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Após Bolsonaro, comandante da Marinha repete: se quer paz, prepare a guerra

Da esquerda para a direita, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro Walter Braga Neto, Bolsonaro, Almirante Almir Garnier Santos e Tenente-Brigadeiro do Ar Baptista Júnior - Reprodução/Facebook
Da esquerda para a direita, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro Walter Braga Neto, Bolsonaro, Almirante Almir Garnier Santos e Tenente-Brigadeiro do Ar Baptista Júnior Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo*

03/09/2021 08h32Atualizada em 03/09/2021 12h55

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarar que uma guerra não se ganha com flores e "quem quer a paz" precisa "se preparar para a guerra", o Comandante da Marinha almirante de esquadra Almir Garnier Santos repetiu ontem a frase em seu Twitter oficial ao divulgar uma operação da corporação.

"'Si vis pacis, para bellum' (Se quer paz, prepare a guerra)", escreveu o comandante ao divulgar a Operação Poseidon 2021.

A publicação cita a embarcação do almirante no "Navio Aeródromo Multipropósito 'Atlântico', acompanhando o Ministro da Defesa", general Walter Braga Netto, alinhado direto do chefe do Executivo.

"A operação envolve militares e equipamentos da Marinha, do Exército e da Força Aérea", informou Garnier.

Fala de Bolsonaro

O presidente Bolsonaro disse na quarta-feira (1º), após entregar medalhas de mérito desportivo a atletas olímpicos militares, que uma guerra não se ganha com flores e "quem quer a paz" precisa "se preparar para a guerra".

As afirmações ocorreram depois de um discurso quase todo voltado para a parte esportiva, em evento no Rio de Janeiro. Ao entregar uma medalha especial para o boxeador Hebert Conceição, campeão olímpico em Tóquio, ele se despediu dizendo: "enfia a porrada, guerreiro".

Na sequência, Bolsonaro disse a seguinte frase com referência ao provérbio romano.

Com flores não se ganha guerra não, pessoal. Quando se fala em armamento, quem quer a paz, se prepare para a guerra."
Jair Bolsonaro em evento com atletas

A frase praticamente encerrou a participação de Bolsonaro e não foi acrescida de nenhuma citação concreta ao que se referia ao formular a afirmação.

Porém, a declaração de Bolsonaro mais uma vez incentivando o armamento e falando em guerra ocorre em um momento de tensão no Brasil com as manifestações de 7 de setembro organizadas por seus apoiadores.

O presidente tem incentivado os protestos do Dia da Independência com discursos muitas vezes considerados golpistas, embora diga que pretende continuar atuando dentro das 4 linhas da Constituição Federal.

Esta semana, por exemplo, Bolsonaro disse que "nunca uma outra oportunidade para o povo brasileiro será tão importante" ao se referir ao dia 7 de setembro. Mesmo com o discurso inflamado, ontem, o atual mandatário declarou que "ninguém precisa temer o 7 de setembro".

A bandeira inicial das manifestações seria a defesa do voto impresso, defendido por Bolsonaro em meio a alegações infundadas de que urnas eletrônicas são passíveis de fraude. Porém, recentemente o presidente passou a se referir aos protestos, nos quais promete comparecer, como em defesa da liberdade.

O presidente tem atacado o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por causa da sua inclusão no inquérito das fake news e de prisões recentes de bolsonaristas como o deputado Daniel Silveira e o presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Bolsonaro diz que defende uma liberdade de expressão absoluta, ignorando o entendimento majoritário de que os direitos previstos na Constituição não são absolutos quando entram em conflito com outros, cabendo ao juiz sobrepesar caso a caso qual deve prevalecer.

Operação Poseidon

A operação aeronaval integrada Poseidon 2021 reúne 830 militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea na costa do Rio de Janeiro. O exercício começou no dia 28 de agosto e prossegue até amanhã, com exercícios de pouso e decolagem no Navio Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico.

Além da capacitação no pouso, os militares realizam exercícios de infiltração de mergulhadores de combate, evacuação aeromédica (Evam) de feridos e tiro real sobre alvo à deriva. O treinamento conjunto foi proposto pelo Ministério da Defesa e tem por finalidade o aumento contínuo da interoperabilidade entre as Forças.

O exercício foi acompanhado, ontem, pelo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, pelo comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier, e pelo almirante de esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa.

O comandante da Marinha declarou que a operação tem o propósito de ajudar na integração entre as Forças.

"Cada vez mais, o Ministério da Defesa, o Estado-Maior Conjunto e as Forças Armadas visam operar de maneira integrada", ressaltou Garnier.

*Com informações da Agência Brasil

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.