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Bolsonaro faz novos ataques a ministros do STF: 'Parece que têm interesses'

Presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúne com os ministros do Supremo Tribunal Federal (ST), Alexandre de Moraes e Edson fachin. Relação não é das mais amistosas. Foto: Marcos Corrêa/PR - Presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúne com os ministros do Supremo Tribunal Federal (ST), Alexandre de Moraes e Edson fachin. Relação não é das mais amistosas. Foto: Marcos Corrêa/PR
Presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúne com os ministros do Supremo Tribunal Federal (ST), Alexandre de Moraes e Edson fachin. Relação não é das mais amistosas. Foto: Marcos Corrêa/PR Imagem: Presidente Jair Bolsonaro (PL) se reúne com os ministros do Supremo Tribunal Federal (ST), Alexandre de Moraes e Edson fachin. Relação não é das mais amistosas. Foto: Marcos Corrêa/PR

Do UOL, em São Paulo

16/02/2022 18h51

O presidente Jair Bolsonaro (PL) subiu o tom e acusou três ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de quererem torná-lo inelegível para as próximas eleições, em outubro, mas "na base da canetada", em suas palavras. O chefe do Executivo federal referia-se aos ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que também compõem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A declaração foi feita por Bolsonaro durante entrevista à TV Jovem Pan News, nesta quarta-feira (16).

Agora, o que fica da ação desses três ministros do STF, me parece que eles têm um interesse, né? Primeiro, buscar uma maneira de me tornar inelegível, na base da canetada. A outra, é eleger o seu candidato. Jair Bolsonaro, durante entrevista ao programa Pingo nos Is, da Jovem Pan News

Bolsonaro acusou ainda os ministros de agirem como adolescentes, de terem um partido e um candidato —neste caso, citou nominalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal rival político no próximo pleito— e criarem uma narrativa contra ele.

"Lamentavelmente, isso cada vez mais se torna bastante transparente para todo o Brasil (...) e a ação desses três ministros contra [o aplicativo de mensagem] Telegram? Baseado em quê? Fake news? Mentiras? Isso daí é muito esquisito. A gente espera que tenha um fim. Mas, lamentavelmente, nós temos três ministros do STF agindo dessa maneira, com uma perseguição clara contra a minha pessoa, claríssima", concluiu Bolsonaro.

Durante a entrevista, o presidente também reclamou da fala do ministro Fachin, que disse mais cedo que o TSE já pode estar sendo alvo de hackers da Rússia. Ele classificou para a fala como um "constrangimento", já que está em viagem oficial ao Leste Europeu.

Ao UOL, a assessoria do STF disse que não vai comentar as declarações do presidente Bolsonaro.

Conflito entre os Poderes

A relação de Bolsonaro com o TSE — e principalmente com os ministros Moraes e Barroso — é conturbada, sendo marcada por ataques públicos do presidente e críticas dos dois lados.

No mês passado, Bolsonaro acusou Edson Fachin de ser "trotskista e leninista" por ter votado contra o marco temporal das terras indígenas. Quando Fachin anulou as condenações do ex-presidente Lula, no ano passado, Bolsonaro disse que o ministro tem "forte ligação com o PT".

Já o conflito entre Bolsonaro e os ministros Moraes e Barroso é ainda mais intenso. No ano passado, o presidente xingou Barroso de "filho da p...". Também em 2021, Bolsonaro atacou Moraes durante ato do 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo, chamando-o de "canalha" e afirmando que não obedeceria às decisões do ministro.

O presidente é investigado por ter divulgado em suas redes sociais, em agosto, documentos sobre uma tentativa de invasão aos sistemas do TSE. O objetivo do presidente, à época, era questionar a segurança das urnas eletrônicas.

Barroso, então presidente do TSE, criticou abertamente o presidente por ter vazado o documento — nas palavras dele, "faltam adjetivos" para descrever a atitude de Bolsonaro.

O presidente deveria ter comparecido no início de fevereiro para prestar depoimento à Polícia Federal sobre esse caso, por ordem de Alexandre de Moraes, mas não foi. Os dois travam uma batalha judicial sobre esse depoimento desde então.

Também é de interesse do presidente e de seu grupo político o debate sobre como o aplicativo Telegram será enquadrado no Brasil. O app constantemente ignora pedidos de autoridades brasileiras para adotar medidas de combate à desinformação e é utilizado por Bolsonaro e seus filhos para divulgar informações. Para o presidente, o "cerco" ao Telegram é "covardia".

Apesar dos conflitos, Moraes e o colega de STF Edson Fachin foram ao Planalto entregar a Bolsonaro convite para a cerimônia de posse do novo comando do TSE, marcada para o próximo dia 22. A partir dessa data até agosto, Fachin será o presidente da Corte e Moraes, o vice-presidente. Depois, Moraes assume o cargo máximo.

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