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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta terça-feira (19)

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 13h28Atualizada em 19/05/2020 20h06

O Brasil se tornou o país com o segundo maior número de casos do novo coronavírus nos últimos 14 dias, o que gera preocupação de que nos tornemos o novo epicentro da pandemia. Um dos principais alertas é em torno dos povos indígenas.

Somaram-se 146,4 mil novos casos do coronavírus nos últimos 14 dias. No levantamento do Centro Europeu para a Prevenção e Controle Doenças, da União Europeia, o país soma 254 mil casos desde o início da crise.

A contagem dos últimos 14 dias serve, porém, para saber onde existe uma progressão forte e entender a geografia do vírus pelo mundo. O prazo de 14 dias ainda se refere ao período de incubação da doença. Com os 146,4 mil casos nestas duas semanas, o Brasil superou a Rússia, que somou 145,4 mil casos. Mas Moscou ainda tem um total de 290 mil pessoas contaminadas desde o início da crise.

A liderança continua sendo dos EUA, com 327 mil casos em 14 dias e um total de 1,5 milhão de pessoas infectadas.

Num comunicado emitido hoje em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) afirma estar preocupado com a situação do Brasil e em particular com indivíduos de origem indígena. Alguns povos têm se tratado com ervas.

"Com a propagação da pandemia do Coronavirus pela América Latina, o ACNUR alerta que muitas comunidades indígenas deslocadas estão agora perigosamente expostas e em risco", disse a porta-voz Shabia Manto.

Com a COVID-19 atingindo duramente esta região amazônica e o Brasil emergindo como um epicentro da pandemia, o ACNUR está preocupado que muitos possam lutar sem condições adequadas de saúde e saneamento"

Números oficiais

A última atualização do Ministério da Saúde, divulgada hoje, mostra que, nas últimas 24 horas, foram contabilizados 1.179 óbitos pela doença causada pelo coronavírus, com média de uma a cada 73 segundos. Ao todo, o país registra 17.971 mortes pela covid-19.

O país atingiu 271.628 diagnósticos, sendo 17.408 casos confirmados entre ontem e hoje. Ao menos 146.863 seguem em acompanhamento e, segundo a pasta, cerca de 106.794 se recuperaram da doença.

Ministério, sem dono, culpa governadores e prefeitos

No mesmo dia em que o Brasil ultrapassou os 250 mil casos do novo coronavírus, ontem, a primeira coletiva técnica do Ministério da Saúde desde a saída de Nelson Teich foi comandada pelo secretário-executivo adjunto da pasta, Élcio Franco, e pelo secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

Os dois alegaram que a ausência de um titular à frente do ministério não é um empecilho no combate à covid-19 e apontaram estados e municípios como responsáveis por adquirir equipamentos para tratar a doença.

Diante da ausência do ministro interino Eduardo Pazuello, Élcio Franco destacou que o general, atual número um da Saúde, não iria interferir em uma área que fugisse ao seu conhecimento e acrescentou que o segredo da gestão é "saber usar a sua equipe".

Sobre as obrigações federais, afirmou que "é uma demanda extra ao ministério, que não tinha a expertise para aquisição de respiradores e EPIs, uma vez que era uma tarefa atribuída a estados e municípios. Estamos apenas reforçando, ajudando os estados e municípios no enfrentamento à covid", declarou Franco.

O secretário, ainda, afirmou que "pela estrutura tripartite, caberia aos estados e municípios equipar os seus hospitais", em referência aos pedidos por auxílio para disponibilizar novos leitos em unidades de saúde. Ele também observou que os recursos enviados às regiões são acréscimos à estrutura já oferecida pelo SUS.

São Paulo determina feriados para evitar lockdown

A cidade São Paulo, epicentro da pandemia no país, segue tomando medidas alternativas a um lockdown para tentar conter os contágios. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou hoje a lei que antecipa dois feriados para amanhã e quinta-feira. Além disso, a sexta-feira será ponto facultativo.

O feriadão ainda pode ganhar mais um dia, a segunda-feira (25), caso o estado antecipe mais uma data. A medida tenta aumentar os índices de isolamento social na capital e diminuir o contágio pelo novo coronavírus.

Na cidade de São Paulo, foram antecipados os feriados de Corpus Christi (que seria celebrado no dia 11 de junho) e da Consciência Negra (20 de novembro). "O decreto não se aplica às unidades de saúde, segurança urbana, assistência social e do serviço funerário", segundo o texto assinado por Covas.

Seis hospitais municipais da cidade estão com os leitos de UTI lotados, afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido ontem. Não há mais vagas nas unidades de Cidade Tiradentes, Mooca, Jabaquara, Itaquera, Vila Mariana e Parelheiros.

Segundo boletim divulgado de ontem, 91% dos leitos de terapia intensiva dos hospitais administrados pela Prefeitura estão ocupados.

O estado de São Paulo registrou 324 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, o que representa o maior número desde o começo da pandemia do novo coronavírus. O recorde de óbitos fez o total de vítimas fatais chegar a 5.147, com 65.995 casos oficiais.

Internações caem, mas isso é perigoso

Hospitais privados do país registraram uma queda média de 27% no número total de internações no segundo bimestre (março e abril) de 2020, em comparação ao mesmo período de 2019. A pandemia afugentou pacientes em risco de morte de emergências e atendimentos.

Se levarmos em conta os quatro primeiros meses deste ano, a queda de internações chega a 18%. Ocorreu alta somente no número de internações por doenças infecciosas (onde está inclusa a covid-19): um aumento de 28% em relação a 2019. "Esse dado é uma amostragem de hospitais que nos responderam, mas esse é o quadro em quase todo local", explica Ribeiro.

A preocupação dos hospitais está na redução da busca por tratamento para problemas de saúde que não podem esperar e não apresentaram redução de casos mesmo com a quarentena. Nesse grupo, estão doenças crônicas e problemas agudos que necessitam de pronto atendimento.

Flavio Bolsonaro acusa SP de supernotificação

Em meio a uma guerra política do presidente Jair Bolsonaro contra os governadores e os decretos de isolamento social, o MPF (Ministério Público Federal) iniciou uma investigação para apurar as mortes pelo novo coronavírus em São Paulo.

Flavio - ADRIANO MACHADO - ADRIANO MACHADO
Imagem: ADRIANO MACHADO

A Procuradoria abriu o procedimento a partir de uma representação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que afirma estar havendo "uma supernotificação" de mortes por covid-19 no estado.

O objetivo, disse na petição, é "manipular os dados para desgastar politicamente o presidente [Jair Bolsonaro, seu pai] e as suas orientações frente ao combate ao coronavírus", acusa o senador, que no fim de semana foi acusado de ter sido avisado sobre investigação da Polícia Federal de maneira irregular.

O UOL apurou que Flavio tem um pedido de cassação parado há três meses no Senado, quando PT, PSOL e Rede entregaram uma representação no Conselho de Ética da Casa contra ele. Ainda não houve decisão quando ao destino do pedido, que envolve acusação de quebra de decoro por suposto envolvimento com milícias.

Bolsonaro sanciona com vetos linha de crédito

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou, com vetos, a lei que cria linha de crédito para micro e pequenas empresas durante a crise do novo coronavírus. A linha de crédito do chamado Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) será de até até 30% da receita bruta anual da empresa, calculada com base no exercício de 2019.

A medida pode ajudar a levar recursos a microempreendedores que estão reclamando da falta de acesso a recursos para atravessar a crise.

O crédito atende microempresa, com faturamento anual de até R$ 360 mil, e pequena empresa, que fatura até R$ 4,8 milhões e terá prazo total para pagamento de 36 meses, com taxa máxima de juros igual à Selic (3% ao ano) mais 1,25% ao ano.

Ainda sobre economia, começou hoje o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600 para quem teve o cadastro aprovado pela Dataprev na semana passada. Segundo a Caixa, 8,3 milhões de pessoas vão receber a primeira parcela até 29 de maio. O valor total do lote supera R$ 5,3 bilhões.

O pagamento para esse grupo será feito em etapas, por mês de nascimento, e estará imediatamente disponível para saque. Hoje, o dinheiro deve ser depositado para os nascidos em janeiro.

Opas não recomenda cloroquina

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) reforçou hoje, durante coletiva de imprensa virtual, que não recomenda a utilização da hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. No Brasil, o medicamento é considerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como uma arma no combate à pandemia.

"A posição da Opas é que não há nenhuma prova que indique a recomendação da hidroxicloroquina e da cloroquina para uso diante da covid-19. Ainda não temos os resultados dos ensaios clínicos que sugerem a eficácia desse medicamento", considerou o doutor Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da entidade.

Tabagismo e coronavírus: combinação catastrófica

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, disse que como o tabagismo é fator de risco para infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares, e o novo coronavírus tem aí sua principal porta de entrada, a "combinação é catastrófica".

Análise publicada na China, dos primeiros casos de covid-19, comparando grupos de fumantes e não fumantes, mostrou que a doença teve evolução mais grave e maior índice de letalidade no grupo de fumantes.

Alguns artigos mostraram 1,5 vez mais, outros 2,4 vezes mais. Ou seja, você mais do que duplica a chance de a doença se agravar e duplica os óbitos em relação ao grupo que não fuma"

China estuda tratamento sem vacina

Pesquisadores chineses dizem ter desenvolvido um tratamento capaz de interromper a pandemia da covid-19. Um medicamento em fase de testes na prestigiada Universidade de Pequim ("Beida") permitiria não apenas acelerar a cura dos doentes, mas também imunizar temporariamente contra a covid-19, apesar de não se tratar de vacina.

O diretor do Centro de Inovação Avançada em Genômica de Beida, Sunney Xie, explicou que o tratamento funciona em camundongos. Seu laboratório extraiu anticorpos de 60 pacientes curados da doença e os injetou em roedores.

"Após cinco dias, sua carga viral foi dividida por 2.500. Isso significa que esse medicamento em potencial tem um efeito terapêutico", relatou.

Em outro estudo, na Coreia do Sul, pesquisadores têm encontrado evidências de que pacientes que se recuperam, mas depois testam positivo novamente para coronavírus não conseguem transmitir a doença e podem ter anticorpos que impedem uma recaída.

Vereador passa a apoiar isolamento ao perder pai

Pouco mais de um mês após defender a abertura do comércio no início da pandemia do novo coronavírus no Pará, o vereador de Belém Sargento Silvano (PSD) teve dez pessoas da família infectadas com a covid-19.

Vereador que era contra isolamento muda de ideia após perder pai para covid - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O pai dele, o aposentado Francisco Rodrigues Lopes, de 65 anos, não resistiu e morreu ontem, entrando para a estatística que contabiliza 1.330 óbitos pela doença no estado. São 14.734 infectados.

A defesa pelo fim do isolamento social ocorreu em 27 de março, em uma rede social. O vereador escreveu que, em um mês, "todos" iriam ver que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "tinha razão" sobre a abertura imediata do comércio como medida para "preservar os empregos".

Silvano mudou de discurso. Para ele, não adianta preservar os empregos se a pessoa "não vai levar nada" ao morrer com a doença.

Boas notícias: Refeições solidárias e trabalho remunerado

No começo de março, quando as portas do Refettorio Gastromotiva, no Rio de Janeiro, fecharam para seguir as recomendações de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Gastromotiva, ONG de gastronomia social que opera o espaço, continuou a receber os alimentos que chegam de seus parceiros e patrocinadores.

Projeto une refeições solidárias e ocupação remunerada durante a pandemia - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Mas sem poder alimentar as pessoas que costumam fazer fila para comer as cerca de 90 refeições diárias servidas ali (algumas delas para garantir a única refeição do dia), a instituição passou a destinar as doações a iniciativas parceiras que continuam atendendo moradores de rua nesse cenário de insegurança e de crise econômica, o que tem levado ainda mais pessoas à situação fome no mundo todo.

O e-mail de uma ex-aluna mudou o destino dos alimentos e possibilitou à ONG, que surgiu em 2004 para usar o ensino da gastronomia como ferramenta de inclusão, manter seu propósito mesmo durante a quarentena. E ainda ajudar uma rede de empreendedores a seguir trabalhando, sendo remunerado por fazer as refeições.

Kuwait: lei ajuda poligâmicos na pandemia

A pandemia do novo coronavírus virou um obstáculo para famílias do Kuwait que vivem em poligamia. Muitos homens casados com múltiplas mulheres, com mais de uma residência, têm enfrentado dificuldade para estarem presentes com todas elas, uma vez que o país do Oriente Médio está em um restrito lockdown - isolamento total. Assim, o país teve de criar uma medida para permitir que os maridos não deixem esposas desassistidas.

Abu Othman é um dos milhares de homens que está numa situação semelhante. Ele tem duas esposas, que moram em casas diferentes. "Minha vida ficou tão complicada...", lamentou o homem de 45 anos, pais de dez crianças destas duas mulheres, à AFP.

Tendo em vista este problema, o Kuwait introduziu permissões especiais para que maridos em poligamia possam visitar suas esposas, o que só pode ocorrer em visitas de uma hora de duração, duas vezes por semana. No entanto, isso gera problemas familiares, com mulheres se dizendo preteridas nas escolhas dos maridos.

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