PUBLICIDADE
Topo

Diogo Schelp

Por covid-19 de Trump e idade de Biden, atenções se voltam para seus vices

8.jul.2020 - O vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence usa máscara protetiva em coletiva sobre força-tarefa contra o coronavírus, em Washington - Carlos Barria/Reuters
8.jul.2020 - O vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence usa máscara protetiva em coletiva sobre força-tarefa contra o coronavírus, em Washington Imagem: Carlos Barria/Reuters
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

05/10/2020 15h42

Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, os candidatos a vice nas eleições presidenciais despertam pouca atenção ou interesse dos eleitores e da imprensa. A decisão no momento de votar é orientada pela preferência entre os candidatos principais. Normalmente, pouco se sabe ou se procura saber sobre os vices. Devido às circunstâncias extraordinárias da atual campanha presidencial nos Estados Unidos, porém, este ano promete ser diferente. Os motivos são a idade elevada dos candidatos Joe Biden, de 77 anos, e Donald Trump, 74, e o fato de o segundo ter sido hospitalizado com covid-19 no sábado (3).

O vice-presidente Mike Pence, que concorre à reeleição com Trump, e a companheira de chapa de Biden, a senadora democrata Kamala Harris, realizam nesta quarta-feira (7) o primeiro e único debate televisivo entre os vices desta campanha. Acredita-se que audiência será maior do que em eleições anteriores. Os eleitores terão um olho no confronto entre Pence e Harris e o outro nas notícias sobre a recuperação de Trump da covid-19.

Mesmo recebendo alta do hospital, as dúvidas sobre o estado de saúde do presidente dificilmente se dissiparão esta semana. Trump ainda tem pelo menos mais 10 dias de quarentena para respeitar (o que não será tarefa fácil de cumprir, como se viu na saidinha da internação para abanar para apoiadores protagonizada por ele neste domingo, 4). E as informações desencontradas sobre o real nível de gravidade com que a covid-19 se abateu sobre Trump, passadas por assessores da Casa Branca e por seu médico particular, aumentam a percepção de incerteza sobre a capacidade do presidente de seguir em frente com sua candidatura.

No caso de Biden, que testou negativo para covid-19 na última sexta-feira (2), o que pesa é a idade, fator apontado por seus eleitores como a principal inquietacão que eles têm em relação ao candidato democrata (31% dizem que isso é o que mais os preocupa nele, segundo pesquisa da Pew Research). Se eleito, Biden terminará o primeiro mandato aos 82 anos de idade.

A senadora democrata Kamala Harris, companheira de chapa de Joe Biden - Yuri Gripas/Reuters - Yuri Gripas/Reuters
A senadora democrata Kamala Harris, companheira de chapa de Joe Biden
Imagem: Yuri Gripas/Reuters

Antes mesmo do diagnóstico e da internação de Trump, Pence, de 61 anos, e Harris, 55, já eram candidatos a vice menos obscuros do que o normal. No início da campanha presidencial de 2016, por exemplo, seis em cada dez americanos nunca tinham ouvido falar ou pouco conheciam dos dois candidatos a vice, o democrata Tim Kaine e o republicano Mike Pence. De lá para cá, porém, Pence, por exercer o cargo de vice-presidente, tornou-se largamente conhecido pela população. E Kamala Harris, por sua forte presença no senado, está longe de ser uma incógnita completa. Dois em cada três americanos dizem ter informações suficientes para ter uma opinião sobre ela, segunda pesquisa ABC News/Ipsos.

O debate entre os dois, esta semana, será uma oportunidade para saber o que eles fariam em momentos de crise como a atual, caso tivessem que assumir a presidência em caráter temporário ou definitivo. Pence terá muito a explicar, pois foi nomeado por Trump como chefe da Força Tarefa do Coronavírus. E Harris terá o desafio de criticar a gestão Trump na pandemia sem parecer insensível ao fato de o presidente estar lutando contra a doença que ele próprio negligenciou durante meses.

Dada a alta probabilidade de os próximos dois debates presidenciais serem cancelados por causa da infecção de Trump pelo novo coronavírus, o encontro entre Pence e Harris pode ser a última chance de confrontar as ideias e as propostas das duas campanhas. E de conhecer melhor o republicano ou a democrata que, numa fatalidade, se tornaria presidente dos Estados Unidos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL