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Boeing desaparecido mudou de direção e altitude várias vezes, segundo NYT

Em Washington

14/03/2014 21h37

O Boeing 777 da Malaysia Airlines desaparecido há uma semana mudou várias vezes de direção e altitude após perder contato com as torres de controle, revela nesta sexta-feira (14) o jornal "The New York Times", no momento em que um navio de busca americano segue para o Golfo de Bengala.

Segundo o jornal, que cita fontes ligadas à investigação, o avião que partiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim subiu a 13.700 metros de altitude, muito acima do limite permitido para um Boeing 777.

Sinais de radar registrados pela Marinha da Malásia revelam que após atingir os 13.700 metros, o avião passou a descer de maneira irregular até a altitude de 7 mil metros, quando se encontrava na zona de Penang, uma ilha malaia muito povoada.

Em seguida, o Boeing --que seguia para sudoeste-- recuperou altitude e mudou de curso para noroeste, em direção ao oceano Índico.

Nesta sexta-feira, o Pentágono anunciou que um navio e um avião de vigilância americanos se dirigem para o Mar de Andaman e o Golfo de Bengala, no oceano Índico, possível local de queda do Boeing.

"A pedido da Malásia, o 'USS Kidd' está no norte do estreito de Malaca, no que chamamos de zona de busca ocidental", disse o coronel Steven Warren, porta-voz do Pentágono.

Um avião de vigilância P-8 Poseidon realizará as buscas numa área muito maior, na zona setentrional da baía de Bengala e no norte do Oceano Índico, explicou o oficial.

Um segundo destróier americano que participa na busca, o "USS Pinckney", se dirigirá à Cingapura para realizar operações de manutenção.

Segundo investigadores americanos citados pelo "Wall Street Journal", o Boeing da Malaysia Airlines pode ter voado durante quatro horas após o último contato com a torre de controle.

A aeronave poderia ter viajado por centenas ou milhares de quilômetros depois do último contato com os controladores aéreos, à 1h30 de sábado (14h30 de Brasília, sexta-feira), uma hora depois de ter decolado de Kuala Lumpur.

O controle aéreo perdeu o contato com o avião entre a costa oriental da Malásia e o sul do Vietnã.

Os investigadores americanos, que pediram para não ser identificados, baseiam a hipótese nos dados transmitidos automaticamente pelos motores Rolls Royce, que equipavam o Boeing 777.

Assim, apesar da possibilidade de o sistema de rádio ser intencionalmente cortado a bordo, este sistema de transmissão automática poderia permitir revelar o mistério sobre o destino do avião.

"As autoridades americanas de combate ao terrorismo exploram a pista segundo a qual um piloto ou alguém a bordo pode ter desviado (o avião) para um destino secreto, depois de cortar intencionalmente os equipamentos de transmissão (emissor-receptor rádio), afirma o Wall Street Journal, que cita um investigador que trabalha no caso.

O avião poderia assim ter sido desviado ou sequestrado "com a intenção de ser utilizado mais tarde com outros objetivos", acrescenta o jornal.

A New Scientist também faz referência ao fato de que a Rolls Royce recebeu automaticamente duas séries de dados do voo MH370 (na decolagem e na fase de elevação) em seu centro de vigilância em tempo real de motores, situado em Derby, no Reino Unido.

As buscas cobrem atualmente 27 mil milhas náuticas (quase 90 mil quilômetros quadrados, o que praticamente equivale à superfície de Portugal). Doze países, incluindo Estados Unidos, China e Japão, participam nas operações, com 42 navios e 39 aviões, além do uso de satélites.

Uma semana após o desaparecimento do voo MH370, o mistério aumenta a cada dia sobre o destino do avião e das 239 pessoas a bordo, de diversas nacionalidades, incluindo 153 chineses.

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