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Jamil Chade

Afeganistão: governo pede ajuda à Europa para trazer brasileiros e famílias

20.ago.2021 - Afegãos se reúnem em uma estrada perto da parte militar do aeroporto de Cabul, na esperança de fugir do país após a tomada militar do Taleban no Afeganistão - Wakil Kohsar/AFP
20.ago.2021 - Afegãos se reúnem em uma estrada perto da parte militar do aeroporto de Cabul, na esperança de fugir do país após a tomada militar do Taleban no Afeganistão Imagem: Wakil Kohsar/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/08/2021 04h00Atualizada em 26/08/2021 05h24

Resumo da notícia

  • Prazo estipulado pelo Talibã se aproxima do final, enquanto potências alertam que quase 10 mil pessoas aguardam para ser evacuadas
  • França, Holanda, Bélgica e Dinamarca caminham para encerrar evacuações
  • 3 afegãos nacionalizados brasileiros solicitam ajuda e querem retirar do país também suas famílias. No total, 14 pessoas aguardam uma definição
  • 3 brasileiros que atuam para uma entidade humanitária indicaram que ficarão no Afeganistão

O Itamaraty enviou telegramas solicitando a ajuda de governos europeus para conseguir evacuar brasileiros que ainda se encontram no Afeganistão. Informações obtidas pela coluna revelam que a esperança do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é que os brasileiros consigam embarcar num dos voos humanitários organizados por países europeus para retirar seus cidadãos do Afeganistão.

Hoje, existem três brasileiros naturalizados no Afeganistão que solicitaram ao governo ajuda para serem evacuados. Trata-se de afegãos que, por diferentes motivos, obtiveram a nacionalidade brasileira.

Um dos desafios, porém, é que essas pessoas pediram que o governo brasileiro também retire do país seus familiares, que não contam com a nacionalidade brasileira. No total, portanto, seriam 14 pessoas solicitando essa ajuda.

Sem uma embaixada em Cabul, o governo brasileiro atua a partir de Islamabad, capital do Paquistão.

Um dos desafios é encontrar vaga para essas pessoas, faltando poucos dias para o fim da presença militar americana no Afeganistão. Diversos países europeus já indicaram que estão concluindo a retirada de seus nacionais. Bélgica e Dinamarca completaram a evacuação, enquanto a França anunciou nesta quinta-feira que não conseguirá continuar com o plano de retirada depois de sexta-feira. Já a Holanda declarou que está interrompendo a operação para repatriar seus nacionais.

Brasileiros optam por ficar no Afeganistão para ajudar

Além dessas 14 pessoas, outros três brasileiros vivem no Afeganistão. Mas optaram por permanecer no país por estarem realizando trabalhos humanitários. Todos os três atuam como funcionários da entidade Médicos Sem Fronteira que, assim como a ONU, optou por não suspender suas operações. Hoje, o Afeganistão conta com 18 milhões de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.

Há ainda o caso de um brasileiro que entrou em contato com a embaixada do Brasil no Paquistão, solicitando ajuda. Mas, desde seu primeiro contato, não mais voltou a solicitar uma evacuação e sequer foi encontrado.

No total, as potências estrangeiras já retiraram do Afeganistão cerca de 84 mil pessoas. Além de americanos, britânicos, franceses e funcionários de outras nacionalidades, milhares de afegãos que trabalhavam para esses governos também foram beneficiados por uma operação de evacuação.

O temor de muitos deles é de que fossem alvo de retaliações por parte do Talibã, por terem servido às autoridades americanas ou europeias. O grupo fundamentalista garantiu que não haveria revanche. Mas relatos recebidos pela ONU indicam que o Talibã cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade, em seu avanço até Cabul.

Ao menos 1.500 americanos ainda não foram retirados do Afeganistão e outros 9 mil estrangeiros também aguardam para sair do país, mas o Talibã insiste que não vai estender a data limite para a retirada dos militares americanos. Sem a presença dos soldados estrangeiros no aeroporto, o risco é de que o local passe a ser controlado pelo grupo fundamentalista, com consequências para aqueles que tentam sair do país.

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