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Josmar Jozino

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bando do PCC preso no Paraguai iria roubar bancos e empresas de valores

Acusados de integrar o PCC são detidos no Paraguai - Divulgação
Acusados de integrar o PCC são detidos no Paraguai Imagem: Divulgação
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

26/03/2021 04h00

Os seis brasileiros e oito paraguaios integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) presos em Pedro Juan Caballero, na terça-feira (23), planejavam realizar roubos milionários em transportadoras de valores e agências bancárias na fronteira do Paraguai, de acordo com a polícia

O plano foi descoberto graças à ação conjunta dos serviços de inteligência da Polícia Federal do Brasil e da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai. A intenção do bando era realizar assaltos em série às instituições financeiras na região de fronteira, inclusive em Ponta Porã, no lado brasileiro.

O dinheiro roubado seria usado para comprar armas e drogas e para reforçar a presença do PCC no Paraguai. A facção paulista já havia montado um quartel-general na fronteira com 174 integrantes, conforme informou o UOL em reportagem publicada em 26 de janeiro deste ano.

O bando estava reunido em uma casa do lado paraguaio, discutindo o planejamento das ações criminosas, quando foi surpreendido por policiais. Na residência foram apreendidos fuzis, metralhadoras, munição, coletes à prova de bala e diversos aparelhos de telefone celular.

Segundo policiais paraguaios, a quadrilha era liderada pelo brasileiro Weslley Neres dos Santos, 34, o Bebezão. Ele já cumpriu pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), junto com a liderança do PCC.

Em 2013, Bebezão e 174 integrantes do PCC, incluindo o alto escalão da facção, foram denunciados por associação à organização criminosa pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado), de Presidente Prudente, subordinado ao MPE (Ministério Público Estadual).

Weslley  Neres dos Santos, acusado de integrar o PCC, preso no Paraguai - Divulgação - Divulgação
Weslley Neres dos Santos, acusado de integrar o PCC, preso no Paraguai
Imagem: Divulgação

Bebezão é um velho conhecido da polícia paulista. Em 11 de julho de 2011, dois meses após sair em liberdade do CDP 1 (Centro de Detenção Provisória) do Belém, ele e outros dois comparsas foram presos com 50 quilos de cocaína em uma casa na zona leste da capital.

Condenado por tráfico, ele cumpriu parte da pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Em 2017, Bebezão foi beneficiado com o regime semiaberto e, no mesmo ano, saiu em liberdade condicional.

Segundo policiais brasileiros, o criminoso havia assumido recentemente o posto de chefe do PCC na fronteira em substituição a Giovanni Barbosa da Silva, o Koringa, preso em janeiro deste ano também em ação conjunta da PF e da Senad.

Estudante de medicina

A Polícia paraguaia informou que Bebezão se passava por estudante de medicina em uma faculdade de Pedro Juan Caballero e em outra em Cidad Del Este, esta última na fronteira com Foz de Iguaçu, no Paraná. Os registros escolares eram diferentes.

Carterinha de estudante de medicina de Weslley Neres dos Santos, 34, o Bebezão, do PCC - Divulgação - Divulgação
Carterinha de estudante de medicina de Weslley Neres dos Santos, 34, o Bebezão, do PCC
Imagem: Divulgação

Além de Bebezão foram presos os brasileiros Bruno César Pereira, Alfredo Giménez Lorrea, Bruno Rafael Porto de Oliveira, Maxlese Rodrigues e Willian Meira do Nascimento.

Todos já foram expulsos do Paraguai e entregues às autoridades brasileiras. A Polícia Federal não informou para onde Bebezão foi transferido. Ele vai ficar em uma penitenciária federal.

O UOL não conseguiu contato com os advogados dos presos.