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1 mês

Após protesto, Doria diz não ter 'medo de agressões, ameaças, fake news'

Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

08/03/2021 13h26

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que não tem medo das ameaças que vem sofrendo por ter decretado a interrupção das atividades não essenciais no estado. A declaração de Doria vem um dia após manifestantes terem protestado em frente à sua casa na capital paulista, contra as medidas restritivas de combate à pandemia de covid-19.

"Não tenho medo de agressões, ameaças, fake news e daqueles que tentaram impor a mim o medo para recuar nas atitudes em defesa da vida", afirmou o governador paulista durante entrevista coletiva sobre a pandemia realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

"O Brasil precisa de paz, diálogo, compaixão e coragem para combater esses criminosos negacionistas, que preferem ver a morte do que defender a vida", acrescentou Doria, que registrou ontem uma denúncia na Polícia Civil sobre mensagens que recebeu com ameaças de morte.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Polícia Militar acompanhou a manifestação na frente da casa de Doria desde as 13h. Não houve registro de incidentes. A pasta informou que o protesto durou até as 19h35 e disse não ter uma estimativa do número de participantes do ato.

O governador de São Paulo aproveitou a coletiva para dizer que o responsável pela manifestação é o "gabinete do ódio", suposto grupo que coordena a propagação de notícias falsas e manifestações a favor do governo federal.

"O ponto de partida disso é o gabinete do ódio de Brasilia, que emana ordem pra combater jornalistas, médicos, cientistas, governadores e prefeitos que possam influenciar pela vida. Todos que se posicionam contra Jair Bolsonaro [sem partido] são alvo dessas milícias digitais. Lamento que assim o nível de conflagração só aumenta", atacou Doria.

Ele também prometeu não se submeter a nenhuma pressão política para voltar atrás nas restrições. "Quero registrar que, em São Paulo, vou continuar enfrentando a conduta criminosa de negacionistas, agressores e propagadores de fake news".

Contra essa turma do ódio, que preferem ser seguidores de mito que não protege a vida, estarei ao lado de todos que defendem a vida e não tem medo.
João Doria (PSDB), governador de São Paulo

O estado de São Paulo vem registrando recordes de internações por covid-19 e o governo estadual teme um colapso do sistema de saúde. Ontem, a taxa de ocupação de leitos de UTI para a doença chegou a 80%.

Para tentar reduzir os números, todo o estado entrou na fase vermelha do Plano São Paulo, de controle da pandemia, no último fim de semana. A medida vale até 19 de março, mas pode ser prorrogada.

O governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro são adversários políticos. Doria é visto como um possível candidato à presidência nas eleições de 2022, em que Bolsonaro deve tentar a reeleição. O presidente já repetiu diversas vezes que é contra medidas de restrição de circulação durante a pandemia.

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