitar licenças, diz presidente eleito

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Sobre o futuro ministro do Meio Ambiente, ainda não anunciado, Bolsonaro falou que será uma pessoa que conhece profundamente o assunto e facilitará a concessão de licenças ambientais. Ele ressaltou que não se pode esperar dez anos para a análise de uma licença. Neste momento, foi amplamente aplaudido pelos governadores presentes.

“Não será a toque de caixa, mas pode ter certeza de que muitas delas em poucas semanas serão resolvidas. Se for destravado isso, teremos muito menos problemas para resolver”, declarou. “Se o nosso agronegócio, que é muito pujante, conseguir se livrar de alguns desses problemas, pode ter certeza que essa área continuará contribuindo muito à nossa economia.”

Pouco antes, Bolsonaro falou querer “preservar o meio ambiente, mas não dessa forma que está aí”. E acrescentou: “nas minhas andanças pelo Brasil, tenho dito até aos meus irmãos garimpeiros, ‘os senhores são cidadãos’”.

A reunião foi organizada pelos governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). 

Bolsonaro chegou ao fórum por volta das 12h30 acompanhado do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e do futuro ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva do Exército, Augusto Heleno. Mais cedo, estavam em agendas relacionadas ao governo de transição no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), também na capital federal. O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) chegou ao local um pouco antes.

Ao todo, 20 governadores compareceram. Além dos três citados, estiveram presentes os de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); do Paraná, Ratinho Junior (PSD); de Santa Catarina, comandante Moisés (PSL); do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM); do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB); do Pará, Helder Barbalho (MDB); do Amazonas, Wilson Lima (PSC); de Rondônia, coronel Marcos Rocha (PSL); de Roraima, Antonio Denarium (PSL); do Acre, Gladson Cameli (PP); do Tocantins, Mauro Carlesse (PHS); do Amapá, Waldez Góes (PDT); da Bahia em exercício, João Leão (PP); e do Piauí, Wellington Dias (PT).

Visitas a embaixadores

O presidente eleito recebeu embaixadores dos Emirados Árabes Unidos (Hafsa Abdullah Moahammed Sharif Al Ulama), da França (Michel Miraillet), do Reino Unido (Vijay Rangarajan) e do Chile.

Segundo general Heleno, que acompanhou Bolsonaro nos encontros com embaixadores pela manhã, todas as visitas foram “altamente cordiais, sem nenhuma reclamação sobre nada”.

Ele também se encontrou com o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), governador eleito de Goiás. (*Colaborou Gustavo Maia)

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