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Cocaína não mata o coronavírus

Boato de que droga livra infectados da doença circula em diversos países do mundo - Arte/UOL
Boato de que droga livra infectados da doença circula em diversos países do mundo Imagem: Arte/UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Mensagem que circula em vários países afirma que droga pode curar infectados
  • A informação não tem qualquer comprovação científica
  • Ministério da Saúde não coloca droga como tratamento para a doença

Se há uma certeza sobre o assunto do momento é que, em meio às informações verdadeiras, surgirão uma série de boatos. Com o coronavírus não é diferente. Da confirmação no Brasil à semelhança com o HIV, já há diversas correntes falsas que circulam sobre o vírus.

A mais nova trata de uma suposta cura inusitada para ele: a cocaína. De acordo com uma imagem que circula pelos aplicativos de mensagem e redes sociais, a droga, ilegal, livraria pessoas infectadas da doença.

Ao pesquisar, o UOL encontrou diferentes versões desta tese nas redes sociais, algumas em outras línguas, como inglês, espanhol e francês.

Não há comprovação científica

A informação não tem qualquer comprovação científica. Para infectologista Rosana Ritchmann, do Departamento de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, o boato "beira o absurdo".

"Esta é a primeira vez que ouço falar disso, nunca vi nada do tipo. Pela minha ótica, não passa fake news, beira o absurdo. Não sei de onde veio e quem veiculou, mas é um desserviço, em especial pelo momento que passamos", afirma Ritchmann.

O Ministério da Saúde também não coloca cocaína ou qualquer outra droga como tratamento para a doença — a qual, segundo o órgão, ainda não tem tratamento.

"No caso do novo coronavírus, é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como o uso de medicamento para dor e febre e de umidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garanta e tosse", informa o ministério.

Na apuração, o UOL não encontrou qualquer estudo ou pesquisa internacional que reverbere o dado. A reportagem só achou, aliás, veículos de diferentes países, como Estados Unidos e França, desmentindo a fake news, que também circula por lá.

Ao sentir sintomas do coronavírus, como febre, tosse e dificuldade para respirar, o Ministério da Saúde recomenda a procura por "ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento" e não por uma droga ilícita.

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