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Investigado, Roberto Jefferson compara STF ao nazismo: 'Tribunal do Reich'

O ex-deputado Roberto Jefferson - Reprodução
O ex-deputado Roberto Jefferson Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

27/05/2020 10h21Atualizada em 27/05/2020 15h28

O ex-deputado federal Roberto Jefferson foi ao Twitter criticar a operação da Polícia Federal que cumpre, na manhã de hoje, mandados de busca e apreensão relacionados ao inquérito das fake news que é conduzido pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ele comparou a ação à de um tribunal nazista, em crítica ao Supremo.

"TRIBUNAL DO REICH. Instituído por Hitler, após o incêndio do Parlamento, aquele tribunal escreveu as páginas mais negras da justiça alemã, perseguindo os adversários do nazismo. Hoje o STF, no Brasil, repete aquela horripilante história. Acordei às 6 horas com a PF em meu lar", escreveu o político do chamado "centrão".

"Com um mandado de busca e apreensão, expedido contra mim por Alexandre de Moraes, STF, para aprender meus computadores e minhas armas. Atitude soez, covarde, canalha e intimidatória, determinada pelo mais desqualificado Ministro da Corte. Não calarei. CENSURA", escreveu Jefferson.

Ao todo, foram expedidos 29 mandados de busca e apreensão pelo ministro Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito. Entre os alvos estão pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), além de Jefferson, como:

  • o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP)
  • a ativista Sara Winter
  • o empresário Luciano Hang
  • o blogueiro Allan dos Santos

Roberto Jefferson vinha se aproximando de Bolsonaro e, em entrevista ao UOL, atacou Sergio Moro pelas acusações do ex-ministro da Justiça contra o presidente, citando tentativa de interferência na PF.

Mais críticas

Roberto Jefferson voltou a criticar o STF mais tarde durante uma entrevista à CNN. O ex-deputado chamou a corte de "puxadinho do PT e do PSDB". "É uma corte de justiça comandada de fora para dentro. É comandada pelo [ex-presidente] Lula, pelo Fernando Henrique [Cardoso] e pelo José Dirceu. Esse supremo não representa o povo do Brasil. Essa corte quer calar todos os que estão em volta do presidente levantam a sua bandeira e impunham a espada em sua defesa."

Jefferson criticou a operação realizada na manhã de hoje e disse que ela é conduzida pelo "pior ministro" e alguém que "era advogado do PCC [Primeiro Comando da Capital]", se referindo ao então ministro Alexandre de Moraes do STF.

"Hoje o STF impede o presidente do exercício pleno do seu governo. E todos os seus aliados como eu somos vítimas de perseguição, principalmente, nesse processo que é inconstitucional. Presidido pelo pior ministro do supremo. Pior. Que tem a pior historia. Que era advogado do PCC [Primeiro Comando da Capital] em São Paulo. O maior grupo de narcotraficantes do Brasil. Assassinos de policiais militares, policiais penitenciários e policiais civis. E o advogado deles era o [ministro] Alexandre de Moraes. Hoje, desgraçadamente, veste [o ministro] uma toga do STF. [Alexandre] Desonra o supremo".

Ainda na entrevista, Jefferson pediu a "aposentadoria compulsória" dos 11 ministros do STF. "Não estou pedindo o fechamento do supremo. Estou pedindo aposentadoria compulsória dos 11 ministros de formação 'maoísta-marxista' que não permitem que um governo conservador avance em suas propostas e seus objetivos."

Entenda a operação

O inquérito das fake news no Supremo foi aberto em março do ano passado para apurar "a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, difamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares".

As ordens judiciais estão sendo cumpridas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

A assessoria do PTB confirmou que agentes federais estiveram na casa de Jefferson e que já deixaram o local.

Garcia, parlamentar de São Paulo, disse que a operação visa "calar os conservadores".

Nas redes sociais, Winter disse que a PF esteve em sua casa às 6h de hoje. "Levaram meu celular e notebook. Estou praticamente incomunicável". Ela ofendeu o ministro do Supremo e disse: "você não vai me calar".

Política