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Doria evita mais restrições e anuncia vacina para 72 a 74 anos em 22/3

Douglas Porto, Leonardo Martins, Rafael Bragança e Allan Brito

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

10/03/2021 13h25

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), evitou hoje anunciar medidas mais restritivas para o controle da pandemia de covid-19, um dia depois de o estado atingir um novo recorde de mortes diárias. Além de manter as regras da fase vermelha do Plano São Paulo, Doria anunciou uma próxima etapa de vacinação contra a doença causada pelo novo coronavírus. A partir do dia 22, serão imunizados idosos entre 72 e 74 anos.

Atualmente, o estado ainda vacina idosos com 77 anos ou mais, mas o governo paulista já anunciou nesta semana que pessoas com 76 e 75 anos começarão a ser vacinadas na próxima segunda-feira (15). Na capital, a Prefeitura de São Paulo retomará a vacinação no sistema drive-thru, que havia sido suspenso no último sábado (6).

Recorde de mortes e colapso

Com apenas atividades essenciais em funcionamento desde o fim de semana e quase 20 unidades de saúde já com 100% da ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para a covid-19 no estado, era esperado que Doria anunciasse novas medidas restritivas, como restrições ao horário de funcionamento do comércio que permanece aberto. Mas o governador optou por adiar a possibilidade de anúncio de uma fase roxa do Plano São Paulo, em estudo desde o fim de fevereiro.

Com as internações em alta, a pressão crescente sobre o sistema de saúde deixa o atendimento médico cada vez mais ameaçado.

"São Paulo criou o Plano São Paulo [que coordena a adoção de medidas restritivas], definiu o decreto de obrigatoriedade do uso de máscaras, trouxe vacinas, continuamos a ampliar leitos, distribuímos respiradores, estamos prestando assistência para todos os municípios. Mas não daremos conta de abrir mais leitos. Precisamos da ajuda de todos", disse o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn.

crono - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Cronograma atualizado da campanha de vacinação contra a covid-19 em São Paulo
Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

O estado já soma 19 unidades de saúde em colapso, com 100% dos leitos de UTI para a covid ocupados. Até ontem, outros seis hospitais também registravam ocupação acima de 95%. Ontem, foram registrados 517 óbitos por covid em 24 horas.

Tragédia anunciada

Não é a primeira vez que Doria adia um aperto nas restrições de circulação. Há pelo menos dois meses, os membros do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo avisam o governo estadual sobre uma piora crescente nos dados da pandemia e a possibilidade de um colapso no sistema de saúde.

Nesse mesmo período, segundo apuração da reportagem, o comitê sugeriu, em praticamente todas as reuniões junto ao governador, que a circulação fosse reduzida ao máximo, adotando a fase vermelha em todo estado ou mesmo um toque de recolher a partir das 22h.

As orientações foram recebidas, mas amenizadas pelo governador. Um exemplo foi a adaptação do "toque de recolher" para "toque de restrição", anunciado no fim de fevereiro.

Os principais argumentos do governo para não adotar uma medida rígida como lockdown seria a pressão do setor comercial, que envolve desde lojistas até agricultores do interior paulista, e a falta de auxílio emergencial à população, que não poderia trabalhar e, assim, não teria dinheiro para se alimentar.

A resposta oficial, então, tem sido a criação de novos leitos. Na última segunda (8), a gestão de Doria prometeu abrir 280 leitos de emergência para a covid-19 até o fimde março, que serão instalados em 11 unidades de saúde na capital, no litoral e no interior, considerados como novos hospitais de campanha. Hoje, foram anunciados mais 338 novos leitos, sendo 167 para UTI.

O governo paulista também tem feito apelos à população para seguir as regras da fase vermelha, além de reforçar a importância do uso de máscaras. Desde o último sábado, apenas atividades essenciais podem funcionar em todo o estado, que vê a piora da pandemia impulsionada, principalmente, pela transmissão da variante de Manaus do coronavírus, tida como mais contagiosa.

Atraso na coletiva

A coletiva de Doria, que normalmente começa às 12h45, foi adiada para as 13h hoje e teve alguns minutos de atraso. A essa hora, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizava uma entrevista à imprensa —a primeira desde da anulação das condenações da Lava Jato.

"O Brasil é maior que Lula e Bolsonaro", disse Doria a jornalistas. "Agora é hora de cuidar de saúde, não de política, muito menos de sucessão presidencial."

O tucano, no entanto, é apontado como possível candidato à eleição presidencial em 2022.

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