Jamil Chade

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Brasil lidera alta de exportação entre principais economias no trimestre

Um informe publicado pela ONU nesta sexta-feira revela que o Brasil foi o país que apresentou a maior expansão de exportações no terceiro trimestre de 2023, entre as principais economias do mundo.

Os dados revelam, de fato, que o comércio global sofreu um tombo de 5% no ano, com um declínio de US$ 2 trilhões. O fluxo entre países emergentes foi reduzido e mesmo as exportações do Sudeste Asiático ficaram abaixo da média.

No caso brasileiro, porém, os números são positivos.

"O comércio de mercadorias nas principais economias sofreu uma desaceleração consistente nos últimos quatro trimestres", disse a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento. "Entretanto, a Federação Russa registrou um crescimento anual positivo nas importações, enquanto o Brasil e a União Europeia apresentaram tendências positivas nas exportações", constata.

Eis os resultados para as principais economias do mundo, em termos de aumento de exportações no terceiro trimestre 2023, em comparação a 2022:

Brasil 4%

UE 3%

EUA 0%

Japão - 5%

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China - 6%

Índia - 7%

Coreia do Sul -11%

África do Sul - 11%

Rússia - 24%

No que se refere às importações, porém, a queda foi de 7%, equivalente e em linha às demais grandes economias.

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Segundo a ONU, as estatísticas de trimestre a trimestre indicam uma tendência negativa persistente, com todas as principais economias, exceto os Estados Unidos, registrando quedas nas importações ou nas exportações, ou em ambas. A comparação do crescimento anual e trimestral sugere alguma melhora nas tendências de várias economias, mas a linha de base geral permaneceu negativa no 3o trimestre de 2023.

"A desaceleração do comércio foi mais acentuada nos países em desenvolvimento, com o comércio Sul-Sul apresentando um desempenho inferior durante a maior parte de 2023", disse.

"Essas tendências podem ser atribuídas não apenas à desaceleração nas regiões do Leste Asiático, mas também à diminuição do comércio entre as economias asiáticas", apontou.

Em relação a 2024, a previsão para o comércio global permanece "altamente incerta" e, em geral, "pessimista".

"Embora alguns indicadores econômicos apontem para possíveis melhorias, espera-se que as tensões geopolíticas persistentes, os altos níveis de endividamento e a fragilidade econômica generalizada exerçam influências negativas sobre os padrões do comércio global", destaca a ONU.

Além das tensões geopolíticas, a redução da interdependência entre EUA e China está tendo um impacto no comércio global.

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"O comércio global teve um crescimento negativo desde meados de 2022, impulsionado principalmente por um declínio substancial no comércio de mercadorias, que continuou a se contrair nos três primeiros trimestres de 2023", afirmou a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento.

"Em contrapartida, o comércio de serviços demonstrou mais resiliência e seu crescimento permaneceu positivo durante o mesmo período", disse.

A previsão atual da UNCTAD aponta uma mudança no quarto trimestre de 2023, com um pequeno aumento previsto no comércio de mercadorias e um declínio no comércio de serviços.

No geral, o comércio global em 2023 será de aproximadamente US$ 30,7 trilhões, representando uma contração de cerca de US$ 1,5 trilhão (ou 5%) em comparação com o recorde de 2022.

"Especificamente, espera-se que o comércio de mercadorias sofra uma contração de quase US$ 2 trilhões em 2023, ou 8%, enquanto o comércio de serviços deve ganhar cerca de US$ 500 bilhões, ou 7%", destaca.

Parte da queda ainda foi por conta da diminuição da demanda nos países desenvolvidos, pelo baixo desempenho das economias do Leste Asiático e pela queda nos preços das commodities.

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"Esses fatores contribuíram coletivamente para uma notável contração no comércio de mercadorias. Em contrapartida, o comércio de serviços registrou crescimento durante a maior parte de 2023, um aumento atribuído à sua recuperação tardia da desaceleração causada pela COVID-19", explicou.

Distância entre China e EUA abala comércio

Outra constatação da ONU é de que o afastamento entre Pequim e Washington começa a ter um impacto real no comércio mundial.

"O comércio global está sendo influenciado pela forma como as cadeias de suprimentos respondem às mudanças na política comercial e às tensões geopolíticas, com impactos notáveis observados nos vínculos de suprimentos entre a China e os Estados Unidos", afirma.

Segundo a ONU, existem indicações de uma mudança nas preferências comerciais bilaterais em direção a países com posições geopolíticas semelhantes. Ao mesmo tempo, houve uma diminuição geral na diversificação dos parceiros comerciais, indicando uma concentração do comércio global nas principais relações comerciais.

"A guerra na Ucrânia, as sanções contra a Federação Russa e a redução dos riscos na relação comercial entre os Estados Unidos e a China estão desempenhando um papel significativo na formação das principais tendências do comércio bilateral", disse.

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"Esses fatores não apenas afetam as economias diretamente envolvidas, mas também influenciam indiretamente a dinâmica comercial de outras economias", completa.

Empresas de outras regiões, especialmente nas economias do Leste Asiático e do México, tiveram oportunidades de se integrar mais às cadeias de suprimentos afetadas por preocupações geopolíticas.

A ONU também destaca o aumento dos subsídios e das medidas restritivas ao comércio.

"O ressurgimento do uso da política industrial e a urgência de cumprir os compromissos climáticos estão impulsionando mudanças nas políticas comerciais, tanto na forma de tarifas quanto de medidas não tarifárias", disse.

"O uso de medidas restritivas ao comércio aumentou em 2023. Prevê-se que essas políticas voltadas para dentro impeçam o crescimento do comércio internacional", alertou.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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