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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta terça-feira (28)

Do UOL, em São Paulo

28/04/2020 13h36Atualizada em 28/04/2020 16h08

A crise do coronavírus vem atacando diversos setores no Brasil. Não é só uma questão de saúde, mas ganhou desdobramentos na Economia e na política, com os problemas do presidente Jair Bolsonaro com o agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Enquanto tudo isso se desenrola, os estados lutam para lidar com as mortes, que seguem em alta, como em Manaus, que tem problemas com enterros, e o DF, com casos subindo em presídios.

Os números atualizados ontem pelo Ministério da Saúde mostram 66.501 casos oficiais e 4.205 mortes confirmadas. No entanto, as atenções se dividem entre a pandemia e a crise no governo. Na noite de ontem, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a abertura de um inquérito contra ele após declarações dadas na sexta-feira por Moro.

Pelo mundo, os Estados Unidos chegaram à marca de 1 milhão de infectados pela covid-19 e a Alemanha enfrenta o medo de uma segunda onda de contaminações.

Manaus segue sofrendo com enterros; RJ teve corpos acumulados

Manaus é a capital mais atingida pela pandemia e registrou no domingo o maior número de enterros em um dia na cidade. Caso a média de 130 mortes causadas pelo coronavírus por dia seja mantida, Manaus poderá ser obrigada a sepultar as vítimas em sacos plásticos nas próximas semanas.

Manaus - SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação no cemitério Parque de Manaus, com coveiros colocando caixões dentro de vala aberta
Imagem: SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) solicitou ao governo federal um avião de carga para o transporte de 2 mil urnas para a capital do Amazonas. Segundo a entidade, existem apenas mil urnas no estoque da cidade, uma das mais afetadas pela pandemia.

"Se o governo não oferecer um avião para o transporte de urnas, poderemos chegar ao ponto de termos corpos jogados nas esquinas. O transporte rodoviário demora dias e a necessidade é imediata", afirma.

Outra cena dramática foi registrada no final de semana no Rio de Janeiro, onde pelo menos 15 corpos de vítimas da doença se acumularam nos corredores de um hospital em Duque de Caxias por lotação no necrotério.

Corpos acumulados são retirados de hospital em Duque de Caxias, no Rio - Prefeitura de Duque de Caxias - Prefeitura de Duque de Caxias
Corpos acumulados são retirados de hospital em Duque de Caxias, no Rio
Imagem: Prefeitura de Duque de Caxias

Em São Paulo, já são mais de 2 mil mortes. O governo de São Paulo anunciou que a Grande São Paulo tem 81% dos leitos de UTI ocupados.

Enfrentando a fase da aceleração da pandemia, o estado de São Paulo chegou a 24.041 casos oficiais e 2.049 mortos por covid-19. O número mostra um aumento de 12% no número de infectados que morreram pela doença causada pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas - maior índice desde o início da pandemia.

Isolamento cai, mas não há plano B

Além do problema registrado acima, o Brasil ainda vê uma constante queda no isolamento social, que é citado pela OMS como principal método para desacelerar o combate ao coronavírus.

Pela quinta semana seguida, a média de pessoas em casa caiu no Brasil, chegando a 51,5% —mesmo com um feriado nacional na terça-feira (21). É o que mostram os dados de geolocalização dos celulares compilados pela In Loco, startup brasileira que criou o IIS (Índice de Isolamento Social) e monitora diariamente a movimentação de 60 milhões de aparelhos.

  • 23/03 a 29/03 - 57,17%
  • 30/03 a 05/04 - 53,27%
  • 06/04 a 12/04 - 52,30%
  • 13/04 a 19/04 - 51,87%
  • 20/04 a 26/04 - 51,55%

O infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip alertou: o distanciamento social é a única medida eficaz que temos no momento para evitar a transmissão da covid-19 e não há plano B.

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", o médico, que foi infectado pelo coronavírus e precisou se isolar por 14 dias, reiterou a necessidade de a taxa de isolamento social ficar acima de 50%.

"Essa regressão [do isolamento] não pode acontecer, e eu sei o quanto é difícil ficar de quarentena. Só que não tem plano B neste momento. Não tem vacina nem medicamento. O que podemos fazer é o distanciamento social", declarou Uip.

Testes poderão ser feitos em farmácias; empresas adquirem

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje (28) a aplicação de testes rápidos para a detecção do novo coronavírus (covid-19) em farmácias. Com a decisão, a realização deixará de ser aplicada apenas em ambiente hospitalar e clínicas das redes públicas e privadas.

Ao menos 25 empresas em São Paulo compraram testes de imunidade ao covid-19 para determinar quais funcionários voltarão a trabalhar presencialmente. As companhias partem do pressuposto de que quem já se infectou pelo novo coronavírus não pegaria a doença novamente.

No entanto, a OMS alertou no último fim de semana, que essa imunidade é provável, mas não certa. As empresas, de médio e de grande porte, já entraram em contato com laboratórios para a realização dos testes, conforme identificou levantamento da reportagem do UOL junto a três dos maiores do setor na cidade.

O banco Santander, por exemplo, pretende testar funcionários de cargos de direção e gerência, para que eles possam voltar a trabalhar presencialmente.

Casos em prisões do DF ligam alerta

Cela no Complexo da Papuda, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress - Pedro Ladeira/Folhapress
Cela no Complexo da Papuda, em Brasília
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

A Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe) registrou ontem 219 casos de coronavírus no sistema penitenciário. Desses, 155 são detentos, sendo que um já se recuperou da doença, e 64 são policiais penais — um também já recuperado. São, portanto, 217 casos ativos e dois recuperados.

Segundo a Sesipe, não há caso grave entre os contaminados, mas cinco internos que apresentaram sintomas moderados da doença estão internados no Hospital Regional da Asa Norte por precaução.

EUA: 1 milhão de infectados

Os Estados Unidos passaram ontem de mais de um milhão de casos confirmados do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em todo o país, segundo dados do site Worldometer. De acordo com o site, que monitora em tempo real a situação da pandemia, o país possui no total 1.010.507 contaminações, além de 56.803 mortos e 814.552 casos ativos da doença, sem contar a quantidade de óbitos e de pessoas recuperadas.

Nova York, que é o epicentro da pandemia nos EUA, tem pouco mais de 290 mil casos confirmados da doença, número maior de que diversos países pelo mundo. Além disso, o estado contabiliza mais de 17,3 mil vítimas.

Se agora apoia medidas de isolamento, o presidente Donald Trump suprimiu informações da covid-19, de acordo com a imprensa norte-americana. Ele recebeu advertências em várias ocasiões sobre os perigos do novo coronavírus em janeiro e fevereiro, informa o jornal The Washington Post.

Os alertas, incluídos em relatórios confidenciais diários recebidos pelo presidente, foram feitos no momento em que o Trump minimizava a ameaça da covid-19. Durante semanas, relatórios rastrearam a propagação do vírus e advertiram que a China estava suprimindo informações sobre a letalidade e facilidade de transmissão do vírus, com menções às terríveis consequências políticas e econômicas. Mas Trump, dizem fontes do jornal, não lê relatórios. O presidente só decretou emergência nacional em março.

Espanha respira, Alemanha se preocupa

A Espanha registrou pelo quinto dia seguido menos de 400 mortes. Foram 301 - 30 a menos que nas 24 horas anteriores. O total no país de óbitos é de 23.822.

No entanto, isso leva os olhares da saúde para a economia. A taxa de desemprego na Espanha subiu para 14,4% da população ativa no primeiro trimestre, período em que o país começou a sentir impacto da pandemia do novo coronavírus. O índice é o segundo mais elevado da Eurozona, superado apenas pela Grécia.

A Itália passou dos 200 mil casos. De acordo com balanço da Defesa Civil, o país contabiliza 201.505 casos, atrás apenas dos Estados Unidos (1 milhão) e da Espanha (232 mil) em termos absolutos. Foram 382 óbitos confirmados em relação ao dia anterior.

Já a Alemanha, que recentemente anunciou algumas medidas de reabertura, teme por uma segunda onda da doença. A taxa de contágio do novo coronavírus voltou a subir na Alemanha, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Robert Koch (RKI).

A taxa que indica em média para quantas pessoas um infectado transmite o vírus estava em 0,9 nos últimos dias, mas passou para 1. O RKI alertou que a covid-19 tem potencial para voltar a se espalhar exponencialmente se esse índice estiver acima de 1.

Brasileiros não conseguem voltar de Portugal

Acampados em frente ao Aeroporto de Lisboa, em Portugal, cerca de trinta brasileiros esperam a chance de voltar ao Brasil em meio a pandemia do coronavírus, desde sábado (25). Sem qualquer assistência oficial, eles contam apenas com a ajuda da população local para se protegerem do frio e se alimentarem.

Embora todos eles já estejam cadastrados na lista de contatos do Consulado, não conseguem embarcar em nenhum dos voos de repatriação. Eles enfrentam pressão da polícia para deixarem o local que ocupam e lidam com doenças como diabetes desassistidos.

portugal - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Brasileiros aguardam em aeroporto de Portugal
Imagem: Arquivo Pessoal

Luto no samba

Diretor de bateria da escola de samba Unidos do Porto da Pedra, Anderson Dias da Silva morreu na tarde de ontem vítima da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Também conhecido como Andinho, o sambista estava na UTI do hospital Luiz Palmier, em São Gonçalo.

"Andinho sempre foi símbolo de alegria e irreverência. Um dos braços direitos do mestre Pablo, era impossível não perceber e se divertir com a presença dele em nossos ensaios, saídas e desfiles", escreveu a escola de samba em publicação nas redes sociais.

Olimpíada: Como adiamento pode virar cancelamento

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, adiados para 2021, serão cancelados se a pandemia de coronavírus não for controlada, afirmou hoje o presidente do comitê organizador, Yoshiro Mori, em uma entrevista ao jornal Nikkan Sports.

Se a pandemia continuar, "deverão ser cancelados", declarou Mori, ao explicar que os Jogos Olímpicos não poderão sofrer um novo adiamento. "Será extremamente difícil celebrar os Jogos no próximo ano se uma vacina não for produzida", acrescentou o presidente da Associação Médica do Japão, Yoshitake Yokokura.

No futebol, há quem já esteja marcando data para o retorno, como a Coreia, e quem estude como fazer isso, como a Alemanha.

Marvel: Trabalhadores essenciais = heróis

A Marvel, editora de histórias em quadrinhos que conta com personagens como Hulk, Homem de Ferro e Capitão América, publicou hoje em seu perfil no Twitter uma arte transformando trabalhadores essenciais em super-heróis, à la Vingadores.

O desenho é de Mike Hawthorne, colorido por Edgar Delgado, e retrata, entre outros profissionais, uma enfermeira, uma médica e um policial, tidos como essenciais em meio à pandemia do coronavírus.

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