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Jamil Chade


Torcedores devotos colocam saúde em risco, alerta pesquisa de Oxford

8.jul.2014 - David Luiz, zagueiro da seleção brasileira, chora na semifinal da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha - Eddie Keogh/Reuters
8.jul.2014 - David Luiz, zagueiro da seleção brasileira, chora na semifinal da Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha Imagem: Eddie Keogh/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

24/01/2020 05h40

Que a vida de um torcedor devoto e entregue ao seu time não é fácil, todos sabem. Mas um estudo agora revela que existem riscos para a saúde. Principalmente se o resultado em campo abalou um país.

Durante o drama da semifinal entre Brasil e Alemanha, em 2014, pesquisadores da Universidade de Oxford colheram saliva dos torcedores brasileiros, enquanto o time levava uma surra história de 7 x 1 em Belo Horizonte.

A partida havia sido escolhida para ser uma das que seria testada muito antes de se saber que Brasil e Alemanha se enfrentariam. 40 torcedores foram testados antes, durante e depois do jogo. O mesmo foi realizado em outras duas partidas daquela Copa do Mundo. Nas demais, porém, o Brasil saiu vencedor, ainda que de maneira sofrida. Os testes ocorreram na partida contra a Colômbia e contra o Chile.

Agora, a pesquisa está sendo apresentada e revela que os níveis elevados de cortisol hormonal, abrindo um risco real para um ataque cardíaco. O estudo apontou como tais descobertas podem significar um aumento da pressão arterial e um elevado estresse físico. De uma forma geral, o cortisol elevado pode constringir vasos sanguíneos e danificar um coração já enfraquecido.

Ao longo de um certo período de tempo, torcedores nesta situação podem ganhar peso, ver um aumento da pressão e ter seu sistema imune afetado.

Ainda que a diferença entre os resultados não tenham sido substanciais entre homens e mulheres, os pesquisadores ingleses apontam que a variação está condicionada à ligação que existe entre o torcedor e o time. Quanto maior a sensação de que ele e a equipe fazem parte de algo "único", maior o risco. A tese, portanto, é de que a "devoção" do torcedor estaria ligada a essa situação.

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