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Apesar de impasse com PSB, PT confirma apoio à chapa de Freixo no Rio

PT de Lula mantém apoio a Freixo e candidatura de André Ceciliano (à. esq.) - Ricardo Stuckert/ Divulgação
PT de Lula mantém apoio a Freixo e candidatura de André Ceciliano (à. esq.) Imagem: Ricardo Stuckert/ Divulgação

Do UOL, em São Paulo

05/08/2022 13h39Atualizada em 05/08/2022 16h46

Após dias de discussões em meio a um impasse com o PSB no Rio de Janeiro, o PT anunciou hoje que vai manter o apoio à candidatura do deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) ao governo do estado. A sigla frisou, no entanto, que só tem um candidato à vaga ao Senado na chapa, o deputado estadual André Ceciliano (PT-RJ).

O Rio de Janeiro se tornou o último estado em que ainda havia um grande entrave entre os dois partidos que compõem a chapa principal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora o apoio a Freixo já estivesse selado, inclusive com visita e palanque junto a Lula no mês passado — o que chegou a gerar desinteligência entre as militâncias —, a insistência do lançamento do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) para a vaga de senador enfureceu o PT fluminense.

Segundo os petistas, havia um acordo firmado previamente que, em contrapartida de Lula endossar o nome de Freixo no estado, o candidato ao Senado seria indicado pelo PT. Molon, por sua vez, disse não ter combinado nada e sustenta que manterá a candidatura. Procurado hoje pelo UOL, ele não comentou a decisão do PT, mas convocou uma entrevista coletiva para o fim da tarde.

No começo da semana, o diretório estadual do PT defendeu romper a aliança com Freixo, mas a executiva nacional do partido decidiu hoje por mantê-la. Freixo tem aparecido em segundo lugar nas pesquisas, atrás do governador Cláudio Castro (PL).

O martelo foi batido no começo da tarde de hoje, último dia para realização das convenções partidárias segundo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e divulgado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em suas redes sociais. "A Comissão Executiva Nacional do PT confirma o apoio à chapa Marcelo Freixo (PSB) para governador e André Ceciliano (PT) para senador no Rio de Janeiro", escreveu Hoffmann.

Essa posição por parte do partido já era esperada. Ontem (4), Gleisi já havia adiantado à imprensa que o PT não abriria mão da candidatura de Ceciliano e esperava que o PSB cumprisse o acordo, para fortalecer a união de Lula e Freixo.

Se desvincular de Freixo à essa altura também seria a pior opção para Lula, que tem boa relação com o ele e já amarrou seu nome ao dele. Não à toa, mesmo dentro do partido tem havido pressão para que os ânimos sejam acalmados.

Também ontem, o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, que sempre se declarou a favor do rompimento, já tinha desistido do pedido da iniciativa e pediu liberação da militância para apoiar outros candidatos.

Internamente, a avaliação do PT é que Molon tem melhor desempenho com a esquerda da cidade do Rio de Janeiro, com trânsito entre artistas. Mas, ainda segundo apuração do UOL, o parlamentar não tem espaço na Baixada ou no interior, onde Ceciliano, como candidato apoiado por Lula, tem mais potencial.

Pensamento semelhante os petistas têm em relação ao Freixo. Para os membros do partido, o deputado precisa mais do apoio de Lula do que o contrário, em especial para ganhar força para além da zona sul carioca.

Molon também não participou da convenção nacional do PSB na última sexta (29), que referendou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) como vice e teve a presença de Lula, e tem sofrido pressão dentro do próprio partido para que largue o osso.

Embora, de acordo com o estatudo partidário do PSB, a executiva estadual tenha soberania sobre a nacional, o PSB também tem pressionado para que a aliança não seja desfeita. Nesta semana, anunciou que, caso Molon siga com a candidatura, não terá acesso ao fundo partidário.

Agora, com coletiva marcada para as 17h de hoje, a expectativa é que ele anuncie a desistência da candidatura, apoiada por artistas e intelectuais, e busque reeleição na Câmara dos Deputados.

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