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Jamil Chade

Líder, Brasil tem uma em cada quatro mortes por covid-19 no mundo

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

14/04/2021 04h52

Resumo da notícia

  • Na semana que terminou no dia 11 de abril, o Brasil registrou 20,6 mil das 76 mil mortes no mundo
  • Impacto da variante do vírus na eficácia das vacinas é alvo de preocupação por parte da OMS

Novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil continua a somar o maior número de mortes por covid-19, na semana que terminou no dia 11 de abril, mesmo com uma queda no total de novos contaminados no período avaliado. Em seu informe semanal publicado nesta quarta-feira, a agência destaca como mais de 26% dos óbitos pela doença no mundo ocorreram no Brasil.

De acordo com a OMS, foram 20,5 mil mortes no pais, contra um número global de 76 mil. A taxa mundial sofreu um aumento de 7%.

O total de mortes no Brasil foi ainda quatro vezes superior ao que os EUA registraram na semana, com 5,1 mil, e 4,6 mil na Índia.

Nem mesmo a queda marginal nos números brasileiros entre a semana anterior e a semana examinada - de 3% - tiraram a liderança mundial do país. Para a OMS, apenas a vacinação não conseguirá frear a pandemia nas cidades brasileiras.

No mundo, 4,5 milhões de novos casos foram registrados da doença, um número que marca a semana como a sétima consecutiva com alta em contaminações.

No caso brasileiro, houve uma queda de 8% no número de novos casos, mas eles continuam somando 464 mil em apenas sete dias, uma taxa equivalente ao que o mundo inteiro registrava há um ano em sete dias.

Variantes preocupam

Um dos alertas ainda da OMS se refere ao impacto das vacinas nas diferentes variantes, inclusive na P1 registrada no Brasil. Ainda que os imunizantes deem sinal de continuar a funcionar, a agência alerta que existem sinal de "redução limitada ou modesta" do impacto da neutralização das vacinas de Oxford-AstraZeneca, Moderna e Pfizer.

"Entretanto, existem algumas evidências de maior redução substancial", alerta. A OMS também destaca como estudos preliminares "sugerem perda de neutralização após a vacinação com as doses da Sinovac".

De acordo com a OMS, a "atividade neutralizadora foi reduzia entre 1,7 e 10 vezes, dependendo da vacina e do indivíduo". Num dos estudos, a vacina da Sinovac teve uma eficácia de 49,6% entre as pessoas com sintomas e apenas 35,1% entre os assintomáticos.

Citando estudos brasileiros, a OMS aponta que a mutação P.1 representaria 73% dos casos detectados de covid-19 no Brasil em março, contra uma taxa de apenas 23% em janeiro. No Sudeste e Norte, a prevalência seria maior.

No total, 52 países já registraram pessoas contaminadas pela variante identificada no Brasil e, de acordo com a OMS, a taxa de fatalidade entre jovens a partir de 20 anos aumentou em fevereiro de 2021, em comparação ao mês de janeiro. Isso sugere uma potencial associação entre a P.1 e o desenvolvimento de uma doença mais severa.

Ainda assim, num estudo realizado na Itália, a variante brasileira parece ceder quando confrontada a um cenário de "competição" com a mutação do vírus encontrado no Reino Unido.