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Opinião

Nas redes, bolsonarismo está faturando politicamente com ataques do Hamas

Após os ataques terroristas do Hamas contra Israel, a direita e o bolsonarismo estão se fortalecendo nas redes sociais, especificamente no WhatsApp e no Twitter.

Durante o programa Análise da Notícia, o colunista do UOL José Roberto de Toledo destacou que as principais menções sobre o assunto são dominadas por contas ou usuários ligados à direita.

Estudos foram feitos pela Palver, que verificou 40 mil grupos públicos no WhatsApp, e pela Arquimedes, que identificou mais de 5 milhões de tweets sobre o assunto na rede de Elon Musk.

Nas redes sociais, o bolsonarismo está faturando politicamente com ataques do Hamas. José Roberto de Toledo

Análise de comportamento. Além de um levantamento quantitativo sobre o número de menções nos grupos do WhatsApp que são monitorados, a Palver também realizou uma análise de sentimentos, ou seja, se as menções são positivas ou negativas.

Quando é feita uma análise sobre o termo "Hamas", mais de 65% das mensagens são de menções negativas, enquanto menos de 5% são de menções positivas. O problema é que a análise sobre "Palestina" atinge o mesmo patamar de menções negativas e positivas.

Ou seja, o discurso que está prevalecendo no WhatsApp é capitaneado por mensagens de pessoas ligadas à direita e com uma falsa equivalência de que a Palestina é igual ao Hamas, que é igual ao terrorismo e atrocidades.

Post de Bolsonaro ligando Lula a Hamas no Twitter é campeão de engajamento. Nas postagens analisadas pela Arquimedes no Twitter, o post em português com maior interação sobre o Hamas foi feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao prestar solidariedade ao povo judeu, ele também afirma que o Hamas parabenizou Lula pela vitória na eleição de 2022. Entre as 10 postagens com mais interação sobre o assunto na rede social, sete se alinham a contas da direita.

Problema para os palestinos. A dominância da narrativa que associa todo o povo palestino ao Hamas nas redes sociais cria um problema para os palestinos. A discussão foi polarizada pela direita com uma falsa equivalência que não faz distinções entre Hamas, terrorismo e Palestina.

Discursos mais ponderados não prosperam nas redes. Segundo as análises, uma parte minoritária da esquerda tenta justificar os ataques do Hamas dizendo que antes houve ataques de Israel contra o povo palestino.

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Mesmo enfatizando a atrocidade dos ataques do Hamas, o discurso da esquerda não consegue prosperar pelo fato de as pessoas estarem muito impactadas pelas imagens dos ataques terroristas do Hamas. A ponderação não é bem aceita e, por isso, as postagens mais polarizadas, radicalizadas e que assumem um lado, são as que fazem mais sucesso.

Discurso de falsa equivalência é um desastre para a esquerda. O discurso que associa o Hamas ao terrorismo e, consequentemente, a Palestina já faz as primeiras "vítimas políticas" no Brasil.

Guilherme Boulos (PSOL) teve uma baixa em sua campanha após um assessor não ser enfático suficiente ao condenar os ataques do Hamas mas, além disso, há várias imagens sendo reproduzidas nas redes sociais de pessoas que são ligadas ao movimento de emancipação palestino e também a Boulos.

Essa associação de povo palestino ser igual ao terrorismo e atrocidades, independentemente de ser o Hamas ou não, é que está preponderando. Isso obviamente é péssimo para todos os políticos que em algum momento fizeram uma foto com alguém ligado ao movimento de emancipação da Palestina. José Roberto de Toledo

Direita brasileira vence a guerra de narrativas. As menções a Palestina e ao Hamas nas redes sociais no Brasil superam as menções a Lula ou Bolsonaro. Nos mais de 5 milhões de tweets sobre o assunto, com certeza a direita brasileira está tendo uma vitória estrondosa na guerra de narrativas.

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 19h.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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