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1 mês

Governo Bolsonaro promoveu 13 mudanças ministeriais só em 2021; relembre

Onyx, Ernesto e Salles são só alguns dos ministros que trocaram ou deixaram o cargo em 2021 - Michel Jesus/Câmara dos Deputados, Jefferson Rudy/Agência Senado e Eduardo Matysiak/Estadão Conteúdo
Onyx, Ernesto e Salles são só alguns dos ministros que trocaram ou deixaram o cargo em 2021 Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados, Jefferson Rudy/Agência Senado e Eduardo Matysiak/Estadão Conteúdo

Anaís Motta e Mariana Durães

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

29/07/2021 04h00Atualizada em 29/07/2021 15h25

Só nos primeiros sete meses de 2021, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já registrou trocas ou demissões em mais de dez ministérios. Ao todo, foram 13 mudanças, que começaram em fevereiro, com a saída de Onyx Lorenzoni do Ministério da Cidadania, posteriormente assumido por João Roma, chegando à nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, confirmada na terça-feira (27).

Relembre quem saiu e quem entrou em 2021, por ordem cronológica:

12/02: Onyx e Roma

Em fevereiro, Bolsonaro nomeou o então deputado federal João Roma (Republicanos-BA) para chefiar o Ministério da Cidadania no lugar de Onyx Lorenzoni, que, por sua vez, passou a ocupar o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Roma foi o primeiro integrante do Republicanos, partido do centrão, a compor o primeiro escalão do governo Bolsonaro. Como ministro da Cidadania, ele é responsável pelo auxílio emergencial e por programas sociais, como o Bolsa Família.

24/02: BC perde status

Pouco depois das nomeações de Lorenzoni e Roma, Bolsonaro sancionou o projeto de autonomia do Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto. Com a mudança, o BC perdeu o status de ministério — e Campos Neto, consequentemente, o de ministro.

Na ocasião, o presidente do BC comemorou a decisão, dizendo que a nova lei melhora o trânsito internacional do Brasil e pode facilitar a entrada do país na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que ainda não aconteceu.

23/03: Pazuello e Queiroga

Criticado por sua atuação no combate à pandemia de covid-19, o general Eduardo Pazuello pediu demissão do Ministério da Saúde e deu lugar ao médico cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto a comandar a pasta em meio à crise sanitária.

A indicação de Queiroga foi feita por Bolsonaro oito dias antes, em 15 de março, e a assinatura do termo de posse aconteceu sem cerimônia, fora da agenda.

29/03: Seis mudanças

Flávia Arruda - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Parte do "pacotão" de mudanças, Flávia Arruda (PL-DF) foi nomeada para a Secretaria de Governo
Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Menos de uma semana depois da troca na Saúde, Bolsonaro oficializou outras seis mudanças ministeriais de uma vez:

  • Fernando Azevedo e Silva deixou o Ministério da Defesa, que passou a ser ocupado pelo general Walter Braga Netto, então ministro-chefe da Casa Civil;
  • Com a saída de Braga Netto, o general Luiz Eduardo Ramos, então ministro-chefe da Secretaria de Governo, assumiu a Casa Civil;
  • No lugar de Ramos, entrou a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), que se torna ministra-chefe da Secretaria de Governo. Foi segunda representante do centrão no alto escalão;
  • André Luiz Mendonça deixou o Ministério da Justiça e volta à AGU (Advocacia-Geral da União), substituindo José Levi;
  • Anderson Torres, então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, assumiu o cargo de Mendonça no Ministério da Justiça;
  • Ernesto Araújo pede demissão do Ministério das Relações Exteriores, e Carlos Alberto França foi nomeado chanceler.

23/06: Salles e Leite

Alvo de investigações da Polícia Federal, Ricardo Salles pediu demissão do cargo de ministro do Meio Ambiente. Joaquim Álvaro Pereira Leite, que atuou por mais de 23 anos como conselheiro da SRB (Sociedade Rural Brasileira), assumiu a pasta, deixando a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais.

Na ocasião, Salles disse deixar o ministério da "forma mais serena possível".

27/07 - Ramos e Nogueira

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), mais um parlamentar do centrão, anunciou que aceitou o convite feito por Bolsonaro para assumir o comando da Casa Civil, que desde março era chefiada por Luiz Eduardo Ramos. Nas redes sociais, o parlamentar pediu "proteção de Deus" para cumprir o desafio "da melhor forma que puder".

Acabo de aceitar o honroso convite para assumir a chefia da Casa Civil, feito pelo presidente Jair Bolsonaro. Peço a proteção de Deus para cumprir esse desafio da melhor forma que eu puder, com empenho e dedicação em busca do equilíbrio e dos avanços de que nosso país necessita.
Ciro Nogueira, no Twitter

28/07 - Onyx e Ramos

Mais uma mudança envolvendo Onyx Lorenzoni e Luiz Eduardo Ramos: após deixar a Casa Civil, o general foi nomeado por Bolsonaro para a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Onyx; o deputado, por sua vez, assumiu o recém-recriado Ministério do Trabalho e Previdência.

Sob o comando de Onyx, a nova pasta ficará responsável pelas áreas de previdência, política para a geração de emprego e renda e de apoio ao trabalhador, entre outras. Também integram essa estrutura o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o Conselho Deliberativo do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia aceitado que cederia a Onyx a gestão de recursos do FGTS e do FAT, como adiantou a colunista do UOL, Carla Araújo.

Promessa não cumprida

Ainda durante a campanha eleitoral, em 2018, o então deputado federal Jair Bolsonaro prometeu "enxugar" o Estado e reduzir o número de ministérios, passando dos 29 do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) para 15. Logo após ser eleito, no entanto, ele fez uma ligeira mudança no discurso, dizendo que não chegaria a ter nem 20 ministros.

Depois, antes mesmo de tomar posse, anunciou 22 pastas. Na ocasião, Bolsonaro afirmou ter sido difícil reduzi-las ao número desejado para preservar a qualidade da gestão.

Agora, o governo federal tem 23 ministros. Além do Ministério do Trabalho e da Previdência, também foi recriado o Ministério da Comunicações. O Banco Central, por outro lado, perdeu o status de ministério após a sanção de sua autonomia, no final de fevereiro.

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