'Resgate' em presídio mirou líder de facção que desafiava polícia na Bahia
A ação que resgatou 16 presos do Conjunto Penal de Eunápolis (BA), no fim da noite desta quinta-feira (12), tinha como principal alvo Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá do PCE (Primeiro Comando de Eunápolis).
Dadá é líder da facção e tem uma ficha criminal extensa, com acusações e condenações por assassinato, tráfico de drogas, roubo e organização criminosa. A primeira denúncia contra ele remonta ainda a 2007.
Dadá é nome conhecido da Justiça pela sequência crimes e por desafiar a polícia, como consta em sentença de cumprimento de pena por tráfico de drogas e organização criminosa, de maio de 2022, do juiz Otaviano Andrade de Souza Sobrinho, da Primeira Vara Criminal de Eunápolis.
A ousadia do denunciado desafiar o sistema repressivo do Estado era constante em total afronta aos órgãos de segurança pública, andava armado com duas pistolas de uso restrito, uma de calibre 9 mm Luger e a outra de calibre 45, propalando que iria "matar policiais", referindo-se a estes como "vermes" - isto, enquanto desenvolvia planos para adquirir um fuzil semiautomático calibre 7.62, para facilitar as suas pretensões.
Sentença
Segundo denunciou o MP-BA, Dadá e sua companheira, conhecida "Naninha", se articularam "alugando vários imóveis, como depósito de drogas." Nesse caso, ele foi condenado a 12 anos, nove meses e 27 dias de prisão.
Sobre a facção
Com nome inspirado no PCC, o PCE que entrou é conhecido por atuar na região de Eunápolis e na região conhecida como Costa do Descobrimento (que inclui os municípios de Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Belmonte).
Ela tem relações com o PCC, de quem compra drogas para revender na região. O principal grupo rival da facção é a Mercado do Povo Atitude, a MPA, que também tem forte atuação na região.
Eunápolis, localizada no sul da Bahia, possui relevância estratégica devido à sua posição geográfica e à proximidade com rotas de tráfico de drogas.
A facção foi a responsável, em outubro do ano passado, pela morte do casal Ana Júlia Freire, 22, e Carlos André dos Santos, 29, que passavam o feriado em Porto Seguro e foram mortos quando estavam a caminho de casa, em Eunápolis, quando foram mortos. Um papel deixado junto ao corpo de Carlos continha a frase "PCE É BALA".
André, que tinha 18 marcas de tiros no corpo, em especial no tórax, seria integrante desse grupo rival, e a morte dele seria uma retaliação a um assassinato de um membro do PCE um ano antes.
A fuga
Homens armados invadiram a prisão por volta das 23h. Segundo a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização), "troca intensa de tiros" aconteceu e a polícia foi chamada, mas não chegou a tempo.
Os 16 fugitivos estavam em duas celas diferentes, que foram abertas pelos homens armados. A Seap não informou se algum agente penal ficou ferido na ofensiva. Também não há dados sobre quantas pessoas teriam invadido o local.
Segurança do acesso à penitenciária é feita por empresa privada. A Reviver, que se apresenta como "empresa privada especializada em administração prisional", gere o local junto à Seap desde 2012.
Veja lista dos fugitivos abaixo:
- Romildo Pereira dos Santos
- Valtinei dos Santos Lima
- Sirlon Riserio Dias Silva
- Mateus de Amaral Oliveira
- Geifson de Jesus Souza
- Ednaldo Pereira Souza
- Anderson de Oliveira Lima
- Altieri Amaral de Araújo
- Anailton Souza Santos
- Fernandes Pereira Queiroz
- Giliard da Silva Moura
- Rubens Lourenço dos Santos
- Thiago Almeida Ribeiro
- Idario Silva Dias
- Isaac Silva Ferreira
- William Ferreira Miranda
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