Apesar de derrota de Ramagem, bolsonarismo segue forte no Rio
A derrota de Alexandre Ramagem (PL) na corrida pela Prefeitura do Rio já era esperada pela classe política do estado por um motivo: o oponente era Eduardo Paes (PSD). O prefeito reeleito é considerado uma espécie de celebridade, um político "fora da curva", que tem uma relação "diferenciada" com a cidade —expressões facilmente utilizadas por aliados e adversários em conversas reservadas. Está no terceiro mandato, é bem avaliado pela população e controla a máquina pública.
Ainda assim, a votação de Ramagem foi considerada expressiva por integrantes de diferentes grupos políticos, inclusive por aliados do prefeito: 30,81%. Paes venceu com 60,47%. A última pesquisa Datafolha indicava Ramagem com 25% dos votos válidos e Paes com 63%. A margem de erro era de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, o resultado final ficou muito próximo ao que foi indicado pelo levantamento.
O mesmo Datafolha mostrou em julho, antes da campanha começar oficialmente, que Ramagem era desconhecido por 63% da população, enquanto Paes era conhecido por 99% — ele está terminando seu terceiro mandato como prefeito.
Aliados do prefeito e do adversário afirmam que esse cenário mostra que, de fato, Ramagem conseguiu se apresentar à população e colar sua imagem à do padrinho político, Jair Bolsonaro (PL).
Antes de as urnas serem abertas, integrantes da classe política do Rio diziam que "seria um desastre" se Ramagem fizesse menos do que 25% dos votos.
"Bolsonaro saiu fortalecido com o resultado do Rio, mesmo perdendo. Era uma 'barbada', o Eduardo Paes certamente ia vencer no primeiro turno. E, mesmo assim, ele conseguiu ter 30% dos votos pra seu candidato, o que mostra que mesmo perdendo, é forte ainda no Rio. É um dado importante", diz o cientista político Claudio Couto, da FGV.
Carlos Bolsonaro bate o próprio recorde
O vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho "Zero Dois" do ex-presidente, foi reeleito com 130,4 mil votos, equivalente a 4,30% do total.
A dimensão da votação de Carlos pode ser entendida pela distância que ele manteve do segundo vereador mais bem votado: Marcio Ribeiro (PSD) teve 56,7 mil votos, ou 1,87% do total. Ele bateu o próprio recorde: em 2016, conquistou 106,6 mil votos.
Paes fez bancada de vereadores e mitigou riscos para a campanha
Eduardo Paes trabalhou para fortalecer os aliados na Câmara dos Vereadores, o poder legislativo municipal. Seu partido, PSD, aumentou de 11 para 16 vereadores e formou a maior bancada da Casa.
Ele também mitigou potenciais riscos para a campanha: formou arco de alianças com 12 partidos, atraiu dissidentes ligados aos adversários, como o senador Romário (PL) — do mesmo partido de Ramagem —, impediu que o Republicanos indicasse a vice do adversário e teve o apoio de líderes religiosos ligados a Bolsonaro.
Mas, na leitura da classe política do Rio, a escolha do vice em sua chapa foi o indicador mais visível da preocupação em fazer uma campanha imbatível no primeiro turno.
Paes resistiu à pressão das legendas aliadas para indicar a vice — queria uma chapa "puro-sangue", que não trouxesse o passivo de outros partidos. O entendimento era que os ataques seriam mais fáceis se ele escolhesse, por exemplo, um nome do PT, mesmo tendo o apoio oficial do presidente Lula.
A principal reviravolta na campanha do Rio foi justamente sobre a vaga de vice de Paes.
O plano inicial era compor com o aliado e amigo pessoal, o deputado federal Pedro Paulo (PSD), mas ele saiu do páreo no fim de julho. A justificativa, segundo aliados, era evitar o passivo que o deputado carrega com o vazamento de um vídeo íntimo e uma acusação de violência doméstica. Paes escolheu Eduardo Cavaliere, também do PSD e que foi seu secretário na Casa Civil.
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