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1 mês

Josias: desunião da oposição tira impeachment de Bolsonaro da vitrine

Colaboração para o UOL, no Rio

13/09/2021 10h51Atualizada em 13/09/2021 12h15

O colunista do UOL Josias de Souza avaliou os protestos de ontem como um palanque para a chamada terceira via política do país. Convocados principalmente pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua, manifestantes foram às ruas ontem contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Essas manifestações foram bem mixurucas. Se elas serviram para alguma coisa foi para potencializar a impressão de que a união das forças antibolsonaristas faz a farsa. O golpismo exibido pelo Bolsonaro em 7 de setembro tinha devolvido o impeachment à vitrine, e o desinteresse e a incapacidade da oposição de se unir empurram essa ferramenta de novo para o fundo da loja", disse Josias, no UOL News desta manhã.

Os atos de ontem foram considerados vazios. A quantidade do público presente deu munição para os bolsonaristas classificarem os protestos como "fiasco".

Em São Paulo, vários pré-candidatos à Presidência discursaram, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) e o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta (DEM).

A desarticulação entre eles reforça a percepção de que a terceira via tem um excesso de cabeças e uma carência de miolos. O petismo padece da mesma moléstia. A diferença é que o PT tem uma cabeça só. O Lula conversa, é sua vocação hegemônica
Josias de Souza

Mudança de slogan

Josias diz que os atos de ontem foram organizados há pelo menos dois meses para ter o slogan "nem Lula, nem Bolsonaro". No entanto, segundo ele, os movimentos tentaram emplacar a bandeira única do "fora Bolsonaro", após os atos golpistas do presidente no 7 de setembro.

"Seria mais agregador, mas já era tarde. O cheiro de terceira via se tornou muito mais forte do que a defesa da democracia. Essa desarticulação dos adversários do Bolsonaro oferece ao presidente a oportunidade de cavalgar, fazendo pose de moderado. A moderação vai durar só até a próxima crise, que pode acontecer nos próximos cinco minutos", diz Josias.

O colunista do UOL também destacou a falsa impressão de que Bolsonaro é forte nas ruas por causa dos atos de 7 de setembro. De acordo com ele, o presidente se apresenta como um político minoritário frente aos seus adversários.

Ele é de fato um presidente minoritário, mas reúne capacidade, mostrou isso no dia 7 de setembro, de levar gente para rua. Se ele mantém o apoio de algo em torno de 20% do eleitorado, vai para o segundo turno
Josias de Souza

Josias afirma ainda que "Bolsonaro não é um personagem qualquer" na política brasileira. Ele acredita que "embora enfraquecido" politicamente, o presidente teria condições de chegar ao segundo turno das eleições do ano que vem.

"Se a terceira via não se articula, não revela alguma capacidade de mobilização, aí esse quadro de polarização se mantém", diz, sobre bolsonaristas e a esquerda.

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