Conteúdo publicado há 27 dias
Carlos Madeiro

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Polícia: Jogo do Tigrinho cria 'novos' sites para enganar usuário perdedor

A investigação da Polícia Civil de Alagoas sobre uma suposta fraude na divulgação e operação de cassinos online, como o Jogo do Tigrinho, descobriu uma planilha com valores recebidos por um influenciador apontando para uma grande quantidade de plataformas que pagavam pelos serviços de "publicidade".

O documento, ao qual o UOL teve acesso, aponta que 18 plataformas pagaram a esse influencer valores entre R$ 1.500 a R$ 15 mil, anotados na planilha como "salário" —totalizando R$ 185 mil. Não há data no documento.

Segundo o delegado de Estelionatos de Maceió, Lucimério Campos, o grande número de plataformas não se trata de uma concorrência, mas de uma prática dos proprietários: a mudança dessas páginas e links para buscarem manter apostadores.

Os proprietários, que geralmente são chineses, criam as plataformas e delas lançam os links de acesso para jogar e o link 'demo'. Eles exploram por um tempo e depois derrubam e criam outras, que vão mudando o nome.
Lucimério Campos

Planilha achada com um dos influenciadores
Planilha achada com um dos influenciadores Imagem: Reprodução

O delegado explica que isso ocorre porque as pessoas, ao perceberem que estão perdendo dinheiro, "passam a desacreditar daquela plataforma" e buscam novas na esperança de ganhar. "Eles criam e lançam plataformas constantemente, e os influenciadores vão fazendo novas divulgações."

As investigações apontaram que os influencers recebiam um link diferente, de uma conta de demonstração (chamada "demo"), que seria programada para ganhar. Por isso, os divulgadores postavam sempre ganhando prêmios e lançando "novas" plataformas.

Salário?

A planilha de controle de um dos influenciadores, que foi apreendida pela polícia, tem uma coluna informando "salário". O delegado acredita que a expressão deve se referir ao valor pago pela divulgação da plataforma, e não um valor fixo mensal.

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Acredito que seja o valor da publicidade porque esses contratos são feitos com base em dias de divulgação, pelo que vimos aqui na investigação. Não vimos publicidade por mês ou fixa.
Lucimério Campos

Lancha apreendida na operação Game Over, em Alagoas
Lancha apreendida na operação Game Over, em Alagoas Imagem: Polícia Civil de Alagoas/Divulgação

As investigações culminaram na Operação Game Over, deflagrada na segunda-feira, que mirou 12 alvos e pediu apreensão no valor de R$ 38 milhões —montante movimentado desde outubro de 2023, quando a apuração teve início. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal. Carros de luxo, lancha e dinheiro foram apreendidos.

No caso, segundo a investigação, um influencer com mais de 1 milhão de seguidores chegava a receber R$ 300 mil por um contrato de divulgação por sete dias de uma plataforma em suas redes sociais.

Esses contratos, indicam escutas telefônicas, eram feitas de forma informal e envolvia agenciadores da plataforma no Brasil e intermediários, que faziam contato com influencers e seus assessores.

Além dos salários, a planilha ainda tem outra coluna que cita valores recebidos por comissão.

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Para a polícia, essas comissões fazem parte do acerto que os influenciadores faziam para receber porcentagem do valor investido por apostadores nas plataformas desses cassinos online.

Em uma das conversas pelo WhastApp, uma influenciadora afirma que cobra R$ 25 mil a cada mil novos depositantes nas contas abertas ou mantidas na plataforma anunciada.

Print de conversa capturada pela polícia
Print de conversa capturada pela polícia Imagem: Reprodução

Os suspeitos estão sendo investigados por estelionato, contravenção de jogo de azar, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como os nomes dos investigados e das plataformas não foram divulgados, o UOL não teve como localizar as defesas. O espaço segue aberto para manifestação.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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