PUBLICIDADE
Topo

Carlos Madeiro

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Covid: Nenhuma criança ou adolescente morreu por conta da vacina, diz Saúde

17.set.2021 - Adolescente de 14 anos vacinado contra a covid-19 no RJ - Ricardo Moraes/Reuters
17.set.2021 - Adolescente de 14 anos vacinado contra a covid-19 no RJ Imagem: Ricardo Moraes/Reuters
Carlos Madeiro

Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e com especialização em gestão de conteúdo em jornalismo pela Universidade Mackenzie, Carlos Madeiro atua há 20 anos e escreve para o UOL desde 2009, participando de grandes coberturas e fazendo reportagens e análises sobre o Nordeste e o Norte do Brasil.

Colunista do UOL

28/04/2022 04h00

Passados dez meses do início da vacinação contra a covid-19 da faixa etária abaixo de 18 anos no Brasil, nenhuma criança ou adolescente morreu em decorrência de efeito adverso da vacina. O dado consta em boletim epidemiológico especial do Ministério da Saúde, que investigou 38 óbitos notificados por estados e municípios e descartou que eles tenham sido provocados pela vacina.

A vacinação de adolescentes foi aprovada no dia 11 de junho de 2021 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que liberou a vacina da Pfizer para a faixa etária de 12 a 17 anos. A vacina para crianças entre 5 e 11 anos foi liberada apenas em dezembro do ano passado.

Segundo o documento, divulgado na terça-feira (26), desde o início da vacinação até o dia 12 de março, o ministério recebeu a notificação de 3.463 casos de eventos adversos na faixa etária abaixo de 18 anos. Destes, 419 (ou 12,1% do total) foram graves e 38 resultaram em morte, segundo classificação das vigilâncias epidemiológicas municipais e estaduais.

A análise dos casos foi feita com base no sistema de informação e-SUS Notifica, onde há um módulo para que vigilâncias epidemiológicas municipais e estaduais comuniquem casos de eventos adversos. Com base nessas informações, todos os casos de óbito são investigados para comprovar ou descartar que a vacina está ligada à causa da morte.

Segundo a investigação, a média de idade dos óbitos informados pelas vigilâncias foi de 13 anos e teve a mesma proporção entre os sexos. O intervalo de tempo entre a vacinação e o início do evento adverso é de, em média, 30 dias.

Uma das revelações do documento é que alguns dos óbitos notificados nem sequer estavam dentro do intervalo possível entre a aplicação da dose e o óbito. "Quatro eventos ocorreram com mais de 30 dias após a vacinação, evidenciando uma relação temporal inconsistente de acordo com a classificação de evento adverso", aponta.

Do total de comunicados de eventos adversos feitos ao ministério, 38 (ou 1,1%) terminaram em morte, sendo 36 casos relacionados à vacina Pfizer e dois, à CoronaVac.

Após a investigação dos casos, os 38 óbitos notificados foram avaliados e classificados como:

  • Reações coincidentes ou inconsistentes: 23;
  • Inclassificáveis devido à necessidade de informações: 13;
  • Dados conflitantes em relação à causalidade: 2.

Até o momento, não há registro de evento adverso com desfecho óbito na faixa etária de cinco a menores de 18 anos com relação causal com as vacinas utilizadas confirmada
Boletim especial do Ministério da Saúde

Efeitos comprovados

Para especialistas ouvidos pela coluna, o resultado mostra como a vacinação nessa faixa etária é segura e confere grande eficácia.

"O boletim confirma o perfil de segurança demonstrado nos estudos de fase 3 e que propiciaram o licenciamento da vacina no público de crianças e adolescentes. Portanto, vacinar continua sendo a melhor forma de prevenção para esse público, sem dúvidas", afirma a pediatra Melissa Palmieri, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) em São Paulo.

"A gente já esperava esse resultado [da Pfizer]; e no caso da CoronaVac é uma vacina de vírus inativado, igual a outras usadas há muita décadas e nada reatogênica", avalia Mônica Levi, diretora da SBIm. A dose liberada da vacina Pfizer é de apenas 1/3 da vacina para adultos e adolescentes.

A gente quer proteger crianças e adolescente com segurança, e está provado --aqui e no mundo-- que evento adverso é extremamente raro. Esses dados mostram, para quem tinha medo ou receio de levar seu filho, que é hora vacinar! É o momento de vencer a desinformação.
Mônica Levi, SBIm

Ao contrário das vacinas, a covid-19 já foi responsável pela morte de 2.933 pessoas entre 10 e 19 anos, segundo dados dos cartórios de registro civil colhidos ontem (27) no portal da transparência da covid.

A doença, por sinal, se tornou a principal causa de morte natural para essa faixa etária no país.

Criança indígena da etnia Poty, de 9 anos, foi uma das primeiras crianças a receber vacina em SP - SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO - SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO
Criança indígena da etnia Poty, de 9 anos, foi uma das primeiras crianças a receber vacina em SP
Imagem: SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Entre adultos, segurança comprovada

No que se refere à vacinação somando todas as faixas etárias, o acompanhamento dos eventos adversos também continua apontando para uma grande segurança de todos os imunizantes utilizados no Brasil.

Até o dia 12 de março, foram 142.401 eventos adversos notificados ao ministério, sendo mais de 90% (130,4 mil) considerados não graves. Houve ainda 26.315 erros de imunização.

É considerado evento adverso grave qualquer evento que requeira hospitalização e que tenha ao menos um desses itens:

  • Risco de morte ou exigência de intervenção clínica imediata para evitar o óbito;
  • Disfunção significativa e/ou incapacidade permanente;
  • Anomalia congênita;
  • Óbito.

Em termos proporcionais, são idosos os que mais sofrem com efeitos adversos:

Incidência EAPV - Reprodução/Boletim - Reprodução/Boletim
Laranja: CoronaVac; azul: AstraZeneca; verde: Jansen; roxa: Pfizer
Imagem: Reprodução/Boletim

Segundo as notificações dos departamentos de vigilância, apenas 4,1 doses em cada 100 mil aplicadas apresentam eventos adversos graves.

Como tem feito em boletins passados, a pasta compara o risco de ter um evento adverso com o de ser internado com doença grave ou de morrer por covid-19. Até o dia 2 de abril, lembra o boletim, foram 3.074.283 internações por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e 660 mil óbitos confirmados pela covid-19 no Brasil.

De acordo com o relatório, 1,4% da população brasileira (ou 1.451 a cada 100 mil habitantes) foi internada ou morreu por SRAG entre 2020 e abril de 2022. No mesmo período, a mortalidade por covid-19 foi de 311,7 a cada 100 mil habitantes. Os dados indicam que a chance de ser internado por SRAG é 354 vezes maior do que a de sofrer um evento adverso da vacina. A chance de morrer por covid-19 é 76 vezes maior.