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1 mês

Bolsonaro ataca Moraes por prisão de Jefferson e Zé Trovão: 'Uma violência'

Do UOL, em São Paulo

09/12/2021 08h45Atualizada em 09/12/2021 10h30

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e disse que a prisão dos bolsonaristas Roberto Jefferson, Zé Trovão e Oswaldo Eustáquio "é uma violência sem tamanho". A declaração foi dada em entrevista à Gazeta do Povo.

Lamento a prisão do jornalista [Oswaldo Eustáquio], do Trovão, Roberto Jefferson está preso ainda... Isso é uma violência sem tamanho praticada por um ministro do STF [Alexandre de Moraes].
Presidente Jair Bolsonaro ataca Moraes em entrevista

Os ataques acontecem quase três meses após Bolsonaro publicar uma carta aberta, que simbolizou um recuo após os atos antidemocráticos de 7 de setembro, quando o presidente incitou apoiadores contra o STF, chamou Moraes de "canalha" e disse que não cumpriria qualquer ordem do ministro.

Após a divulgação da carta, Bolsonaro e Moraes conversaram por telefone. A conversa foi intermediada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), que indicou o ministro à Corte. "Passei o telefone para o presidente [Bolsonaro] e ele deu uma palavra de quatro, cinco minutos, mas muito amigável, fraternal e adequada", contou Temer.

Os ataques diminuíram naquele momento, mas agora o presidente volta a subir o tom contra o STF.

Para Bolsonaro, o problema do Brasil não é a legislação. "Alguns do Judiciário resolvem ignorar e ser a Constituição, a lei", disse antes de se queixar de um novo inquérito aberto contra ele por Moraes, para investigar a falsa associação entre a vacinação contra a covid-19 e um aumento de chance de contrair o vírus HIV.

"É um abuso. É o que eu disse: ele está no quintal de casa. Será que ele vai entrar? Será que ele vai ter coragem de entrar? Não é um desafio para ele. Quem tá avançando é ele, não sou eu", afirmou na entrevista à Gazeta do Povo.

Investigações contra bolsonaristas

Oswaldo Eustáquio

Eustáquio foi preso temporariamente por dez dias em junho do ano passado. Ele foi alvo da Operação Lume da PF, que investiga os organizadores de atos antidemocráticos, e é um dos principais suspeitos no inquérito das fake news no STF (Supremo Tribunal Federal). A Justiça determinou a sua prisão domiciliar posteriormente.

O blogueiro voltou a ser preso seis meses depois pela polícia após violar as restrições da prisão domiciliar impostas pelo STF, como a viagem a São Paulo para produzir o vídeo com informações falsas contra o então candidato ao governo de São Paulo Guilherme Boulos. Depois foi novamente solto pela Justiça.

Zé Trovão

Apoiador do presidente Bolsonaro, o caminhoneiro e youtuber Zé Trovão é um dos investigados em um inquérito aberto em abril de 2020 para apurar a organização de atos antidemocráticos, tendo como pano de fundo manifestações que pediam intervenção militar, fechamento do STF e do Congresso.

Segundo o Moraes, as investigações feitas pela PF mostram a "presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhante àqueles identificados com a nítida finalidade de atentar contra a democracia e o Estado de Direito."

Zé Trovão passou dois meses foragido no México, afirmando que não retornaria ao Brasil por receio de ser preso. No entanto, em 26 de outubro, ele se apresentou espontaneamente à Polícia Federal (PF) em Joinville, cidade onde mora.

Ontem, a Primeira Turma do STF formou maioria para que a prisão preventiva de Zé Trovão seja mantida. A defesa dele havia pedido um habeas corpus.

Roberto Jefferson

O ex-deputado e presidente afastado do PTB, Roberto Jefferson, é investigado no inquérito das chamadas milícias digitais, que apura a organização e o financiamento de atos contra a democracia e levou à prisão de Jefferson em agosto.

Segundo Moraes, as investigações apontam que o bolsonarista usou parte do fundo partidário do PTB "para financiar, indevidamente, a disseminação de seus ataques às instituições democráticas e à própria Democracia" por meio de postagens nos perfis oficiais dele e do próprio PTB.

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