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AstraZeneca alertou em janeiro que não negociava via intermediários, diz TV

AstraZeneca enviou e-mail ao Ministério da Saúde informando que não negociava vacinas por intermediários no mercado privado - Reprodução/Globonews
AstraZeneca enviou e-mail ao Ministério da Saúde informando que não negociava vacinas por intermediários no mercado privado Imagem: Reprodução/Globonews

Do UOL, em São Paulo

29/07/2021 10h08

Documentos que já estão nas mãos da CPI da Covid revelam que a farmacêutica AstraZeneca informou ao governo federal em janeiro que não negociava vacinas contra a covid-19 por intermediários no mercado privado. As informações são da Globonews.

Um documento obtido pela emissora, de 29 de janeiro de 2021, mostra que uma diretora da companhia enviou um e-mail à Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde e à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) depois que a farmacêutica foi informada que uma companhia em Vila Velha (ES) havia oferecido doses do imunizante ao governo brasileiro.

Toda a produção da vacina AZD 1222 durante o período da pandemia é destinado exclusivamente a governos e organizações internacionais de saúde ao redor do mundo, ou seja, não há possibilidade de comercialização da vacina produzida pela AstraZeneca no mercado privado Trecho de e-mail enviado pela AstraZeneca

No entanto, no início de julho, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou que, em fevereiro deste ano, o então diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, deu aval para que o reverendo Amilton Gomes de Paula, que preside a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), negociasse a compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro com a empresa Davati Medical Supply.

Cruz foi exonerado no dia 8 de julho. A referência a Lauricio também ocorreu em depoimento à CPI da Covid de Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply. Segundo Dominghetti, ele esteve com três servidores da pasta durante as negociações: o então secretário-executivo, Elcio Franco; o diretor de Logística, Roberto Ferreira Dias; e o "seu Lauricio". Dias e Elcio Franco também já foram exonerados.

Dominghetti acusou Roberto Dias de pedir propina de US$ 1 por dose em uma suposta negociação para a aquisição de 400 milhões de unidades da vacina Oxford/AstraZeneca. Em depoimento à CPI, Roberto Dias negou que tenha pedido propina.

Procurado pela GloboNews, o Ministério da Saúde não respondeu. O UOL também procurou a pasta e aguarda retorno.